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É o romance de estreia do mineiro Carlos de Brito e Mello, e um dos livros mais perturbadores e originais que li nos últimos anos. Escrito em uma espécie de prosa poética, A Passagem tensa dos corpos é dividido em 156 capítulos curtos, narrados por uma figura incorpórea encarregada de contabilizar os mortos no interior de Minas Gerais. O personagem-narrador espera que, quando concluir o trabalho, possa retomar a própria vida, interrompida de forma abrupta ainda na infância. Mas é surpreendido por uma estranha família que insiste em manter o corpo do chefe da casa insepulto, amarrado em uma cadeira no meio da sala, atrapalhando seus planos. O sarcasmo e a ironia do texto são o grande trunfo do autor, que consegue inovar mesmo trabalhando a partir de um tema tão recorrente na literatura, como a morte.
Professor universitário e artista plástico de 36 anos, Carlos de Brito e Mello já havia publicado o volume de contos O cadáver ri dos seus despojos e participou da coletânea Entre duas mortes e sombras. Com A passagem tensa dos corpos, ficou entre os semifinalistas do Prêmio Portugal Telecom de 2010 - sei que a lista inclui figurões como Saramago, Mia Couto, Chico Buarque, Milton Hatoum e Dalton Trevisan, mas é desde já o meu favorito.


