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Das estantes presenteadas pelos sogros à poltrona herdada do pai, as leituras de Flávio Stein têm história.

Refúgios de leitura

Ler e estudar são atividades recorrentes na sua casa? Então reserve alguns metros quadrados e crie um cantinho especial para curtir ainda mais a companhia dos livros

Mariana Sanchez, especial para a Gazeta do Povo

Todo leitor há de concordar que livros são bem melhor aproveitados quando lidos – ainda que muita gente insista em usá-los apenas para compor a decoração da sala. Se a leitura está entre os seus hábitos cotidianos, uma forma de valorizar este momento é planejar, dentro de casa, um lugar especial para ela.

Foi o que fez o músico e diretor teatral Flávio Stein, 48 anos, que também é mestrando em Estudos Literários na Univer­­­sidade Federal do Paraná (UFPR). Até pouco tempo atrás, ele e a esposa mantinham em casa um quarto multiuso que abrigava desde objetos de arte e documentos até uma infinidade de livros. Com o anúncio da gravidez da esposa – e um inesperado ataque de cupins no principal armário de madeira –, Flávio decidiu que era hora de organizar melhor o espaço, transformando-o em escritório, biblioteca e canto de leitura. “É um ambiente em processo, ainda faltam alguns detalhes finais, mas já tenho o silêncio e o conforto de que preciso para ler e me concentrar”, conta. A inspiração veio da casa de seu pai, Milton de Lima Sousa, que tinha um acervo com mais de 10 mil obras e, além de poeta, editava uma revista literária nos anos 1960. Flávio não tira da cabeça a ideia de reproduzir o cantinho de leitura onde seu pai passava o tempo, com estantes margeando as paredes, mesa para apoiar a máquina de escrever – hoje substituída pelo computador – e uma larga poltrona próxima da janela. Essa, por sinal, ele recuperou da casa paterna, trocou o forro, tecido e até a angulação do encosto: “além de confortável, ela tem muita história”, garante. (Leia matéria completa.)

(Foto: Daniel Castellano)

04
abr

Antes de reclamar que seu filho lê pouco, talvez seja o momento de se questionar se você mesmo é um leitor. Manter livros em casa e tratar a leitura como um prazer pode ajudar a estimular o hábito em família, de pai para filho

Publicado em 04/04/2010 | Mariana Sanchez, especial para a Gazeta do Povo marianab@gazetadopovo.com.br

“Um país se faz com homens e livros”, costumava dizer Mon­teiro Lobato. Mas, no Brasil, meio século após a morte do criador da boneca Emília, os livros continuam faltando nesta equação. Aliás, livros e leitores. De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo IBGE e o Instituto Pró-Livro em 311 municípios brasileiros no final de 2007, apenas 35% da população afirma gostar de ler em seu tempo livre. Destes, a grande maioria tem formação superior, estuda ou trabalha e vive na região Sul. A Bíblia e obras didáticas encabeçam a preferência dos leitores entrevistados.

Se em países desenvolvidos a média de leitura per capita é de sete livros ao longo do ano, no Brasil este número está em 4,7, mas somente se incluirmos as obras indicadas pela escola. Do contrário, a conta não fecha dois livros por ano. Porém, reforçar a importância da leitura no desenvolvimento humano é bater em uma tecla já desgastada. A grande questão é entender como uma pessoa se torna leitora, de que estímulos ela precisa para sentir prazer na companhia dos livros, sem que isso se torne uma obrigação – tarefa que, tudo indica, deve começar dentro de casa. (Continue lendo)

Foto: Hedeson Alves