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Surpreendentemente, essa semana não foram as intrigas dos BBBs que ganharam os jornais. Os protagonistas da peleja – antiga, por sinal – são os escritores paranaenses Miguel Sanches Neto e Dalton Trevisan, respectivamente ex-discípulo e ex-mestre. Sem muitas explicações, a amizade dos dois terminou, e, diante dos rumores de que o autor de Chove sobre minha infância estaria escrevendo uma espécie de “biografia do vampiro”, Trevisan passou a criticar publicamente o antigo pupilo.
Em 2004, Sanches Neto admitiu que escrevia o tal livro, mas que seria uma obra de ficção com personagens inspirados no universo literário local – o que, na literatura, é chamado de roman à clef. Como resposta, Sanches Neto recebeu o poema Hiena papuda, em que seu velho mentor o xingava de nomes esquisitos e nada bonitinhos, como “traveca de araponga louca”, “filho adotivo espiritual de Caim” e “Judas que se vendeu por trinta lentilhas”. A coisa começou a esquentar.
Seis anos depois, o livro finalmente é publicado pela editora Objetiva. Chá das cinco com o vampiro conta a história do jovem Beto Nunes, aspirante a escritor que deixa sua cidade natal para morar em Curitiba, onde começa a freqüentar o círculo literário da época. Rapidamente se torna discípulo de Geraldo Trentini, um importante e excêntrico escritor da cidade, mas de amigo e pupilo Beto logo se converte em desafeto. O lançamento do livro polêmico moveu Miguel Sanches Neto a criar um diário sobre ele neste blog. Leia também esta resenha e entrevista assinadas pelo jornalista Irinêo Baptista Netto na Gazeta do Povo.
Quando testemunho episódios como este na literatura, lembro desta observação muito adequada de um amigo: “ler um livro e querer conhecer seu autor é o mesmo que comer foie gras e querer conhecer o ganso”. (Aliás, ele disse que a citação deve ser do Arthur Koestler.) Não deixa de ser uma boa frase!



