04
dez

Para a Fátima de Carvalho, ela representa uma evolução pessoal. Para o Gustavo Costi, miniuniversos que alimentam a imaginação. Helen May Sholl diz que a importância da literatura está em olhar o mundo e enxergar a nós mesmos. O poeta Claudio Bettega canta que a literatura dá prazer na leitura/ ajuda na cura/ das desditas/ com letras escritas. Pâmela Manica se orgulha de contar que a literatura amplia o imaginário de forma infinita. “Ela me faz curiosa”, reflete Simon Slompo. Você pode levar um livro para qualquer parte e nunca estará só, explica Manuela Abdo Maia. Uma viagem por outros tempos e lugares, que amplia horizontes e desfaz preconceitos, segundo Luís Henrique Henning. Um mundo à parte onde não há o compromisso com a realidade, e, no entanto, é de onde extraímos as mais verdadeiras mentiras, filosofa Alvaro Posselt. Ou, como disse Melissa Andrade: “simplesmente o meu terceiro olho para a vida”.

Estes e muitos outros leitores deram a sua opinião no primeiro aniversário do Orelha do Livro. A contemplada com uma coleção de obras da Editora Fundamento é a Ana Claudia França, que escreveu: “A importância da literatura na minha vida está em encontrar tantas vidas na literatura que sou capaz de escutar ecos de mim mesma entre as páginas.”

Obrigada pela participação de todos e todas. Uma ótima leitura e até a próxima.

10
nov

Um projeto de leitura da rede municipal de ensino de Londrina, no Paraná, conseguiu aumentar em quatro vezes a quantidade de livros lidos por ano pelas crianças. Enquanto a média nacional nas escolas é de 4,7 livros/ano, e na França os pequenos lêem cerca de 15 volumes anualmente, em Londrina a gurizada chega a ler 20 livros de janeiro a dezembro. Imagina só se esse pessoal tiver ainda o hábito de ler durante as férias, que beleza! A professora de Língua Portuguesa Giovana Fontes (nome apropriadíssimo) explicou que “se os pais tiverem livros espalhados pela casa, que a criança possa tocar, ela se acostuma com aquilo como se fosse algo comum”.

Outra boa notícia: os brasileiros estão lendo mais, segundo pesquisa realizada pelas editoras do país. Dos 190 milhões de habitantes, cerca de 100 milhões afirmam terem lido pelo menos uma obra no último trimestre. As mulheres são a maioria dos leitores, mas só quando o assunto não é História, política e Ciências Sociais (hein?). Em todo caso, o livro mais lido no Brasil continua sendo a Bíblia. Veja aqui a matéria completa da Gazeta do Povo.

06
nov

Uma bela iniciativa de estímulo à leitura acaba de ser criada durante a 54a Feira do Livro de Porto Alegre: o Banco de Livros. Lançado pela Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais e a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, o Banco dos Livros é formado por doações de obras usadas. A idéia é que cada livro já lido e esquecido em alguma prateleira possa chegar às mãos de novos leitores. O pontapé inicial do projeto foi dado através dos doze pontos de coletas de doações literárias espalhados pela Feira de POA, que reunirão o acervo base para a montagem de bibliotecas comunitárias no Estado. Simples e inteligente. Leia mais aqui.

28
out

Se você pousou nesta página – e não foi acidentalmente –, é porque temos pelo menos um hábito em comum. Trata-se daquela mania incontrolável, descrita por um monossílabo verbal de segunda terminação, um verbo sintético de três brevíssimas letras e tão bem pronunciado pelos curitibanos. Ler. Um verbo afetivo, avesso a imperativos, que costuma ser conjugado desde cedo pelos pequenos até alcançar mais e melhores flexões. Das Reinações de Narizinho lidas por sua mãe antes de dormir, até os sete volumes proustianos que um dia você lerá, em busca de algum tempo perdido, o verbo ler exprime ação, estado, sensação, sentimento. Ou então, o que mais levaria Clarice Lispector a escrever algo como “Felicidade Clandestina”? Aprendemos que não existe oração sem verbo, e eu digo que não existe oração sem o verbo ler – embora, para certos leitores ateus, ler seja mesmo a própria oração. Uma espécie de reza solitária. “Ao me trancafiar num livro, exerço meu direito mais sagrado: o de não pertencer ao meu tempo e ao meu lugar”, sentenciou o crítico literário Miguel Sanches Neto no jornal Gazeta do Povo.

Eu leio, tu lês e quero crer que eles também lêem, ou que um dia o farão. Segundo a revista britânica The Economist, hoje o brasileiro lê em média 1,8 livros por ano. Nossos irmãos argentinos e uruguaios lêem 4 volumes anuais e os franceses, campeões, cerca de 15 livros em doze meses. Mas quantidade não importa muito quando o assunto é livros literários. É como disse nosso grande Nelson Rodrigues: “Deve-se ler pouco e reler muito. Há poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos.

O Orelha do Livro vai ser assim, uma sala de leitura bem iluminada e aconchegante, sempre de portas e páginas abertas para receber leitores de livros literários – aqueles volumes desprovidos de utilidade prática, que jamais te ensinarão estratégias de vendas ou truques culinários, mas que podem ampliar seu ângulo de visão com um pouco de disciplina, mente aberta e paciência. Além deste espaço virtual, em breve o Orelha do Livro estará no ar de segunda a sábado na rádio Lumen 99.5 FM de Curitiba, sempre às 14h e 20h30.

“Leio para provar que o tempo é maior do que o presente. Leio porque não me bastam os prazeres do agora”, disse Miguel Sanches Neto. O prólogo termina aqui, sob o risco de se tornar um primeiro capítulo romanesco. Eu espero você nas próximas postagens – e conto muito com a sua participação.

Um abraço, Mariana.