jul
Ontem, enquanto dava um tempo entre o almoço e uma consulta médica no centro da cidade, lembrei que ainda não tinha entrado no Bondinho da Leitura, a mais nova - e simpática - biblioteca de Curitiba. Quando o espaço inaugurou, no fim do ano passado, cheguei a anunciar aqui no blog, mas só ontem tive a chance de conhecer o vagão literário in loco.
Sempre fui fã de bibliotecas e livrarias pequeninhas, com poucos mas ótimos livros, selecionados com cuidado por alguém que realmente lê - e não por um engravatado supervisor do departamento de compras que nunca passou da página dez. Daniele Cristine da Rosa, a moça que trabalha no Bondinho desde sua abertura e quem me atendeu, explicou que a curadoria do acervo contou com os palpites certeiros de José Castello e Affonso Romano de Sant’Anna, além do time da própria Secretaria de Estado da Cultura. Enquanto ela fazia o meu cadastro, passeei os olhos pelas prateleiras e, já na primeira espiada, encontrei Manoel Carlos Karam, Julio Ramón Ribeyro e Enrique Vila-Matas, autores que nem sempre achamos por aí - aliás, cansei de procurar o peruano Ribeyro na Biblioteca Pública do Paraná, que tem mais de 500 mil títulos, exceto este.
Perguntei à Daniele o que ela costuma indicar aos leitores que frequentam o espaço e ela disse que procura conversar com as pessoas para entender o que elas já leram e gostaram. Assim, é mais fácil se aproximar de seus interesses e contagiar mais um com o “mal de montano“. Mas a grande paixão de Daniele são os títulos infantojuvenis. Saga Animal, da Índigo e Coraline, do Neil Gaiman, são os mais indicados por ela para crianças entre 8 e 11 anos. Meninos do Mangue, do Roger Mello, e a obra do Arthur Nestrovski também costumam agradar a gurizada.
Segundo ela, já são mais de 2 mil usuários cadastrados, quase a mesma quantidade de livros disponíveis. Entre 40 e 50 deles são emprestados todos os dias. Além de Daniele, que tem 23 anos e é formada em Artes Cênicas, outras três pessoas atendem no Bondinho de segunda a sexta das 8h30 às 19h30 e aos sábados das 8h30 às 14h30. É só chegar com a sua carteira de identidade + comprovante de residência e viajar. Ao menos pelo mundo dos livros, já que o famoso bonde da rua XV - comprado na cidade de Santos nos anos 1970 - nunca saiu do lugar.

Daniele Cristine da Rosa, que hoje pilota o vagão.

Antonio Tabucchi, Javier Marías e Hanif Kureishi convivendo com
clássicos de peso.

O uruguaio Horacio Quiroga e o peruano Julio Ramón Ribeyro
estão entre os latinos do acervo.

Na garupa do meu tio, a homenagem de David Merveille a Jacques Tati,
que já comentei antes aqui.

Encrenca, de Manoel Carlos Karam, um dos gênios
que já viveram e criaram por aqui.











