25
jun

Que os eventos literários são hoje cada vez mais numerosos, isso todo mundo já percebeu. Mas chama atenção o número de encontros, bate-papos e oficinas em torno do fazer literário realizados em Curitiba cidade que, nos últimos dois anos, já recebeu duas Bienais do Livro diferentes.

Para refletir sobre o tema, a edição de hoje do jornal Gazeta do Povo trouxe uma matéria comentando os principais eventos da cidade, entre eles o Autores & Ideias, do SESC-PR, do qual sou curadora. O texto questiona a participação por vezes pequena do público  no evento do SESC, por exemplo, que percorre 10 cidades paranaenses, a plateia dos municípios do interior chegou a reunir 300 pessoas, enquanto na capital houve edições com menos de 15. Em todo caso, acho complicado esperar públicos muito numerosos para discutir uma arte que sempre interessou a poucos, especialmente aquela literatura que foge do mainstream, que encanta e faz refletir. Ao contrário do cinema, do teatro e da música, cuja fruição costuma ser mesmo coletiva, a literatura é quase sempre uma atividade individual, tanto para quem a produz quanto para os que estão do outro lado. É também uma atividade menos “passiva”, porque exige a interação do leitor para acontecer, para existir. Isso, é claro, assumindo que o público dos eventos literários realmente lê aquilo que discute. Mas aí já é outro papo.

Em tempo: daqui a duas semanas acontece a Flip, a grande festa brasileira de literatura, que este ano chega a sua 9a edição. Depois de três anos, estarei lá outra vez. A missão: descobrir se Péter Esterházy usa peruca e tentar convencer o Emmanuel Carrère de um terrível bigode cresce em estágio avançado sob o seu nariz.

Na foto de Shigueo Murakami (que, aliás, tem sobrenome de escritor), eu, Fabrício Carpinejar e Sérgio Rodrigues em bate-papo sobre literatura e internet na Feira de Livros do SESC, em 2009.

08
ago

A edição deste mês do Autores e Ideias, ciclo literário promovido pelo Sesc-PR, traz como convidados os escritores Fabrício Carpinejar e Marcelino Freire, que irão conversar sobre as narrativas breves na era do Twitter.

Carpinejar é gaúcho e já publicou mais de uma dúzia de livros, sendo Mulher Perdigueira o seu mais recente. Marcelino Freire nasceu no sertão pernambucano mas vive há 20 anos em São Paulo. É autor de Angu de Sangue, BaléRalé, Contos Negreiros, entre outros, além de organizador da antologia Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século, que reúne microcontos de até 50 letras de 100 autores brasileiros. Os dois convidados já venceram o Prêmio Jabuti, agitam a blogosfera brasileira há anos e andam despejando sua prosa curta no Twitter (como este “conto nanico” do Marcelino: “Na mesma cela, dois homens se beijam. Livres.“, ou este tweet do Carpinejar: “Pijama é fronha do corpo.”)

A terceira edição do Autores e Ideias acontece em Curitiba no Paço da Liberdade nesta terça-feira (10) às 19h30, e segue para outras quatro cidades paranaenses nos dias seguintes. Este ano, o tema do evento é a relação entre a literatura e o ciberespaço. Além das mesas-redondas estão previstos workshops, oficinas e outras atividades, todas realizadas nas unidades do Sesc-PR com entrada gratuita.