07
set

Há não muito tempo, os catadores da Vila das Torres, em Curitiba, julgavam um livro apenas pelo valor arrecadado com a venda de seu papel. Mas isso foi antes da inauguração da Biblioteca Comunitária Vila das Torres, montada com obras literárias encontradas - acredite - no lixo. A idéia partiu de Carlos Roberto Teles, o palhaço Chameguinho, que procurou José Francisco Sanches, o dono de um depósito de papel, e juntos começaram a missão de juntar os livros descartados pelos curitibanos. “Acho que Curitiba está sendo campeã de jogar livro fora. Não sabia que o curitibano desperdiçava tanto livro”, lamenta Chameguinho. Até agora já são 2 mil volumes nas prateleiras da biblioteca, de Machado de Assis a Sérgio Buarque de Holanda. Se você também quiser doar, ligue para (41) 3019-4965 ou escreva para projeto.jovemcidadao@hotmail.com. As informações são da jornalista Bruna Maestri Walter, em matéria publicada no jornal Gazeta do Povo. Leia na íntegra aqui.

Foto: Ivonaldo Alexandre

02
fev

Quando eu era jovem, pensava que só devia escrever e publicar depois de ter lido uma biblioteca formada por grandes livros. Eu me obriguei a ler livros que hoje não leria mais, textos que não me deram uma gota de prazer no ato da leitura. Foi um erro, mas não me arrependo. O que eu posso dizer a um autor iniciante? Em primeiro lugar, a vida é mais complexa que a literatura, mas uma literatura consistente parte exatamente da assimilação da complexidade da vida, que inclui a leitura interessada de bons livros. Diria também que a literatura exige paciência e muito trabalho, e que a imaginação é filha desses atributos. Por fim, é preciso ter cuidado para não cair na tentação da vaidade extrema nem do experimentalismo vazio e superficial. A novidade de uma obra vem da configuração do texto pelo narrador, do vínculo necessário e profundo da linguagem com o assunto, e não da moda literária ou de um compromisso neurótico de se escrever algo absolutamente original. Do ponto de vista da linguagem, o nouveau roman francês não tem muita novidade, e o próprio Barthes reconheceu isso. A busca insana de uma “originalidade genial” pode ser algo inibidor e desastroso para um jovem. Acredito que todo ser humano tem uma experiência de vida, aquilo que Giorgio Agamben chama de “infância do ser humano”. Ele diz algo assim: a linguagem aparece como o lugar em que a experiência deve tornar-se verdade. E a literatura é a transcendência pela linguagem de uma vida empírica ou do que nomeamos realidade. Uma linguagem que transmita uma verdade interior, não mascarada nem superficial.

(Trecho de entrevista com o escritor manauara Milton Hatoum, publicada no Digestivo Cultural. A foto acima é de Lucila Wroblewski.)

23
jan

A Secretaria de Estado da Cultura criou uma iniciativa pioneira no Paraná, a Biblioteca Cidadã na Areia. São 4 tendas de 100 metros quadrados instaladas nas praias de Guaratuba, Ilha do Mel, Ipanema e Caiobá, onde os veranistas podem emprestar livros sem nenhum custo. Além de um acervo com cerca de mil livros, os espaços contam com televisão, computador, DVDs, armários, mesas e cadeiras, atendendo a uma média de público diário de 200 pessoas em cada biblioteca. Entre os títulos disponíveis estão obras de Vinicius de Moraes, Pablo Neruda, Garcia Márquez, Thomas Mann, Rubem Fonseca, Chico Buarque, Ruy Castro, Monteiro Lobato, Harry Potter, etc. O projeto Biblioteca Cidadã na Areia funciona até 15 de fevereiro das 10h às 19h. Já que as praias do Paraná são bem ruinzinhas pra banho, quer coisa melhor do que ler um bom livro debaixo do guarda-sol?

23
jan

Quem pega ônibus na mesma linha em que trabalha o cobrador Antonio Conceição Ferreira, em Brasília, aproveita o tempo do trajeto pra colocar a leitura em dia. Com ajuda de doações, ele montou uma biblioteca itinerante dentro do ônibus, e os passageiros podem ler de graça durante o percurso ou, se preferir, levar o livro pra casa. No acervo com 4 mil títulos, livros infantis, auto-ajuda e romances, incluindo a obra completa de Jorge Amado. E em Curitiba foi gasto uma nota preta pra reproduzir música clássica nas caixas de som dos ônibus biarticulados…

20
jan

“É preciso entender que os meninos estão deixando de ler os livros porque estão deixando de ler o mundo, de ser capaz de ler os outros, de ler a vida. Estão perdendo a disponibilidade de estar aberto aos demais, estar atentos às vozes, saber escutar. Há toda uma pedagogia que é preciso ser feita no conjunto. Não se pode isolar o livro e torná-lo como se fosse bandeira única desta luta. Uma coisa que aprendo na África é esta habilidade de se contar histórias e fazer com que o livro seja uma maneira de estimular, que os meninos não sejam só consumidores de história, mas também produtores de história. Quem não sabe contar uma história é pobre de alguma maneira.”

(Mia Couto, para revista ISTOÉ, sobre como estimular o gosto pela leitura.)

10
jan


Que livros são uma ótima maneira de presentear alguém, já sabemos há muito tempo. Mas nos Estados Unidos, a Associação Americana de Editores lançou uma campanha para estimular a compra de livros como presentes de Natal no ano passado. Várias personalidades aderiram à iniciativa, como o escritor Dan Brown, de Código Da Vinci e os atores Alec Baldwin e Julie Andrews. No video promocional, eles enumeram os motivos que fazem dos livros “great gifts” - alguns deles furadíssimos, como o depoimento do apresentador de TV Jon Stewart: “Livros são ótimos presentes porque são um jeito incrível de matar tempo enquanto a internet está carregando”, ou de Jim Cramer, âncora do programa Mad Money: “Eles podem te fazer ganhar muita grana, mesmo nesse momento terrível que vivemos hoje”.

26
nov

Vanilda de Jesus Pereira, 45 anos, cursou só até a 6ª série do ensino fundamental. Hoje, ela coordena a Biblioteca Comunitária Graça Rios, na entrada da favela Paquetá, em Belo Horizonte (MG), cujo acervo chega a 22 mil livros. Filha de pais analfabetos, a ex-catadora de papel sempre gostou de ler. Aos 14 anos, quando trabalhava como babá para uma família, foi demitida ao ser flagrada pela patroa lendo um livro.”A Escrava Isaura” era o título. Resultado: para terminar a leitura, Vanilda acabou tendo que comprar o romance de Bernardo Guimarães. A partir daí, começou a nascer sua biblioteca, que contou ainda com muitas doações até chegar aos 22 mil exemplares. Na biblioteca também são dadas aulas de reforço escolar para crianças e jovens que se preparam para o vestibular. O projeto de Vanilda de Jesus foi um dos 15 finalistas do Prêmio Vivaleitura 2008, iniciativa do Ministério da Educação, do Ministério da Cultura e da Organização dos Estados Ibero-Americanos. Confira a lista completa dos finalistas aqui.

A biblioteca Graça Rios fica na R. Glauber Rocha, 334, Paquetá, BH. Fone: (31) 3498-1547.

20
nov

A notícia é maravilhosa, pelo menos se o projeto tiver continuidade e vier acompanhado de ações de incentivo à leitura: cada um dos 3,3 milhões de alunos de 5a a 8a e do Ensino Médio da rede estadual no Brasil vai receber três livros pelo projeto “Apoio ao Saber”, que irá atender toda a rede estadual até 10 de dezembro. O investimento foi de aproximadamente R$ 34 milhões, e os livros serão dos alunos, que poderão levá-los pra casa (e ler, preferencialmente). Os títulos são clássicos da literatura brasileira, que serão entregues nas escolas e repassados aos estudantes. Confira a lista:

5ª série do Ensino Fundamental
Juca Pirama e os Timbiras - Gonçalves Dias
Comédias para ler na Escola - Luis Fernando Veríssimo
Reinações de Narizinho (vol 1 e 2) - Monteiro Lobato

6ª série do Ensino Fundamental
Papéis avulsos - Machado de Assis
Memórias inventadas - Manoel de Barros
O Coruja - Aluísio Azevedo

7ª série do Ensino Fundamental
Poemas de Álvaro de Campos - Fernando Pessoa
A mulher do vizinho - Fernando Sabino
Capitães da areia - Jorge Amado

8ª série do Ensino Fundamental
Várias histórias - Machado de Assis
Olhai os lírios do campo - Érico Veríssimo
O navio negreiro - Castro Alves

1ª série do Ensino Médio
Dom Casmurro - Machado de Assis
Laços de família - Clarice Lispector
80 anos de poesia - Mário Quintana

2ª série do Ensino Médio
Quincas Borba - Machado de Assis
Estrela da vida inteira - Manoel Bandeira
Primeiras estórias - Guimarães Rosa

3ª série do Ensino Médio
Memórias póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis
Bagagem - Adélia Prado
Cem melhores crônicas

12
nov

A revista Piauí bem que poderia aproveitar a chance de fazer uma boa ação literária no Estado que lhe empresta o nome. É que, segundo um levantamento do Sistema Nacional de Bibliotecas, o Piauí tem o menor número de bibliotecas públicas do país, e em 79 cidades simplesmente não há nenhuma. Talvez você não saiba, mas os moradores de 362 municípios brasileiros não têm acesso a bibliotecas públicas. O curioso (ou não) é que estes municípios estão localizados justamente no Norte e Nordeste, regiões com o pior índice de leitura do Brasil. Depois do Piauí, outros estados em situação crítica são a Bahia, Paraíba e Rio Grande do Norte. Se pelo menos um comerciante criasse uma iniciativa como a Biblioteca da Pote de Mel em Curitiba, a Borrachalioteca de Sabará ou o Açougue Cultural T-Bone de Brasília, não faltariam livros nem histórias nessas cidades. Quem se habilita?

O sr. Geraldo Moreira Prado fez isso em 2002 no município de Nova Soure, na Bahia. Hoje, a Biblioteca Comunitária Maria das Neves Prado é a maior do mundo, com quase 50 mil livros, e atende comunidades rurais com até 50 mil habitantes. É praticamente um livro por pessoa.

10
nov

Um projeto de leitura da rede municipal de ensino de Londrina, no Paraná, conseguiu aumentar em quatro vezes a quantidade de livros lidos por ano pelas crianças. Enquanto a média nacional nas escolas é de 4,7 livros/ano, e na França os pequenos lêem cerca de 15 volumes anualmente, em Londrina a gurizada chega a ler 20 livros de janeiro a dezembro. Imagina só se esse pessoal tiver ainda o hábito de ler durante as férias, que beleza! A professora de Língua Portuguesa Giovana Fontes (nome apropriadíssimo) explicou que “se os pais tiverem livros espalhados pela casa, que a criança possa tocar, ela se acostuma com aquilo como se fosse algo comum”.

Outra boa notícia: os brasileiros estão lendo mais, segundo pesquisa realizada pelas editoras do país. Dos 190 milhões de habitantes, cerca de 100 milhões afirmam terem lido pelo menos uma obra no último trimestre. As mulheres são a maioria dos leitores, mas só quando o assunto não é História, política e Ciências Sociais (hein?). Em todo caso, o livro mais lido no Brasil continua sendo a Bíblia. Veja aqui a matéria completa da Gazeta do Povo.