jun
primeiro frio do ano
fui feliz
se não me engano
Sempre que um novo inverno curitibano se inicia eu preciso recitar este haicai do Paulo Leminski. Os melhores versos orientais do polaco do pilarzinho sem dúvida estão em La vie en close, mas este, incluído no livro Distraídos Venceremos, tem lá o seu charme.
No Japão, originalmente os haicais eram poesias com 17 sons, divididos em três versos: cinco sílabas no primeiro, sete no segundo e outras cinco no terceiro. Mas muitos autores brasileiros subverteram o formato, trazendo mais liberdade de forma e de temas ao gênero. Além de Leminski, Millôr Fernandes e Mário Quintana, para citar alguns haicaistas dos trópicos, um nome interessante é Massau Simizo, pouquíssimo conhecido por um motivo no mínimo poético: de tão tímido, ele se inscrevia em concursos literários com o nome da esposa, Lituka Simizo, quem recebia os prêmios enquanto o marido aguardava oculto na plateia. Falecido em 2005, Massau era paulista e médico de formação. Mas, em seu tempo livre, criou versos inspirados como este:
Ipê florido,
Anualmente se renova.
E nós?
Uma amostra do trabalho de Massau Simizo pode ser conferida no livro As quatro estações e outros haicais, lançado pela editora curitibana Aymará. A obra foi uma das finalistas do prêmio “O melhor para a criança”, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, considerada “altamente recomendável” pela instituição. Saiba mais sobre o volume no site da Aymará.




