30
out

Se em 16 de junho o mundo relembra a obra mais famosa de James Joyce, no chamado Bloomsday, por que o Brasil não pode ter uma data inteiramente dedicada a um de seus maiores poetas, Carlos Drummond de Andrade? Nascido em 31 de outubro de 1902, o autor de “No meio do Caminho” comemoraria amanhã 109 anos. E um de seus maiores admiradores, o também poeta Eucanaã Ferraz, propõe que a data, batizada de Dia D, seja transformada num dia de grande comemoração nas escolas, bares, livrarias e universidades, com debates, leituras, oficinas e projeções de filmes. A ideia, apadrinhada pelo Instituto Moreira Salles, vem ganhando novos entusiastas a cada dia. Conheça o projeto neste site, onde dá para assistir a alguns videos de fãs do Drummond lendo seus poemas preferidos. Eu já deixei a minha homenagem aqui.

15
out

De 24 a 28 de outubro, acontece em Curitiba a Festa Literária do Medianeira, FLIM. (O nome inspirado na FLIP é até mais sonoro e simpático, ao meu gosto.) O colégio já realizava regularmente sua Feira de Livros, mas este ano a iniciativa ganhou força depois da campanha Sujeitos Leitores, série de video-depoimentos de jornalistas, escritores e educadores sobre seus hábitos de leitura.

Meses atrás, a equipe do setor de Midiaeducação do Colégio gravou minha história de amor com os livros, resultando no vídeo abaixo. Quanto à FLIM, a programação traz palestras e bate-papos bem interessantes com autores da literatura brasileira, além de oficinas de criação literária e contação de histórias, entre outros. Veja aqui todas as atrações da FLIM e participe.

15
out

Nos próximos dias, não faltarão oportunidades para discutir, ler e ouvir literatura em Curitiba:


(Foto: Eduardo Ortega)

Na segunda-feira, dia 17/10, o Paiol Literário recebe o paulista Nuno Ramos para falar sobre suas experiências nas letras e nas artes plásticas. Autor de “O Pão do Corvo” e “Ó”, entre outros livros, Nuno foi vencedor em 2009 do Prêmio Portugal Telecom. O encontro acontece às 20h no Teatro Paiol. Quem perder o papo mediado pelo jornalista Rogério Pereira poderá ler a entrevista com Ramos na edição posterior do Jornal Rascunho (ou no site), e em breve os encontros no Paiol também serão disponibilizados em vídeo, numa parceria com a emissora curitiba ÓTV.


(Foto: Bel Pedrosa)

No dia seguinte, é a vez do carioca Sérgio Sant’Anna participar da oitava edição do projeto “Um Escritor na Biblioteca”, da Biblioteca Pública do Paraná. O bate-papo com o autor de “Um Crime Delicado” e “O Vôo da Madrugada” será às 19h no Auditório Paulo Garfunkel da BPP, com mediação do jornalista e escritor Luís Henrique Pellanda.

Para esticar o programa literário, uma boa pedida na mesma noite é a apresentação dos Dublês de Dublin, no Wonka Bar. O projeto poético-musical foi criado há 4 anos por Ivan Justen Santana, e trará poemas, versões de canções (segundo o email que recebi, espécie de “folk punk universitário“) e trabalhos autorais, incluindo o do músico e compositor Adriano Sátiro, convidado especial da noite.

Na quarta-feira, as já tradicionais leituras no Teatro da Caixa, pelo projeto EntreMundos trazem para o palco textos do austríaco Arthur Schnitzler e o tcheco Milan Kundera. Os livros escolhidos foram respectivamente “Crônica de uma vida de mulher” e “Risíveis amores”. A direção fica por conta de Luciana Barone, com execução musical de Felipe Ayres e mediação minha.

Entre os dias 18 e 27 de outubro, o ciclo do SESCPR Autores & Ideias, sob curadoria minha, recebe Vitor Ramil e Ronaldo Bressane para falar sobre as relações entre a literatura e outras vertentes artísticas na mesa “Conexões Literárias”. O bate-papo começa em Londrina e passa pelas sedes do SESC em Paranavaí, Umuarama, Ponta Grossa, Paranaguá e Curitiba (Paço da Liberdade, dia 25/10). Confira a programação aqui (inicialmente, um dos convidados seria Marçal Aquino, mas ele precisou cancelar a participação.)

Todas as atrações têm entrada gratuita, e não seria mal que estivessem todas lotadas :)

04
out

O jornal trimestral de cultura japonesa Memai (”vertigem“, no original nipônico) lançou recentemente sua sétima edição. A capa ilustra um dos temas mais recorrentes da ficção naquele país desde a Segunda Guerra, o pesadelo nuclear. O número 07 do jornal traz uma entrevista com o escritor Oscar Nakasato, vencedor do prêmio Benvirá de Literatura pelo romance Nihonjin, além de uma matéria ilustrada sobre a arte do haicai.

Em Curitiba, você encontra o jornal Memai no Centro Cultural Tomodachi, na Biblioteca da Praça do Japão, no Mercado Municipal, na livraria Joaquim e no Paço da Liberdade. Memai também circula gratuitamente em Londrina, Maringá, São Paulo e Porto Alegre. Quem tiver interesse em conhecer a publicação basta enviar um email para contato@jornalmemai.com.br. Mais informações aqui neste site.

02
out

Esta semana eu terei a honra de conversar com Reinaldo Moraes durante o encontro Um Escritor na Biblioteca, releitura do projeto homônimo da Biblioteca Pública do Paraná. Moraes é o sétimo convidado do evento, que já recebeu Marçal Aquino, Cristovão Tezza, Elvira Vigna, Luiz Ruffato, entre outros. A ideia é aproveitar a presença do autor para descobrir como foi sua trajetória na literatura, primeiramente como leitor, e se as bibliotecas tiveram uma importância decisiva nesta caminhada.


(Foto: Bel Pedrosa)

Paulistano nascido em 1950, Reinaldo Moraes é um dos escritores mais importantes e inventivos da literatura brasileira. Nos anos 1980, ficou conhecido pelos romances “malditos” Tanto Faz e Abacaxi (agora relançados pelo selo Má Companhia), que narravam em primeira pessoa as desventuras picarescas de seus personagens (na verdade, o mesmo, não fosse o nome diferente) em cidades como Paris, Nova York e e Rio de Janeiro. Depois de uma lacuna de quase 20 anos sem publicar, Reinaldo volta à ficção com o juvenil A órbita dos caracóis, seguido da coletânea de contos Umidade e, mais recentemente, do catatau (não o leminskiano) Pornopopéia, que desde 2009 vem colecionando elogios entusiasmados dos leitores e da crítica especializada - o livro já teve 3 reimpressões e agora sai também em versão de bolso pelo selo Ponto de Leitura, da Objetiva.

O bate-papo com Reinaldo Moraes tem entrada gratuita e acontece na próxima terça-feira, dia 04, às 19 horas, no auditório Paul Garfunkel (2º andar da Biblioteca Pública do Paraná). Mais informações: (41) 3221 4900.

Ainda em outubro, no dia 18, o escritor Sérgio Sant’Anna também participa do projeto, com a mediação de Luís Henrique Pellanda. Quem vier, verá.

11
set

A XV Bienal do Livro terminou este domingo no Rio de Janeiro, mas a Semana Literária do SESC-PR está só começando. De 12 a 17 de setembro, várias cidades paranaenses recerberão o evento, que tem curadoria do jornalista e escritor José Castello, e pretende discutir o papel que a literatura ocupa no mundo, no século 21, sob o tema “Literatura e Sociedade“.

Na programação, autores como Milton Hatoum (foto), Ana Maria Machado, Beatriz Bracher, Michel Laub e Eliane Brum, entre outros, participam de mesas, bate-papos e sessões de autógrafos. Na sexta-feira, a conferência de Walnice Galvão homenageia Antonio Cândido, um dos críticos literários mais importantes do país, que este ano abriu a Flip com uma verdadeira aula sobre Oswald de Andrade. Todas as atividades têm entrada gratuita, confira aqui a programação completa.

09
set

Nestas férias, pude comprovar que Buenos Aires continua sendo uma das cidades mais espetaculares do mundo quando o assunto é visitar livrarias - e, naturalmente, comprar livros. Como o templo El Ateneo Gran Splendid (Av. Santa Fe, 1860) já esteve no meu roteiro em visitas anteriores à capital, dessa vez me dediquei a descobrir novos endereços. Começando por Gambito de Alfil, no bairro de Caballito, a poucos passos da Faculdade de Artes e Filosofia da Universidade de Buenos Aires. Batizada com o nome de uma jogada de Xadrez, a Gambito foi fundada em 1989, e desde então é muito frequentada pelo pessoal da área de Humanas, entre alunos e professores da Faculdade. Um deles é Martín Kohan, que além de fazer compras por lá também tem títulos seus à venda - como o romance Ciencias Morales, vencedor do prêmio Herralde 2007, que comprei na Gambito de Alfil.

Continuando o recorrido livreiro, outro endereço imperdível para todo leitor que se preze é a livraria e editora Eterna Cadencia, no coração do Palermo. Há tempos conheço os títulos editados pelo selo, só faltava mesmo conferir seu espaço físico. E não me decepcionei: a livraria fica num casarão antigo, dividido em ambientes diferentes, onde não faltam prateleiras abarrotadas de livros (do chão ao teto) e imensos lustres clássicos, que dão um charme especial ao lugar. Uma “casa tomada por escritores”, como diz seu slogan - de fato, parece que o Pedro Mairal não sai de lá. Enquanto conversava com o livreiro - que me mostrava orgulhoso a edição recém saída do prelo de Ellos eran muchos caballos, do brasileiro Luiz Ruffato -, a campainha não parava de tocar. É que toda terça-feira às 19h acontecem leituras, saraus e oficinas ali mesmo, no café da Eterna Cadencia. Escritores e aspirantes são o público cativo do lugar, especialmente neste mês, em que a livraria é uma das sedes do Filba (Festival Internacional de Literatura de Buenos Aires, que começou nessa sexta-feira). Para quem se interessa pela nova ficção argentina e por encontros literários em que se fala sobre tudo e sobre nada, este é o lugar.

Além de livrarias lindíssimas, Buenos Aires também oferece centenas de sebos (muitos deles ao longo da Av. Corrientes, mas também na galeria Las Victorias, em frente à plaza Libertad, e na Galería Buenos Aires, calle Florida, 835) e banquinhas instaladas em praças ou parques, onde se pode comprar raridades por poucos pesos argentinos. Um destes lugares é a feira permanente de livros do parque Rivadavia, em frente à estação de metrô Acoyte - reduto de felinos preguiçosos banhando-se ao sol e senhores de cabelos de algodão disputando acirradas partidas de xadrez. Lá, os preços são especialmente convidativos, e não é incomum barganhar. Se bem que, quando você se depara com um Juan Gelman por 15 pesos (7 reais!), pega até mal pedir desconto.

Se você é realmente obcecado pelo assunto e pretende empreender uma viagem mais séria e aprofundada pelas livrarias portenhas, sugiro consultar o guia El libro de los libros, que traz endereços atualizados e listados por ordem alfabética. A seguir, alguns cliques de Elisandro Dalcin, que eu conheci há quase 10 anos. Numa livraria, é claro.


Gambito de Alfil: esquina das ruas Puan e José Bonifacio, em Caballito.


Eterna Cadencia: calle Honduras, 5574, Palermo.


Feira de livros, revistas, cds e dvds do parque Rivadavia: estação Acoyte, Caballito.


Sebo da galeria Las Victorias, esquina das ruas Marcelo Alvear e Libertad.

24
ago

Eu, hoje, acordei mais cedo
e, azul, tive uma idéia clara.
Só existe um segredo.
Tudo está na cara.

(p.l. em Distraídos Venceremos)


(Caricatura de Marcos Guilherme)

No dia em que o poeta do Pilarzinho completaria 67 anos, a Biblioteca Pública do Paraná e o Museu da Imagem e do Som abrem a exposição “Clics em Curitiba“, com 24 painéis de fotos de Jack Pires e poemas de Paulo Leminski, publicados originalmente no livro “40 clics em Curitiba”, de 1976. As obras ficam expostas no hall de entrada da BPP a partir das 19h.

Ainda hoje, o documentário “Ervilha da fantasia - uma ópera Paulo Leminskiana“, de Werner Schumann, será exibido às 19h30 no Auditório Paulo Garfunkel, também na BPP. Um pouco antes, às 17h30, haverá a leitura dramática do texto “O dia em que morreu Leminski”, do jornalista e dramaturgo Rogério Viana, com direção de Léo Moita e participação dos atores Felipe Custódio, Val Salles e Naiara Bastos. Todas as atividades têm entrada franca. Mais informações: (41) 3221-4917

O homenageado do dia pelo Google (acima) é o argentino Jorge Luis Borges, que completaria 112 anos se estivesse vivo. Quem sabe um dia veremos o bigodudo que falava latim na home do buscador. Daria uma caricatura e tanto.

08
ago

O ciclo Autores & Ideias recebe este mês duas escritoras brasileiras das mais interessantes: a gaúcha CÍntia Moscovich e a catarinense Adriana Lunardi. No bate-papo, que acontece amanhã em Londrina e depois percorre outras cidades paranaenses, elas discutem o papel da mulher na literatura contemporânea e o sentido de se buscar ou não uma voz e um olhar essencialmente femininos em sua arte.

CÍntia Moscovich, além de escritora, é jornalista e mestre em Teoria Literária. Estreou na literatura em 1996 com o volume de contos “O Reino das Cebolas”. Depois, publicou “Duas iguais”, “Anotações durante o incêndio”, “Arquitetura do arco-íris” (vencedor dos prêmios Portugal Telecom e Jabuti de 2005) e “Por que sou gorda, mamãe”. A antologia “25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira”, organizada por Luiz Rufatto, traz um conto seu.

Adriana Lunardi é roteirista de TV e escritora. Assim como Moscovich, seu livro de estreia também foi lançado em 1996. “As meninas da Torre Helsinque” recebeu os prêmios Fumproarte e o troféu Açorianos nas categorias Melhor livro de contos e Autor Estreante. Sua obra “Vésperas” remonta o momento anterior à morte de nove mulheres fundamentais da literatura mundial, como Virgínia Woolf, Clarice Lispector e Ana Cristina César. A obra, também editada na França, Argentina, Portugal e Croácia, recebeu a bolsa para escritores da Fundação Biblioteca Nacional e foi indicada ao prêmio Jabuti. Seu primeiro romance, “Corpo estranho” foi finalista do prêmio Zaffari/Bourbon e está sendo traduzido para o francês.

A mesa Vozes Femininas e todas as atividades do Autores & Ideias têm entrada gratuita e acontecem nas unidades do SESC em Curitiba (Paço da Liberdade), Londrina, Maringá, Pato Branco, Cascavel, Paranaguá, Francisco Beltrão, Ponta Grossa, Paranavaí e Umuarama.

06
ago


Leminski retratado pelo cartunista Rafael Sica, na capa da edição de estreia.

No mês em que Paulo Leminski completaria 67 anos, sua cidade-natal ganha mais uma interesante publicação literária, com o primeiro número homenageando o bigodudo que sabia Latim. Nos primeiros dias de agosto de 2011, nasceu Cândido, o jornal mensal da Biblioteca Pública do Paraná. O nome é uma homenagem a Cândido Lopes, fundador do mítico Dezenove de Dezembro, o primeiro periódico a circular no Estado, em 1854 - exatamente 100 anos antes da construção do prédio da Biblioteca, na rua que também foi batizada com seu nome. A simpática alcunha ainda combina com a tradição local de publicações literárias com nomes próprios (e sempre masculinos), como Joaquim (revista editada por Dalton Trevisan nos anos 1940) e Nicolau (lançada na década de 1990 por Wilson Bueno).

Com a chegada de Cândido, a Biblioteca passa a abranger todo o ciclo de formação de leitores e escritores: além de oferecer quase meio milhão de livros para empréstimo, a instituição tem realizado desde o início do ano oficinas de formação de escritores e leitores, promovido bate-papos com autores e, agora, ampliado o debate em torno dos livros com o novo jornal, onde parte desta produção será escoada. Isso porque, todo mês, Cândido publicará o resultado de uma das oficinas literárias da BPP. O texto escolhido para a primeira edição é fruto das aulas de crônicas ministradas por Humberto Werneck, e leva a assinatura da publicitária Alessandra Moretti. Cândido traz notícias curtas, um ensaio de maior fôlego, matérias, entrevistas e uma coluna de inéditos, além da seção Um Escritor na Biblioteca, que compila os melhores momentos do projeto homônimo - todo segundo domingo do mês, o bate-papo é exibido na TV Educativa do Paraná às 11h15 e, ao final do ano, ganhará edição em livro. Na Cândido # 01, você pode ler trechos da minha conversa com a escritora Elvira Vigna, onde ela fala sobre sua formação como leitora, a importância da biblioteca da Aliança Francesa em sua vida, entre vários outros assuntos.

Com um projeto gráfico simples e despojado, Cândido privilegia também os artistas visuais e humoristas da cidade, trazendo cartuns, tiras, poemas ilustrados e a seção “Retrato de um Artista“, que neste número ilustra o escritor norte-americano Ernest Hemingway no traço de Pedro Franz. O jornal tem coordenação editorial de Rogério Pereira e Luiz Rebinski Júnior, e tiragem de 5 mil exemplares, distribuídos gratuitamente nos espaços da Fundação Cultural de Curitiba. Pegue o seu e boa leitura.

Hemingway em desenho de Pedro Franz.