08
jul

Desde que o primeiro capítulo do livroremorso de baltazar serapião” foi publicado na revista curitibana Arte e Letra Estórias, no ano passado, o nome de valter hugo mãe tem me despertado interesse. Ao chegar em Paraty, comprei na Livraria da Vila seu elogiado “a máquina de fazer espanhóis“, que provavelmente só lerei depois da flip. Mas, mesmo sem ter lido praticamente nenhum texto do autor português, nascido em Angola, é difícil não me tornar sua grande admiradora. mãe (sempre em minúsculas, como ele gosta) tem fala tranquila e inteligente, e suas colocações são sempre pontuadas de humor, afeto e uma certa melancolia.

Depois da declaração de amor que fez ao Brasil na mesa de hoje - que pode ser lida aqui, na íntegra -, mãe ganhou fãs apaixonados, para os quais dedicou mais de 4 horas assinando seus livros. Se o português - que até o mês passado era um completo desconhecido no país - será lido por todos que ganharam seu autógrafo hoje, isso não se sabe. Mas ele se mostrou muito aberto ao desejo de estreitar o diálogo literário entre Brasil e Portugal - e isso desde seus tempos de editor, quando publicou a até então inédita poesia completa de Ferreira Gullar daquele lado do Atlântico.

Na mesa de hoje, que ele dividiu com uma exuberante Pola Oloixarac, mãe falou sobre sua tetralogia, concluída com “a máquina de fazer espanhóis”. Os quatro romances estão traçados em torno de personagens com 8, 19, 40 e 84 anos de idade, percorrendo todo o ciclo da vida humana. O próximo projeto, segundo ele, pretende ser algo bastante autobiográfico, sobre um homem que em certo ponto da vida passa a traçar estratégicas para formar uma família. Se tornar pai. Prestes a completar 40 anos, mãe disse acreditar que existe, dentro de nós, um tipo de amor reservado para alguém que ainda não nasceu. E contou que mãe é um nome inventado, em homenagem ao “ser mais incondicional que existe”. Para ele, que nasceu Valter Lemos, a utopia do artista é justamente criar uma relação incondicional com sua obra e fazer com que ela exprima e possa influir na vida de seus leitores.

Pontos de fuga era o nome da mesa que reuniu mãe e Pola Oloixarac. Achei até curioso, porque Pola parecia estar “fugindo” do papel sentimental e emotivo historicamente destinado à mulher na literatura, ao lançar um romance divertido mas muito cerebral e intelectualmente ambicioso; enquanto valter hugo mãe revelou uma fuga em direção contrária, do homem que escolhe o papel amoroso, familiar e incondicional da mãe. Para terminar a mesa mais emotiva da flip até agora, lágrimas e aplausos não poderiam faltar.

08
jul

Já aconteceu com você de a internet inteira falhar, exceto o Facebook? Pois bem, diante da minha impossibilidade de descarregar meus registros fotográficos aqui no blog, tive de recorrer a mais social das redes e postar tudo lá, no Facebook.

O dia de hoje foi cheio. De manhã, tentativa frustrada de ouvir Ana Maria Machado e Bartolomeu Campos de Queirós na Casa da Cultura. Mas logo fui recompensada com o lirismo crítico de Paulo Henriques Britto - um dos poetas de que mais gosto -, na mesa que dividiu com a britânica Carol Ann Duffy - quem me fez recuperar o amor pelo idioma inglês, enquanto lia seus poemas e nos brindava com seu belo sotaque. A Cia das Letras distribuiu um caderninho com a seleção dos versos de Britto em edição bilíngue, alguns deles traduzidos pelo autor. Dentre as suas “Nove variações sobre um tema de Jim Morrison“, reproduzo a última aqui:

Todo todo é menor que a menor parte,
muitos mundos cabem numa avelã.
Não há dia que não morra numa tarde,
nem noite que não se acabe em manhã.

E, como a noite já vai tarde, melhor dormir (talvez sonhar), porque amanhã cedo tem viagens literárias com Andrés Neuman e Michael Sledge. Na sequência, Pola Oloixarac, valter hugo mãe (que ouvi agora pouco no painel da Brazilian Publishers sobre a promoção da literatura brasileira no exterior), Emmanuel Carrère, Péter Esterházy, Lourenço Mutarelli, Ignácio Loyola Brandão e o dia vai ser grande demais para caber numa avelã.

07
jul

Em 2008, quando o Orelha do Livro era só uma ideia na cabeça e este blog nem existia, encarei minha primeira Flip movida pela curiosidade de conhecer pessoalmente a cineasta Lucrecia Martel - de quem ganhei um autógrafo na primeira folha da historieta El Eternauta, que ela pretendia levar às telas, além de frequentar sua concorrida oficina de roteiro. Este ano, para minha felicidade, volto à maior celebração nacional da literatura a convite da Petrobras, que descobriu o Orelha do Livro meio por acaso, neste mar de blogs literários que povoam o ciberespaço. Me acompanham na viagem a escritora e ilustradora Ana Terra, e o crítico e escritor Felipe Arruda.

Como em 2008, a edição deste ano também me aproxima do sotaque portenho. Desta vez, de Pola Oloixarac - autora de As Teorias Selvagens e candidata a celebridade cult da festa -, Andrés Neuman - vencedor do prêmio Alfaguara pelo romance O viajante do século, que comecei a ler essa semana - e Gonzalo Aguilar - autor de um dos melhores livros que li sobre a obra de Lucrecia Martel e de um volume de ensaios sobre Oswald Andrade, o homenageado da 9a Flip. Por sinal, a conferência de abertura trouxe depoimentos apaixonados e muito pessoais de José Miguel Wisnik e Antonio Cândido sobre o poeta antropófago. Como acontece com quase todo cânone das letras nacionais que somos obrigados a ler na escola, confesso que tinha pouco interesse na figura do modernista. Ouvir o mestre Antonio Cândido falar sobre o amigo me encheu de ânimo e desejo de devorar a obra de Oswald.

O dia de hoje foi cansativo e acabei desistindo de sacolejar ao som de Elza Soares, no show de abertura. Mas a Flip está só começando, e o clima em Paraty - apesar das condições climáticas nada animadoras - está mesmo uma delícia. O almoço para convidados, servido em mesas espalhadas pelo jardim de um charmoso casarão, já deu um gostinho de como serão os próximos dias: papos apaixonados sobre literatura, livros por toda parte, cachaças artesanais (por vezes disfarçadas de gelatina, de sobremesa) e escritores interessantíssimos circulando por aí sem nenhuma formalidade. No almoço de hoje, nem sei quantas vezes topei com Emmanuel Carrère, Edney Silvestre e Andrés Neuman. Joe Sacco foi um dos últimos a levantar da mesa e Péter Esterházy  era avistado de longe, com sua esvoaçante cabeleira branca. Difícil mesmo era saber se o careca que passava pra lá e pra cá era Alberto Mussa ou valter hugo mãe.

Os poucos registros fotográficos até o momento ficam pra amanhã, depois do café. Enquanto isso, tem muitas fotos, informações e vídeos - inclusive com a transmissão ao vivo da festa - no site oficial da Flip.

05
jul

A edição de julho do projeto entreMundos: mundo da leitura, leitura do mundo trará textos do escritor alemão W. G. Sebald e do japonês Yasunari Kawabata, respectivamente dos livros “Os Emigrantes” e “Contos da Palma da Mão”. É amanhã às 20h no Teatro da Caixa, e o ingresso custa um livro não-didático. O projeto tem direção de Flávio Stein, que este mês também entoará as leituras ao lado dos atores Mauro Zanatta e Leandro Daniel Colombo, com acompanhamento de Thomas Jucksch no violoncelo. A apresentação dos textos - e a mediação do bate-papo - fica por conta do professor da UFPR, Paulo Soethe. Até o fim do ano, outros autores foram escalados para a leitura coletiva, confira aqui.

04
jul

 

Acabo de conhecer um projeto bem bonito do Colégio Medianeira: o Sujeitos Leitores. Criado pela área de Midiaeducação, trata-se de uma série de vídeos semanais onde escritores, professores, jornalistas e alunos contam como surgiu sua relação com os livros e por que a leitura é uma atividade fundamental no seu dia a dia. Há depoimentos de “personalidades literárias” interessantes na cidade, como os escritores Cristovão Tezza, Paulo Venturelli e Luiz Felipe Leprevost. Mas fiquei especialmente emocionada com o relato do menino Igor Dalsenter, aluno da 5a série e participante assíduo do Clube da Leitura, que acontece toda semana no Colégio. Compartilho da opinião dele: pra que escolher entre ler um livro ou ir ao cinema quando você pode fazer as duas coisas? Basta se organizar e saber dividir o tempo para diversificar nossas atividades diárias. (Muito bem, Igor!) Assistam ao vídeo dele aí em cima. Não é demais esse guri?

01
jul

Ontem, enquanto dava um tempo entre o almoço e uma consulta médica no centro da cidade, lembrei que ainda não tinha entrado no Bondinho da Leitura, a mais nova - e simpática - biblioteca de Curitiba. Quando o espaço inaugurou, no fim do ano passado, cheguei a anunciar aqui no blog, mas só ontem tive a chance de conhecer o vagão literário in loco.

Sempre fui fã de bibliotecas e livrarias pequeninhas, com poucos mas ótimos livros, selecionados com cuidado por alguém que realmente lê - e não por um engravatado supervisor do departamento de compras que nunca passou da página dez. Daniele Cristine da Rosa, a moça que trabalha no Bondinho desde sua abertura e quem me atendeu, explicou que a curadoria do acervo contou com os palpites certeiros de José Castello e Affonso Romano de Sant’Anna, além do time da própria Secretaria de Estado da Cultura. Enquanto ela fazia o meu cadastro, passeei os olhos pelas prateleiras e, já na primeira espiada, encontrei Manoel Carlos Karam, Julio Ramón Ribeyro e Enrique Vila-Matas, autores que nem sempre achamos por aí - aliás, cansei de procurar o peruano Ribeyro na Biblioteca Pública do Paraná, que tem mais de 500 mil títulos, exceto este.

Perguntei à Daniele o que ela costuma indicar aos leitores que frequentam o espaço e ela disse que procura conversar com as pessoas para entender o que elas já leram e gostaram. Assim, é mais fácil se aproximar de seus interesses e contagiar mais um com o “mal de montano“. Mas a grande paixão de Daniele são os títulos infantojuvenis. Saga Animal, da Índigo e Coraline, do Neil Gaiman, são os mais indicados por ela para crianças entre 8 e 11 anos. Meninos do Mangue, do Roger Mello, e a obra do Arthur Nestrovski também costumam agradar a gurizada. 

Segundo ela, já são mais de 2 mil usuários cadastrados, quase a mesma quantidade de livros disponíveis. Entre 40 e 50 deles são emprestados todos os dias. Além de Daniele, que tem 23 anos e é formada em Artes Cênicas, outras três pessoas atendem no Bondinho de segunda a sexta das 8h30 às 19h30 e aos sábados das 8h30 às 14h30. É só chegar com a sua carteira de identidade + comprovante de residência e viajar. Ao menos pelo mundo dos livros, já que o famoso bonde da rua XV - comprado na cidade de Santos nos anos 1970 - nunca saiu do lugar.


Daniele Cristine da Rosa, que hoje pilota o vagão.


Antonio Tabucchi, Javier Marías e Hanif Kureishi convivendo com
clássicos de peso.


O uruguaio Horacio Quiroga e o peruano Julio Ramón Ribeyro
estão entre os latinos do acervo.


Na garupa do meu tio, a homenagem de David Merveille a Jacques Tati,
que já comentei antes aqui.


Encrenca, de Manoel Carlos Karam, um dos gênios
que já viveram e criaram por aqui.

01
jul

Outro dia eu li o comentário de alguém no Facebook reclamando que, com a chegada das férias escolares, não sabia o que fazer com os rebentos em casa. Não há cartoon network que dê conta do tempo livre da criançada, que logo se entedia e quer fazer coisas diferentes. Considerando que o clima em Curitiba não ajuda muito, e uma hora até a melhor das bibliotecas começa a se repetir, uma boa sugestão é a Colônia de Férias da Bisbilhoteca, uma simpática livraria especializa em títulos infantojuvenis, a meia quadra da praça Espanha.
Entre os dias 04 e 22 de julho, não vai faltar arte, literatura, criatividade e diversão para os pequenos. A coordenação é de Guga Cidral, que toda semana trará um convidado novo. A programação da colônia de férias é de segunda a sexta, mas no sábado a casa também está aberta, trazendo muita brincadeira e contação de histórias.

Informe-se e não deixe a meninada na frente da TV o dia inteiro:
Bisbilhoteca Cultura Infantojuvenil
Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1166 - Bigorrilho - Curitiba
(41) 3223-3038

26
jun

Sabe aquele livro que você adora mas que, justamente por indicar e emprestar para todo mundo, nunca está em sua biblioteca quando você mais precisa dele? Pois, para mim, este livro é O Bigode (La Moustache, 1986), do francês Emmanuel Carrère. Com a notícia da sua vinda ao Brasil para a Festa Literária de Paraty, a editora Objetiva aproveitou para relançar a obra em português, pelo selo Alfaguara. Com uma novidade: além de O Bigode, a edição traz na sequência outra novelinha aterrorizante de Carrère, A Colônia de Férias (La Classe de neige, 1995), que eu li anos atrás como Férias na Neve, numa edição antiga da editora Rocco. A tradução de ambas é assinada por André Telles. A capa? Bom, a capa da Rocco era bem mais instigante…

Sobre a primeira narrativa, que John Updike classificou como “requintada, implacável e surpreendente”, fiz alguns comentários em um dos primeiros programas do Orelha do Livro, veiculado na rádio Lumen FM em dezembro de 2008. (Ouça aqui.)

Além da competência admirável de Carrère quanto à forma do texto, o tema da identidade é explorado sob um ponto de vista muito interessante, dentro da esfera conjugal e familiar. Como é possível ser íntimo de alguém e, ao mesmo tempo, um completo estranho? Como a distância se instala entre aqueles que um dia já foram tão próximos? E por que a imagem que o outro tem de nós pode ser tão poderosa, capaz de desestabilizar até mesmo quem somos?

Sobre A Colônia de Férias, digo apenas que é uma novela para ler num tiro, numa tarde, sem respirar. Thrillers com crianças são duplamente assustadores (e interessantes!), talvez por isso eu goste tanto dos filmes da Lucrecia Martel. E por falar em filme, ambas novelas de Emmanuel Carrère foram adaptadas para o cinema (uma delas, roteirizada pelo próprio). Os filmes nunca foram lançados comercialmente no Brasil, mas só pelo trailer de La Moustache e La Classe de Neige você já pode entender do que eu estou falando.

Nessa entrevista à Folha Ilustrada, publicada em abril, o autor comenta seus trabalhos mais recentes e a ideia de “romances verídicos”, presente em alguns de seus livros.

25
jun

Que os eventos literários são hoje cada vez mais numerosos, isso todo mundo já percebeu. Mas chama atenção o número de encontros, bate-papos e oficinas em torno do fazer literário realizados em Curitiba cidade que, nos últimos dois anos, já recebeu duas Bienais do Livro diferentes.

Para refletir sobre o tema, a edição de hoje do jornal Gazeta do Povo trouxe uma matéria comentando os principais eventos da cidade, entre eles o Autores & Ideias, do SESC-PR, do qual sou curadora. O texto questiona a participação por vezes pequena do público  no evento do SESC, por exemplo, que percorre 10 cidades paranaenses, a plateia dos municípios do interior chegou a reunir 300 pessoas, enquanto na capital houve edições com menos de 15. Em todo caso, acho complicado esperar públicos muito numerosos para discutir uma arte que sempre interessou a poucos, especialmente aquela literatura que foge do mainstream, que encanta e faz refletir. Ao contrário do cinema, do teatro e da música, cuja fruição costuma ser mesmo coletiva, a literatura é quase sempre uma atividade individual, tanto para quem a produz quanto para os que estão do outro lado. É também uma atividade menos “passiva”, porque exige a interação do leitor para acontecer, para existir. Isso, é claro, assumindo que o público dos eventos literários realmente lê aquilo que discute. Mas aí já é outro papo.

Em tempo: daqui a duas semanas acontece a Flip, a grande festa brasileira de literatura, que este ano chega a sua 9a edição. Depois de três anos, estarei lá outra vez. A missão: descobrir se Péter Esterházy usa peruca e tentar convencer o Emmanuel Carrère de um terrível bigode cresce em estágio avançado sob o seu nariz.

Na foto de Shigueo Murakami (que, aliás, tem sobrenome de escritor), eu, Fabrício Carpinejar e Sérgio Rodrigues em bate-papo sobre literatura e internet na Feira de Livros do SESC, em 2009.

23
jun

Num tempo em que o “politicamente correto” parece dominar o discurso da sociedade, quando qualquer dedozinho em riste está prestes a detonar uma bomba, as pessoas andam tomando mais cuidado antes de tecer críticas e expressar seus pontos de vista. Ok, nem todos, como mostrou V.S. Naipaul, prêmio Nobel que declarou recentemente não existir nenhuma mulher na história da literatura capaz de rivalizar com ele, e que basta ler um ou dois parágrafos para saber se quem o escreveu era homem ou mulher. Nem é preciso dizer que o escritor foi acusado de machista, ególatra, misógino e outras coisas piores.

Pra piorar, Naipaul, que escreve em inglês, ainda criticou a grande dama da literatura inglesa, Jane Austen. Não faltou orgulho e preconceito na declaração do escritor, mas faltou, talvez, um pouquinho de humor. Pensei nisso agora, depois de ler a compilação de insultos e provocações entre escritores renomados, publicada essa semana pelo site Flavorwire (leia em português, pela revista Trip).

Nela, 30 autores consagrados, como Gustave Flaubert, Vladimir Nabokov (foto), Virginia Woolf e Truman Capote criticam duramente outros cânones, como James Joyce, Marcel Proust e a quase-unanimidade entre os literatos, Fiódor Dostoiévski. Nem o clássico de Cervantes escapou da língua afiada do Martin Amis.

Mas é do irreverente Mark Twain a frase mais engraçada: “Eu não tenho o direito de criticar nenhum livro e eu nunca faço isso, a não ser quando odeio um. Sempre quero criticar a Jane Austen, mas seus livros me deixam tão bravo que eu não consigo separar minha raiva do leitor, portanto eu tenho que parar a cada vez que começo. Cada vez tento ler Orgulho e Preconceito eu quero exumar seu cadáver e acertá-la na cabeça com o osso da sua canela.“ 

É a mesma Jane Austen criticada pelo Naipaul. Só que, neste caso, sem nenhum ranço sexista e com a boa e velha ironia, que corre o risco de morrer nestes tempos de “politicamente correto”.