
Nestas férias, pude comprovar que Buenos Aires continua sendo uma das cidades mais espetaculares do mundo quando o assunto é visitar livrarias - e, naturalmente, comprar livros. Como o templo El Ateneo Gran Splendid (Av. Santa Fe, 1860) já esteve no meu roteiro em visitas anteriores à capital, dessa vez me dediquei a descobrir novos endereços. Começando por Gambito de Alfil, no bairro de Caballito, a poucos passos da Faculdade de Artes e Filosofia da Universidade de Buenos Aires. Batizada com o nome de uma jogada de Xadrez, a Gambito foi fundada em 1989, e desde então é muito frequentada pelo pessoal da área de Humanas, entre alunos e professores da Faculdade. Um deles é Martín Kohan, que além de fazer compras por lá também tem títulos seus à venda - como o romance Ciencias Morales, vencedor do prêmio Herralde 2007, que comprei na Gambito de Alfil.
Continuando o recorrido livreiro, outro endereço imperdível para todo leitor que se preze é a livraria e editora Eterna Cadencia, no coração do Palermo. Há tempos conheço os títulos editados pelo selo, só faltava mesmo conferir seu espaço físico. E não me decepcionei: a livraria fica num casarão antigo, dividido em ambientes diferentes, onde não faltam prateleiras abarrotadas de livros (do chão ao teto) e imensos lustres clássicos, que dão um charme especial ao lugar. Uma “casa tomada por escritores”, como diz seu slogan - de fato, parece que o Pedro Mairal não sai de lá. Enquanto conversava com o livreiro - que me mostrava orgulhoso a edição recém saída do prelo de Ellos eran muchos caballos, do brasileiro Luiz Ruffato -, a campainha não parava de tocar. É que toda terça-feira às 19h acontecem leituras, saraus e oficinas ali mesmo, no café da Eterna Cadencia. Escritores e aspirantes são o público cativo do lugar, especialmente neste mês, em que a livraria é uma das sedes do Filba (Festival Internacional de Literatura de Buenos Aires, que começou nessa sexta-feira). Para quem se interessa pela nova ficção argentina e por encontros literários em que se fala sobre tudo e sobre nada, este é o lugar.
Além de livrarias lindíssimas, Buenos Aires também oferece centenas de sebos (muitos deles ao longo da Av. Corrientes, mas também na galeria Las Victorias, em frente à plaza Libertad, e na Galería Buenos Aires, calle Florida, 835) e banquinhas instaladas em praças ou parques, onde se pode comprar raridades por poucos pesos argentinos. Um destes lugares é a feira permanente de livros do parque Rivadavia, em frente à estação de metrô Acoyte - reduto de felinos preguiçosos banhando-se ao sol e senhores de cabelos de algodão disputando acirradas partidas de xadrez. Lá, os preços são especialmente convidativos, e não é incomum barganhar. Se bem que, quando você se depara com um Juan Gelman por 15 pesos (7 reais!), pega até mal pedir desconto.
Se você é realmente obcecado pelo assunto e pretende empreender uma viagem mais séria e aprofundada pelas livrarias portenhas, sugiro consultar o guia El libro de los libros, que traz endereços atualizados e listados por ordem alfabética. A seguir, alguns cliques de Elisandro Dalcin, que eu conheci há quase 10 anos. Numa livraria, é claro.

Gambito de Alfil: esquina das ruas Puan e José Bonifacio, em Caballito.

Eterna Cadencia: calle Honduras, 5574, Palermo.

Feira de livros, revistas, cds e dvds do parque Rivadavia: estação Acoyte, Caballito.

Sebo da galeria Las Victorias, esquina das ruas Marcelo Alvear e Libertad.