mar
Por Rodrigo Jardim
Um amigo do meu melhor amigo disse que tinha um conhecido que levava livros para passear. Nada oficial, apenas o desejo insólito de vagar a esmo acompanhado de duas ou três brochuras pelas ruas da cidade. Posso ver esse sujeito sentado diante de uma praça a folhear seus livrinhos ao vento pelo puro apego e carinho pelas letras impressas. Se o livro é esse veículo que invariavelmente nos leva tão longe, por que não levá-lo uma vez ou outra para passear? Conversa de maluco? Quem sabe? O fato é que andanças com livros são salutares. Em primeiro lugar para arejar os livros, evitando mofo e minimizando a umidade presente em suas páginas. Em segundo lugar – e quem tem livros sabe – caminhar com eles é bom porque uma hora ou outra é possível abri-los e lê-los. Essa pausa para a leitura é básica. Nunca se sabe o tempo que poderemos perder numa fila de banco, em um consultório odontológico ou no trânsito de São Paulo, por exemplo. É bom tê-los à mão. Sua companhia é mais adequada que a de um celular, que sempre toca na hora errada. Um livro é sempre aberto na hora certa. Nas ilhas desertas que se transformaram nossas cidades – ilhas de desespero, miséria insensibilidade, loucura, medo, violência, poluição atmosférica e visual e essa lista é interminável - livros são benditas e benéficas mensagens encontradas em uma garrafa. Ande com eles.
(foto: Moriza)



