
A Copa do Mundo começou há apenas três dias e ninguém mais aguenta as vuvuzelas e os comentários do Galvão Bueno sobre o novo charme grisalho do Maradona. Como não há outro assunto possível – a essa altura do campeonato, literatura nem pensar –, deixo aqui uma sugestão de leitura muito apropriada, que foge das informações sempre redundantes sobre o mundial de futebol.
Há alguns dias recebi da ótima editora gaúcha Dublinense o livro A Copa que Interessa, do publicitário Eduardo Menezes, e estou me deliciando com ele. Curtinho, divertido e provocador, trata-se de um guia com curiosidades históricas, geográficas e culturais sobre os países que disputam o caneco em 2010. Futebol, ali, é o menos importante. Os textos seguem a ordem dos jogos dos oito grupos e trazem seções bastante didáticas, como “Por que torcer”, “Por que secar” e “Finja que entende” – na qual o autor dá subsídios aos leitores que querem parecer informados sobre o assunto do momento em uma mesa de boteco.
Os argumentos são quase sempre cretinos e politicamente incorretos: “Por que secar a seleção australiana? Eles jogam de camisas amarelas e calções verdes, e no mundo do futebol só há espaço para uma seleção canarinho”; “Por que torcer pela Sérvia? É que, em 2040, o país que já foi Iugoslávia e Sérvia e Montenegro terá se dividido tanto que não haverá 11 homens para formar uma seleção, portanto, aproveite antes que seja tarde”. Sobre o time da Nova Zelândia – o tipo de “porcaria que nos faz querer ir até a Suíça e apedrejar a sede da FIFA” –, o autor compara sua contribuição desastrosa ao futebol à contribuição dos Engenheiros do Hawaii para a formação intelectual de um adolescente. Já nas páginas sobre o Brasil, são enumeradas todas as desculpas esfarrapadas de nossas derrotas em 13 competições, de 1930 a 2006 – um cafezinho demasiado estimulante em 66, acontecimentos sobrenaturais na Copa de 82 e uns argentinos que botaram laxante nas garrafas d’água dos brasileiros, em 90.
Eu, que estava lendo Coetzee, tive que fazer uma pausa e entrar de vez no clima da Copa. Inevitável, como as vuvuzelas e os comentários do Galvão.