14
jul

Cachalote, a ambiciosa “joint-venture” literária entre o escritor Daniel Galera e o quadrinista Rafael Coutinho, já pode ser encontrada nas livrarias há algumas semanas. O lançamento em Curitiba aconteceu hoje na Itiban (sim, estou postando atrasada, fazer o quê). Leia a matéria do Cristiano Castilho sobre a obra e não deixe de ler essa preciosidade!

04
jul

Papéis Inesperados, reunião de textos inéditos de Julio Cortázar encontrados em uma cômoda do apartamento onde viveu em Paris, chega às livrarias brasileiras

Mariana Sanchez, especial para a Gazeta do Povo*

O Natal de 2006 reservara um presente extraordinário ao editor catalão Carles Álvarez Garriga. Obcecado pela obra do argentino Julio Cortázar desde a adolescência, a quem dedicou sua tese de doutorado em filologia hispânica, Garriga fora convidado pela amiga e tradutora Aurora Bernárdez naqueles últimos dias de dezembro para dar uma espiada em um punhado de “papeizinhos” que encontrara em seu apartamento parisiense. Para seu assombro, o que aquela senhora de 90 anos – que havia sido a primeira esposa do autor de O Jogo da Amarelinha – retirava das gavetas de uma velha cômoda eram textos nunca antes publicados em livro, alguns guardados há mais de seis décadas.
O resultado desta descoberta deu origem a Papéis Inesperados, volume com quase 500 páginas e mais de cem escritos inéditos do autor argentino, selecionados pela dupla e publicados pela primeira vez em 2009, aos 25 anos da morte de Cortázar.

*Texto publicado no Caderno G de sábado, 03 de julho. Leia na íntegra.

17
jun

primeiro frio do ano
fui feliz
se não me engano

Sempre que um novo inverno curitibano se inicia eu preciso recitar este haicai do Paulo Leminski. Os melhores versos orientais do polaco do pilarzinho sem dúvida estão em La vie en close, mas este, incluído no livro Distraídos Venceremos, tem lá o seu charme.

No Japão, originalmente os haicais eram poesias com 17 sons, divididos em três versos: cinco sílabas no primeiro, sete no segundo e outras cinco no terceiro. Mas muitos autores brasileiros subverteram o formato, trazendo mais liberdade de forma e de temas ao gênero. Além de Leminski, Millôr Fernandes e Mário Quintana, para citar alguns haicaistas dos trópicos, um nome interessante é Massau Simizo, pouquíssimo conhecido por um motivo no mínimo poético: de tão tímido, ele se inscrevia em concursos literários com o nome da esposa, Lituka Simizo, quem recebia os prêmios enquanto o marido aguardava oculto na plateia. Falecido em 2005, Massau era paulista e médico de formação. Mas, em seu tempo livre, criou versos inspirados como este:

Ipê florido,
Anualmente se renova.
E nós?

Uma amostra do trabalho de Massau Simizo pode ser conferida no livro As quatro estações e outros haicais, lançado pela editora curitibana Aymará. A obra foi uma das finalistas do prêmio “O melhor para a criança”, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, considerada “altamente recomendável” pela instituição. Saiba mais sobre o volume no site da Aymará.

13
jun

A Copa do Mundo começou há apenas três dias e ninguém mais aguenta as vuvuzelas e os comentários do Galvão Bueno sobre o novo charme grisalho do Maradona. Como não há outro assunto possível – a essa altura do campeonato, literatura nem pensar –, deixo aqui uma sugestão de leitura muito apropriada, que foge das informações sempre redundantes sobre o mundial de futebol.

Há alguns dias recebi da ótima editora gaúcha Dublinense o livro A Copa que Interessa, do publicitário Eduardo Menezes, e estou me deliciando com ele. Curtinho, divertido e provocador, trata-se de um guia com curiosidades históricas, geográficas e culturais sobre os países que disputam o caneco em 2010. Futebol, ali, é o menos importante. Os textos seguem a ordem dos jogos dos oito grupos e trazem seções bastante didáticas, como “Por que torcer”, “Por que secar” e “Finja que entende” – na qual o autor dá subsídios aos leitores que querem parecer informados sobre o assunto do momento em uma mesa de boteco.

Os argumentos são quase sempre cretinos e politicamente incorretos: “Por que secar a seleção australiana? Eles jogam de camisas amarelas e calções verdes, e no mundo do futebol só há espaço para uma seleção canarinho”; “Por que torcer pela Sérvia? É que, em 2040, o país que já foi Iugoslávia e Sérvia e Montenegro terá se dividido tanto que não haverá 11 homens para formar uma seleção, portanto, aproveite antes que seja tarde”. Sobre o time da Nova Zelândia – o tipo de “porcaria que nos faz querer ir até a Suíça e apedrejar a sede da FIFA” –, o autor compara sua contribuição desastrosa ao futebol à contribuição dos Engenheiros do Hawaii para a formação intelectual de um adolescente. Já nas páginas sobre o Brasil, são enumeradas todas as desculpas esfarrapadas de nossas derrotas em 13 competições, de 1930 a 2006 – um cafezinho demasiado estimulante em 66, acontecimentos sobrenaturais na Copa de 82 e uns argentinos que botaram laxante nas garrafas d’água dos brasileiros, em 90.

Eu, que estava lendo Coetzee, tive que fazer uma pausa e entrar de vez no clima da Copa. Inevitável, como as vuvuzelas e os comentários do Galvão.

30
mai

É o romance de estreia do mineiro Carlos de Brito e Mello, e um dos livros mais perturbadores e originais que li nos últimos anos. Escrito em uma espécie de prosa poética, A Passagem tensa dos corpos é dividido em 156 capítulos curtos, narrados por uma figura incorpórea encarregada de contabilizar os mortos no interior de Minas Gerais. O personagem-narrador espera que, quando concluir o trabalho, possa retomar a própria vida, interrompida de forma abrupta ainda na infância. Mas é surpreendido por uma estranha família que insiste em manter o corpo do chefe da casa insepulto, amarrado em uma cadeira no meio da sala, atrapalhando seus planos. O sarcasmo e a ironia do texto são o grande trunfo do autor, que consegue inovar mesmo trabalhando a partir de um tema tão recorrente na literatura, como a morte.

Professor universitário e artista plástico de 36 anos, Carlos de Brito e Mello já havia publicado o volume de contos O cadáver ri dos seus despojos e participou da coletânea Entre duas mortes e sombras. Com A passagem tensa dos corpos, ficou entre os semifinalistas do Prêmio Portugal Telecom de 2010 - sei que a lista inclui figurões como Saramago, Mia Couto, Chico Buarque, Milton Hatoum e Dalton Trevisan, mas é desde já o meu favorito.

21
mar

Surpreendentemente, essa semana não foram as intrigas dos BBBs que ganharam os jornais. Os protagonistas da peleja – antiga, por sinal – são os escritores paranaenses Miguel Sanches Neto e Dalton Trevisan, respectivamente ex-discípulo e ex-mestre. Sem muitas explicações, a amizade dos dois terminou, e, diante dos rumores de que o autor de Chove sobre minha infância estaria escrevendo uma espécie de “biografia do vampiro”, Trevisan passou a criticar publicamente o antigo pupilo.

Em 2004, Sanches Neto admitiu que escrevia o tal livro, mas que seria uma obra de ficção com personagens inspirados no universo literário local – o que, na literatura, é chamado de roman à clef. Como resposta, Sanches Neto recebeu o poema Hiena papuda, em que seu velho mentor o xingava de nomes esquisitos e nada bonitinhos, como “traveca de araponga louca”, “filho adotivo espiritual de Caim” e “Judas que se vendeu por trinta lentilhas”. A coisa começou a esquentar.

Seis anos depois, o livro finalmente é publicado pela editora Objetiva. Chá das cinco com o vampiro conta a história do jovem Beto Nunes, aspirante a escritor que deixa sua cidade natal para morar em Curitiba, onde começa a freqüentar o círculo literário da época. Rapidamente se torna discípulo de Geraldo Trentini, um importante e excêntrico escritor da cidade, mas de amigo e pupilo Beto logo se converte em desafeto. O lançamento do livro polêmico moveu Miguel Sanches Neto a criar um diário sobre ele neste blog. Leia também esta resenha e entrevista assinadas pelo jornalista Irinêo Baptista Netto na Gazeta do Povo.

Quando testemunho episódios como este na literatura, lembro desta observação muito adequada de um amigo: “ler um livro e querer conhecer seu autor é o mesmo que comer foie gras e querer conhecer o ganso”. (Aliás, ele disse que a citação deve ser do Arthur Koestler.) Não deixa de ser uma boa frase!

07
nov

O evento esportivo-literário organizado por Lucas Murtinho chega este ano à 3a edição, trazendo resenhas de altíssimo nível de 16 romances publicados no Brasil recentemente. Algumas partidas já foram definidas: Cordilheira, de Daniel Galera, (um dos vencedores do Jabuti de Romance deste ano) deu um baile em O Livro dos Nomes, de Maria Esther Maciel; Areia nos Dentes, do estreante Antônio Xerxenesky, nocauteou O Vencedor está só, do Paulo Coelho, como se fosse uma partida de boxe; O Verão do Chibo entrou em campo com um jogador a mais sobre seu adversário, O Fazedor de Velhos, de Rodrigo Lacerda, já que o livro foi escrito a quatro mãos – e, afinal, venceu a partida. Peleja de grandes: Galiléia, de Ronaldo Correia de Brito, levou a melhor sobre o Manual da Paixão Solitária, do imortal Moacyr Scliar; entre Flores Azuis, de Carola Saavedra, e Dias de Faulkner, de Antônio Dutra, o placar terminou favorável pra moça. E no sexto jogo, O Ponto de Partida, de Fernando Molica, contra Acenos e Afagos, de João Gilberto Noll, deu o primeiro livro.

Ainda faltam dois jogos para as quartas de final. Acompanhe aqui, de preferência depois de ler os livros – é que os juízes não têm o menor pudor de revelar à torcida o fim da história.

06
set

NOTAS PARA UMA DEFINIÇÃO DO LEITOR IDEAL:

O leitor ideal é o escritor no exato momento que antecede a reunião das palavras na página.

O leitor ideal existe no instante que precede o momento da criação.

O leitor ideal não reconstrói um história: ele a recria.

O leitor ideal não segue uma história: participa dela.

Um famoso programa da BBC sobre livros infantis começava, invariavelmente, com o animador perguntando: “Vocês estão sentados confortavelmente? Então vamos começar”. O leitor ideal é também o sentador ideal.

Representações de são Jerônimo mostram-no debruçado sobre sua tradução da Bíblia, ouvindo a palavra de Deus. O leitor ideal deve aprender a ouvir.

O leitor ideal é o tradutor. Ele é capaz de dissecar o texto, retirar a pele, fazer um corte até a medula, seguir cada artéria e cada veia e depois dar vida a um novo ser sensível. O leitor ideal não é um taxidermista.

Para o leitor ideal todos os recursos são familiares.

Para o leitor ideal todas as brincadeira são novas.

É preciso ser um inventor para ler bem.” Ralph Waldo Emerson.

O leitor ideal tem uma aptidão ilimitada para o esquecimento. Ele pode afastar de sua memória o conhecimento de que Dr. Jekill e Mr. Hyde são a mesma pessoa, que Julien Sorel terá sua cabeça cortada, que o nome do assassino de Roger Ackroyd é Fulano de Tal.

O leitor ideal não está interessado nos escritos de Brett Easton Ellis.

O leitor ideal sabe aquilo que o escritor apenas intui.

O leitor ideal subverte o texto. O leitor ideal não pressupõe as palavras do escritor.

O leitor ideal é um leitor cumulativo: sempre que lê um livro ele acrescenta uma nova camada de lembranças à narrativa.

Todo leitor ideal é um leitor associativo. Lê como se todos os livros fossem obra de um autor intemporal e prolífico.

O leitor ideal não pode expressar seu conhecimento por meio de palavras.

Depois de fechar o livro, o leitor ideal sente que se não o tivesse lido o mundo seria mais pobre.

O leitor ideal tem um senso de humor perverso.

O leitor ideal jamais contabiliza seus livros.

O leitor ideal é ao mesmo tempo generoso e ávido.

O leitor ideal lê toda literatura como se fosse anônima.

O leitor ideal julga um livro por sua capa.

Ao ler um livro de séculos atrás, o leitor ideal sente-se imortal.

Paolo e Francesca não eram leitores ideais, pois confessaram a Dante que depois de seu primeiro beijo pararam de ler. Leitores ideais teriam se beijado e continuariam lendo. Um amor não exclui o outro.

O leitor ideal não sabe que é o leitor ideal até chegar ao final do livro.

O leitor ideal compartilha a ética de Dom Quixote, o desejo de Madame Bovary, a luxúria da esposa de Bath, o espírito aventureiro de Ulisses, a integridade de Holden Caufield, ao menos no espaço textual.

O leitor ideal percorre as trilhas conhecidas. “Um bom leitor, um leitor importante, um leitor ativo e criativo é um leitor que relê.” Vladimir Nabokov.

O leitor ideal é politeísta.

O leitor ideal assegura, para um livro, a promessa da ressurreição.

Robinson Crusoe não é um leitor ideal. Lê a Bíblia para encontrar respostas. Um leitor ideal lê para encontrar perguntas.

Todo livro, bom ou ruim, tem seu leitor ideal.

Para o leitor ideal, cada livro é lido, até certo ponto, como sua própria autobiografia.

O leitor ideal não tem uma nacionalidade precisa.

Às vezes, um escritor pode esperar muitos séculos para encontrar seu leitor ideal. Blake demorou 150 anos para encontrar Northrop Frye.

O leitor ideal de Stendhal: “Eu escrevo para apenas cem leitores, para seres infelizes, amáveis, encantadores, nunca moralistas ou hipócritas, aos quais eu gostaria de agradar; só conheço um ou dois deles”.

O leitor ideal conhece a infelicidade.

Os leitores ideais mudam com a idade. Aquele que aos catorze anos foi o leitor ideal dos Veinte poemas de amor de Neruda já não o é aos trinta. A experiência apaga o brilho de certas leituras.

Pinochet, que proibiu Dom Quixote por pensar que esse livro incitava à desobediência civil, foi seu leitor ideal.

O leitor ideal jamais esgota a geografia do livro.

O leitor ideal deve estar disposto não apenas a suspender a incredulidade, mas a abraçar uma nova fé.

O leitor ideal faz proselitismo.

O leitor ideal é volúvel e não sente culpa disso.

O leitor ideal não se preocupa com os anacronismos, com a verdade documentada, com a exatidão histórica, com a precisão topográfica. O leitor ideal não é um arqueólogo.

O leitor ideal é um cumpridor implacável das regras e normas que cada livro cria para si mesmo.

“Há três tipos de leitor: um, que aprecia o livro sem julgá-lo; três, que o julga sem apreciá-lo; outro, no meio, que o julga enquanto o aprecia e o aprecia enquanto julga. O último tipo verdadeiramente reproduz uma obra de arte novamente; seus exemplos não são numerosos.” Goethe, em carta a Johann Freidrich Rochlitz.

Os leitores que cometeram suicídio depois de ler Werther não eram ideais, mas simplesmente leitores sentimentais.

Os leitores ideais quase nunca são sentimentais.

O leitor ideal quer chegar ao final do livro e ao mesmo tempo saber que o livro jamais terminará.

O leitor ideal nunca se impacienta.

O leitor ideal não liga para os gêneros.

O leitor ideal é (ou parece ser) mais inteligente do que o escritor; o leitor ideal não usa isso contra ele.

Há um momento em que cada leitor se considera o leitor ideal.

Boas instruções não são suficientes para produzir um leitor ideal.

O Marquês de Sade: “Só escrevo para quem é capaz de me entender, e eles me lerão sem perigo”.

O leitor ideal é o personagem principal de um romance.

Paul Valéry: “Um ideal literário: saber, enfim, não dispor na página nada além do ‘leitor’”.

O leitor ideal é alguém com quem o autor não se importaria em passar uma noite bebendo uma taça de vinho.

Um leitor ideal não deveria ser confundido com um leitor virtual.

Um escritor nunca é seu próprio leitor ideal.

A literatura não depende de leitores ideais, mas apenas de leitores suficientemente bons.

Alberto Manguel em ‘A mesa com o Chapeleiro Maluco’, 2006.

01
jan

Você também anda fazendo sua listinha de livros a serem lidos em 2009? Naturalmente, estamos todos ansiosos pelo lançamento de The Original of Laura, inédito de Nabokov que chegará ao Brasil esse ano (falarei mais sobre ele em breve, é uma história e tanto). E, da mesma forma que 2008 acentuou ainda mais a imortalidade de Machado de Assis, 2009 também pode ser um bom ano para conhecer a obra do dramaturgo Harold Pinter, que faleceu na véspera de Natal. Mas afinal, você já conseguiu se despedir dos livros lidos nos últimos 365 dias? Listar as melhores leituras do ano pode ajudar você a dizer adeus aos volumes queridos e ainda mantê-los acesos na memória. Eis os meus:

O cavalo perdido e outras histórias, de Felisberto Hernández (Cosac Naify)

O verão do Chibo, de Vanessa Bárbara e Emílio Fraia (Objetiva/Alfaguara)

O Filho Eterno, de Cristõvão Tezza (Record)

É claro que você sabe do que estou falando, de Miranda July (Agir)

As viúvas das quintas-feiras, de Claudia Piñeiro (Alfaguara)

O sol se põe sobre São Paulo, de Bernardo Carvalho (Cia das Letras)

O Africano, de Jean Marie Le Clezio (Cosac Naify)

Este ano o Orelha do Livro vai continuar trazendo a você o melhor da literatura mundial na rádio Lumen 99,5 FM, de Curitiba. É de segunda a sábado, sempre às 14h e 20h30. Um 2009 fabuloso pra você, cheio de aventura, romance, diversão e poesia!

15
dez

Não dá pra negar, Pé na Estrada é um dos livros que mais influenciaram a juventude e as vanguardas do século vinte, do rock ao punk, passando pelos hippies cabeludos do primeiro Woodstock. Se você faz parte da legião de fãs desse livro de Jack Kerouac, pode vibrar com a notícia: chega hoje às livrarias brasileiras “On the Road – O manuscrito original”, contendo a primeira versão, crua e sem cortes, do clássico de Kerouac. Escrito compulsivamente – e sob o efeito de benzedrina – em 1951 durante 3 semanas, sem pontuação ou divisão de parágrafos, o romance teve seu conteúdo editado, modificado e “amenizado”, especialmente as passagens mais “selvagens e sexualmente explícitas”, segundo Howard Cunnel, responsável pela edição americana do livro original. Na edição brasileira, lançada pela LP&M, constam ainda ensaios de Cunnel e outros especialistas da obra de Kerouac.

Ainda sobre o mestre-beat: um jornalista canadense descobriu recentemente um romance inédito de Kerouac, sugestivamente intitulado “No Caminho” e escrito em francês. Pra quem não sabe, Kerouac era filho de pais canadenses, do Quebec, e até os seis anos de idade só falava francês. Antes de “No Caminho”, ele já havia escrito um livro de contos em francês, chamado “A Noite É Minha Mulher”, e dizem até que as dez páginas iniciais de “Pé na estrada” foram escritas no idioma de Honoré de Balzac. Segundo o jornalista responsável pelo achado, os dois livros têm vários pontos em comum. As histórias são diferentes, mas a estrada continua lá, e os personagens são quase os mesmos, só que com idades diferentes. O único problema é que ainda não há previsão de lançamento do livro no Brasil. Mas quando isso acontecer, pode ter certeza, o jornalista Eduardo Bueno e fãzaço do Kerouac vai avisar a gente com todo o prazer.