01
jan

Sabático, suplemento literário do Estadão, desafiou a imaginação de quatro escritores para escrever um conto coletivo de Ano-novo. “Réveillon” teve sua primeira parte escrita pelo português valter hugo mãe, um dos destaques de 2011 no Brasil, por conta da sua participação na FLIP e pelo lançamento de duas obras suas por aqui. Quem dá continuidade à estória é a gaúcha Carol Bensimon, de quem li o excelente volume de contos Pó de Parede. Na sequência, o cearense Ronaldo Correia de Brito e a portuguesa Inês Pedrosa arrematam o conto, que pode ser lido na íntegra - mas dividido em partes - aqui. O resultado ainda foi “avaliado” pelo professor de literatura da USP, Alcides Villaça.

Ilustração: Catarina Bessell

08
jul

Desde que o primeiro capítulo do livroremorso de baltazar serapião” foi publicado na revista curitibana Arte e Letra Estórias, no ano passado, o nome de valter hugo mãe tem me despertado interesse. Ao chegar em Paraty, comprei na Livraria da Vila seu elogiado “a máquina de fazer espanhóis“, que provavelmente só lerei depois da flip. Mas, mesmo sem ter lido praticamente nenhum texto do autor português, nascido em Angola, é difícil não me tornar sua grande admiradora. mãe (sempre em minúsculas, como ele gosta) tem fala tranquila e inteligente, e suas colocações são sempre pontuadas de humor, afeto e uma certa melancolia.

Depois da declaração de amor que fez ao Brasil na mesa de hoje - que pode ser lida aqui, na íntegra -, mãe ganhou fãs apaixonados, para os quais dedicou mais de 4 horas assinando seus livros. Se o português - que até o mês passado era um completo desconhecido no país - será lido por todos que ganharam seu autógrafo hoje, isso não se sabe. Mas ele se mostrou muito aberto ao desejo de estreitar o diálogo literário entre Brasil e Portugal - e isso desde seus tempos de editor, quando publicou a até então inédita poesia completa de Ferreira Gullar daquele lado do Atlântico.

Na mesa de hoje, que ele dividiu com uma exuberante Pola Oloixarac, mãe falou sobre sua tetralogia, concluída com “a máquina de fazer espanhóis”. Os quatro romances estão traçados em torno de personagens com 8, 19, 40 e 84 anos de idade, percorrendo todo o ciclo da vida humana. O próximo projeto, segundo ele, pretende ser algo bastante autobiográfico, sobre um homem que em certo ponto da vida passa a traçar estratégicas para formar uma família. Se tornar pai. Prestes a completar 40 anos, mãe disse acreditar que existe, dentro de nós, um tipo de amor reservado para alguém que ainda não nasceu. E contou que mãe é um nome inventado, em homenagem ao “ser mais incondicional que existe”. Para ele, que nasceu Valter Lemos, a utopia do artista é justamente criar uma relação incondicional com sua obra e fazer com que ela exprima e possa influir na vida de seus leitores.

Pontos de fuga era o nome da mesa que reuniu mãe e Pola Oloixarac. Achei até curioso, porque Pola parecia estar “fugindo” do papel sentimental e emotivo historicamente destinado à mulher na literatura, ao lançar um romance divertido mas muito cerebral e intelectualmente ambicioso; enquanto valter hugo mãe revelou uma fuga em direção contrária, do homem que escolhe o papel amoroso, familiar e incondicional da mãe. Para terminar a mesa mais emotiva da flip até agora, lágrimas e aplausos não poderiam faltar.