23
jul

Leitores estão sempre arrumando desculpas para se sentir mais conectados com os livros e seus autores. Criar listas top 10, reler aqueles títulos do coração ou dar dicas de leitura são formas de avaliar como nos identificamos com determinadas obras. No site Educar para Crescer, encontrei um teste (Nanda, obrigada pela dica!) que leva essa ideia de identificação ao extremo. Seu objetivo é responder à pergunta: “que livro é você?“. Naturalmente o resultado não quer dizer muita coisa, mas como quase todo leitor é um ser curioso por natureza, fica difícil não fazer o teste. Eu fiz e tive como resposta o romance da Clarice Lispector, A Paixão Segundo G. H. E aí está a relevância da coisa: eu, que nunca tinha lido o dito, agora o farei. Aproveite para descobrir também “qual gênero literário é a sua cara?” no blog da Estante Virtual, em outro teste que não serve pra absolutamente nada, mas é pura diversão. Só então, quando sentir que perdeu tempo demais em bobagem, desligue o computador e vá ler um livro.

14
jul

Cachalote, a ambiciosa “joint-venture” literária entre o escritor Daniel Galera e o quadrinista Rafael Coutinho, já pode ser encontrada nas livrarias há algumas semanas. O lançamento em Curitiba aconteceu hoje na Itiban (sim, estou postando atrasada, fazer o quê). Leia a matéria do Cristiano Castilho sobre a obra e não deixe de ler essa preciosidade!

14
jul

Desde que comecei a ler os romances do inglês Ian McEwan, tive a sensação de ter encontrado “o meu” escritor. É assombrosa a profundidade psicológica de seus personagens, a tensão das situações, a fluidez do texto, enfim, tudo o que eu prezo na literatura. No podcast a seguir você ouve meus comentários sobre o romance Na Praia - uma pequena jóia, junto de O Jardim de Cimento, também do mestre. Boa leitura!

 
icon for podpress  Na praia [1:54m]: Play Now | Play in Popup | Download
06
jul

Ouça a seguir o podcast do programa veiculado há alguns meses no Orelha do Livro, sobre a poesia do piauiense Mário Faustino, que viveu apenas 32 anos.

 
icon for podpress  Mario Faustino [1:32m]: Play Now | Play in Popup | Download

04
jul

Papéis Inesperados, reunião de textos inéditos de Julio Cortázar encontrados em uma cômoda do apartamento onde viveu em Paris, chega às livrarias brasileiras

Mariana Sanchez, especial para a Gazeta do Povo*

O Natal de 2006 reservara um presente extraordinário ao editor catalão Carles Álvarez Garriga. Obcecado pela obra do argentino Julio Cortázar desde a adolescência, a quem dedicou sua tese de doutorado em filologia hispânica, Garriga fora convidado pela amiga e tradutora Aurora Bernárdez naqueles últimos dias de dezembro para dar uma espiada em um punhado de “papeizinhos” que encontrara em seu apartamento parisiense. Para seu assombro, o que aquela senhora de 90 anos – que havia sido a primeira esposa do autor de O Jogo da Amarelinha – retirava das gavetas de uma velha cômoda eram textos nunca antes publicados em livro, alguns guardados há mais de seis décadas.
O resultado desta descoberta deu origem a Papéis Inesperados, volume com quase 500 páginas e mais de cem escritos inéditos do autor argentino, selecionados pela dupla e publicados pela primeira vez em 2009, aos 25 anos da morte de Cortázar.

*Texto publicado no Caderno G de sábado, 03 de julho. Leia na íntegra.

20
jun

Acontece a partir desta terça-feira (22) a segunda fase do Autores & Ideias, evento do Sesc-PR que discute as relações entre literatura e ciberespaço. O debate da edição de junho será em torno da circulação da arte e informação na rede, com o escritor e jornalista André ‘Cardoso’ Czarnobai, do lendário zine digital Cardoso Online, e Julio Daio Borges, da revista eletrônica Digestivo Cultural. O evento irá percorrer cinco cidades paranaenses, confira a programação. A entrada é franca.

19
jun

A manhã dessa sexta-feira, 18 de junho, foi das mais tristes. Ao menos para os leitores e admiradores do primeiro escritor em língua portuguesa a vencer o Nobel de Literatura (até o António Lobo Antunes deve ter sentido a perda). No Twitter, que já foi criticado pelo autor de As intermitências da Morte por sua “tendência para o grunhido”, a hashtag #Saramago liderou o ranking mundial. Hoje, o caderno G Ideias publicou um especial sobre o mestre, que pode ser lido aqui.

Se conheço pouco a obra de Saramago, talvez seja porque o mergulho em suas alegorias profundamente crueis e humanas nos exija demais - e quase nunca queremos sangrar ao ler um livro, embora às vezes não haja outro jeito.

Na foto acima, clicada por Sebastião Salgado, um belo retrato do escritor português na terra em que vivia, Lanzarote, nas Ilhas Canárias.

17
jun

primeiro frio do ano
fui feliz
se não me engano

Sempre que um novo inverno curitibano se inicia eu preciso recitar este haicai do Paulo Leminski. Os melhores versos orientais do polaco do pilarzinho sem dúvida estão em La vie en close, mas este, incluído no livro Distraídos Venceremos, tem lá o seu charme.

No Japão, originalmente os haicais eram poesias com 17 sons, divididos em três versos: cinco sílabas no primeiro, sete no segundo e outras cinco no terceiro. Mas muitos autores brasileiros subverteram o formato, trazendo mais liberdade de forma e de temas ao gênero. Além de Leminski, Millôr Fernandes e Mário Quintana, para citar alguns haicaistas dos trópicos, um nome interessante é Massau Simizo, pouquíssimo conhecido por um motivo no mínimo poético: de tão tímido, ele se inscrevia em concursos literários com o nome da esposa, Lituka Simizo, quem recebia os prêmios enquanto o marido aguardava oculto na plateia. Falecido em 2005, Massau era paulista e médico de formação. Mas, em seu tempo livre, criou versos inspirados como este:

Ipê florido,
Anualmente se renova.
E nós?

Uma amostra do trabalho de Massau Simizo pode ser conferida no livro As quatro estações e outros haicais, lançado pela editora curitibana Aymará. A obra foi uma das finalistas do prêmio “O melhor para a criança”, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, considerada “altamente recomendável” pela instituição. Saiba mais sobre o volume no site da Aymará.

16
jun

Nessa quinta-feira (17), o projeto Paiol Literário traz à Curitiba o escritor carioca Alberto Mussa. Autor de Elegbara, O enigma de Qaf, O movimento pendular e Meu destino é ser onça, entre outros livros, Mussa já recebeu prêmios consagrados de literatura, como o Casa das Américas, APCA e Machado de Assis. O bate-papo, mediado pelo escritor e jornalista Luís Henrique Pellanda, começa com as perguntas “Qual a importância da literatura na vida cotidiana das pessoas? E por que ler?”. O evento é uma iniciativa do jornal Rascunho, e acontece às 20h no Teatro Paiol, com entrada franca. Quem estiver fora de Curitiba pode conferir a reprodução da conversa na edição seguinte do Rascunho ou no site do jornal.

Foto: Leonardo Aversa

13
jun

A Copa do Mundo começou há apenas três dias e ninguém mais aguenta as vuvuzelas e os comentários do Galvão Bueno sobre o novo charme grisalho do Maradona. Como não há outro assunto possível – a essa altura do campeonato, literatura nem pensar –, deixo aqui uma sugestão de leitura muito apropriada, que foge das informações sempre redundantes sobre o mundial de futebol.

Há alguns dias recebi da ótima editora gaúcha Dublinense o livro A Copa que Interessa, do publicitário Eduardo Menezes, e estou me deliciando com ele. Curtinho, divertido e provocador, trata-se de um guia com curiosidades históricas, geográficas e culturais sobre os países que disputam o caneco em 2010. Futebol, ali, é o menos importante. Os textos seguem a ordem dos jogos dos oito grupos e trazem seções bastante didáticas, como “Por que torcer”, “Por que secar” e “Finja que entende” – na qual o autor dá subsídios aos leitores que querem parecer informados sobre o assunto do momento em uma mesa de boteco.

Os argumentos são quase sempre cretinos e politicamente incorretos: “Por que secar a seleção australiana? Eles jogam de camisas amarelas e calções verdes, e no mundo do futebol só há espaço para uma seleção canarinho”; “Por que torcer pela Sérvia? É que, em 2040, o país que já foi Iugoslávia e Sérvia e Montenegro terá se dividido tanto que não haverá 11 homens para formar uma seleção, portanto, aproveite antes que seja tarde”. Sobre o time da Nova Zelândia – o tipo de “porcaria que nos faz querer ir até a Suíça e apedrejar a sede da FIFA” –, o autor compara sua contribuição desastrosa ao futebol à contribuição dos Engenheiros do Hawaii para a formação intelectual de um adolescente. Já nas páginas sobre o Brasil, são enumeradas todas as desculpas esfarrapadas de nossas derrotas em 13 competições, de 1930 a 2006 – um cafezinho demasiado estimulante em 66, acontecimentos sobrenaturais na Copa de 82 e uns argentinos que botaram laxante nas garrafas d’água dos brasileiros, em 90.

Eu, que estava lendo Coetzee, tive que fazer uma pausa e entrar de vez no clima da Copa. Inevitável, como as vuvuzelas e os comentários do Galvão.