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Se o Dia Mundial do Livro é celebrado em 23 de abril (ontem), é porque nesse mesmo dia nasceu e morreu William Shakespeare (1564-1616), que aliás morreu no mesmo dia, mês e ano que Miguel de Cervantes. E por falar no autor da obra mais importante escrita em castelhano, “Dom Quixote de La Mancha” de Cervantes acaba de receber sua primeira tradução para o guarani, a segunda língua mais falada no Paraguai. Quem se encarregou da quixotesca tarefa foi o escritor paraguaio e especialista em guarani, Félix de Guarania, um senhor de 84 anos e longa barba branca, que levou oito anos para concluir a tradução. Ele contou ainda com a colaboração do jornalista e poeta paraguaio Mario Rubén Álvarez. Antes de se aventurar pela tradução da obra-prima de Cervantes, de Guarania já havia transposto para o guarani o poema épico de José Hernandéz, “Martín Fierro”, além de obras do espanhol Gustavo Adolfo Bécquer e do libertador de Cuba, José Martí. Justificando o próprio trabalho, ele questiona:

“Por que é que Dom Quixote não haveria de cavalgar pelos campos e selvas do Paraguai, se cavalgou por todo o mundo? Acaso o guarani é uma língua incapaz de traduzir os pensamentos, as concepções, as emoções de um homem que agora é imortal, Miguel de Cervantes?”

Ilustração: Gustave Doré