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Acabo de assistir à transmissão ao vivo na internet da mesa em que participou António Lobo Antunes na Flip. (Aliás, as transmissões foram ótimas. Se soubesse, talvez não tivesse viajado mais de 15 horas de ônibus até Paraty, como fiz no ano passado!)
A conversa entre o escritor português e Humberto Werneck durou pouco menos de 40 minutos e, como era de se esperar, proporcionou algumas belas reflexões sobre o papel do escritor, do leitor e essa ponte que os aproxima: o livro. Para Lobo Antunes – assim como para Chico Buarque, que o confessou ontem na mesa Seqüências Brasileiras -, “ler dá muito mais prazer do que escrever”. Em sua opinião, “descobrir um bom livro é uma festa”. Entre suas últimas descobertas está “Cotovia”, do húngaro Deszö Kosztolányi, e os livros de Cormac McCarthy. O mineiro Paulo Mendes Campos ainda foi citado como um escritor que os brasileiros não costumam conhecer.
Eis algumas frases que pude anotar rapidamente, antes do Werneck encerrar a mesa e Antunes ser ovacionado pelo público:
“Escrever um livro é como fazer uma almofada para pousar a cabeça na hora da morte. Arredondar esse livro significa tornar essa almofada perfeita.”
“Um livro bom é aquele que é escrito somente para mim.”
“Um escritor deve trabalhar 8 horas por dia: 2 escrevendo e 6 corrigindo.”
“Me dá muito prazer ler os livros de Gabriel Garcia Marquez, mas não me daria nenhum prazer tê-los escrito.”
“O nome do leitor é que deveria estar na capa do livro, não o do autor. Porque é ele que escreve o livro, na verdade, cada vez que o lê.”



