06
dez

Ao invés de brinquedos, livros. Toda criança merece passar pela experiência de ser transformada pela literatura. Neste Natal, o mais novo centro de compras de Curitiba, Pátio Batel, lançou uma campanha no Facebook: cada vez que alguém clicar no botão “curtir” de sua fanpage, o Pátio Batel doa um livro para uma criança.

A ação, desenvolvida pela Repense e com duração entre 5 de dezembro e 5 de janeiro, irá beneficiar 5 instituições da cidade: Projeto Vida Nova (Pinheirinho), Associação Passos da Criança (Vila das Torres), Lar Bom Pastor (Barreirinha), Fundação Iniciativa (Uberaba) e a Associação de Proteção à Infância Vovô Vitorino (Tatuquara).

Em frente ao empreendimento (Av. Batel, 1.868), uma inusitada árvore de livros de 7m de altura, iluminada por led e formada por conteiners, abriga obras literárias gigantes. Um Papai Noel “livreiro” recebe os visitantes, que também poderão fazer doações de livros no local, das 10h às 15h e das 16h às 21h. A inauguração do Pátio Batel está prevista para setembro de 2012. E você, já clicou em curtir?

04
jul

 

Acabo de conhecer um projeto bem bonito do Colégio Medianeira: o Sujeitos Leitores. Criado pela área de Midiaeducação, trata-se de uma série de vídeos semanais onde escritores, professores, jornalistas e alunos contam como surgiu sua relação com os livros e por que a leitura é uma atividade fundamental no seu dia a dia. Há depoimentos de “personalidades literárias” interessantes na cidade, como os escritores Cristovão Tezza, Paulo Venturelli e Luiz Felipe Leprevost. Mas fiquei especialmente emocionada com o relato do menino Igor Dalsenter, aluno da 5a série e participante assíduo do Clube da Leitura, que acontece toda semana no Colégio. Compartilho da opinião dele: pra que escolher entre ler um livro ou ir ao cinema quando você pode fazer as duas coisas? Basta se organizar e saber dividir o tempo para diversificar nossas atividades diárias. (Muito bem, Igor!) Assistam ao vídeo dele aí em cima. Não é demais esse guri?

01
jul

Ontem, enquanto dava um tempo entre o almoço e uma consulta médica no centro da cidade, lembrei que ainda não tinha entrado no Bondinho da Leitura, a mais nova - e simpática - biblioteca de Curitiba. Quando o espaço inaugurou, no fim do ano passado, cheguei a anunciar aqui no blog, mas só ontem tive a chance de conhecer o vagão literário in loco.

Sempre fui fã de bibliotecas e livrarias pequeninhas, com poucos mas ótimos livros, selecionados com cuidado por alguém que realmente lê - e não por um engravatado supervisor do departamento de compras que nunca passou da página dez. Daniele Cristine da Rosa, a moça que trabalha no Bondinho desde sua abertura e quem me atendeu, explicou que a curadoria do acervo contou com os palpites certeiros de José Castello e Affonso Romano de Sant’Anna, além do time da própria Secretaria de Estado da Cultura. Enquanto ela fazia o meu cadastro, passeei os olhos pelas prateleiras e, já na primeira espiada, encontrei Manoel Carlos Karam, Julio Ramón Ribeyro e Enrique Vila-Matas, autores que nem sempre achamos por aí - aliás, cansei de procurar o peruano Ribeyro na Biblioteca Pública do Paraná, que tem mais de 500 mil títulos, exceto este.

Perguntei à Daniele o que ela costuma indicar aos leitores que frequentam o espaço e ela disse que procura conversar com as pessoas para entender o que elas já leram e gostaram. Assim, é mais fácil se aproximar de seus interesses e contagiar mais um com o “mal de montano“. Mas a grande paixão de Daniele são os títulos infantojuvenis. Saga Animal, da Índigo e Coraline, do Neil Gaiman, são os mais indicados por ela para crianças entre 8 e 11 anos. Meninos do Mangue, do Roger Mello, e a obra do Arthur Nestrovski também costumam agradar a gurizada. 

Segundo ela, já são mais de 2 mil usuários cadastrados, quase a mesma quantidade de livros disponíveis. Entre 40 e 50 deles são emprestados todos os dias. Além de Daniele, que tem 23 anos e é formada em Artes Cênicas, outras três pessoas atendem no Bondinho de segunda a sexta das 8h30 às 19h30 e aos sábados das 8h30 às 14h30. É só chegar com a sua carteira de identidade + comprovante de residência e viajar. Ao menos pelo mundo dos livros, já que o famoso bonde da rua XV - comprado na cidade de Santos nos anos 1970 - nunca saiu do lugar.


Daniele Cristine da Rosa, que hoje pilota o vagão.


Antonio Tabucchi, Javier Marías e Hanif Kureishi convivendo com
clássicos de peso.


O uruguaio Horacio Quiroga e o peruano Julio Ramón Ribeyro
estão entre os latinos do acervo.


Na garupa do meu tio, a homenagem de David Merveille a Jacques Tati,
que já comentei antes aqui.


Encrenca, de Manoel Carlos Karam, um dos gênios
que já viveram e criaram por aqui.

13
abr

Recentemente este vídeo começou a circular na web, anunciando um produto revolucionário: o “Book”. Sem fios, ele não leva bateria ou circuitos elétricos, e não tem necessidade de conexão. É portátil, compacto e feito com material 100% reciclável. (Leonardo da Vinci estava certo, a simplicidade é mesmo o estágio mais alto da sofisticação.) O vídeo foi criado para divulgar o site sobre literatura Leer está de Moda. Tomara que a moda pegue de verdade.

Em tempo: a brilhante mensagem do vídeo foi adaptada de um texto do Millôr Fernandes, publicado na revista Veja em dezembro de 2006. Leia o original aqui.

04
abr

Antes de reclamar que seu filho lê pouco, talvez seja o momento de se questionar se você mesmo é um leitor. Manter livros em casa e tratar a leitura como um prazer pode ajudar a estimular o hábito em família, de pai para filho

Publicado em 04/04/2010 | Mariana Sanchez, especial para a Gazeta do Povo marianab@gazetadopovo.com.br

“Um país se faz com homens e livros”, costumava dizer Mon­teiro Lobato. Mas, no Brasil, meio século após a morte do criador da boneca Emília, os livros continuam faltando nesta equação. Aliás, livros e leitores. De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo IBGE e o Instituto Pró-Livro em 311 municípios brasileiros no final de 2007, apenas 35% da população afirma gostar de ler em seu tempo livre. Destes, a grande maioria tem formação superior, estuda ou trabalha e vive na região Sul. A Bíblia e obras didáticas encabeçam a preferência dos leitores entrevistados.

Se em países desenvolvidos a média de leitura per capita é de sete livros ao longo do ano, no Brasil este número está em 4,7, mas somente se incluirmos as obras indicadas pela escola. Do contrário, a conta não fecha dois livros por ano. Porém, reforçar a importância da leitura no desenvolvimento humano é bater em uma tecla já desgastada. A grande questão é entender como uma pessoa se torna leitora, de que estímulos ela precisa para sentir prazer na companhia dos livros, sem que isso se torne uma obrigação – tarefa que, tudo indica, deve começar dentro de casa. (Continue lendo)

Foto: Hedeson Alves

16
fev

Ideias como esta provam que qualquer lugar é ideal para acomodar uma biblioteca – por menor que ela seja! Em Somerset, sul da Inglaterra, as tradicionais cabines de telefone estão se tornando artigos do passado (culpe os celulares) tanto quanto os livros de papel (culpe os e-readers). Unindo ambos, surgiu a Westbury Book Exchange, talvez a menor biblioteca do mundo. O espaço, comprado por apenas uma libra esterlina e adaptado para receber os volumes, convida as pessoas da comunidade a trocarem obras que já leram por outras, novas. Não é bacana?

Via Off Beat Earth

08
fev

Há não muito tempo atrás – oito anos, na verdade -, o lugar abrigava o maior presídio da América Latina. Agora, ao invés de oito mil presos, ele guarda 30 mil livros. A antiga Casa de Detenção do Carandiru é hoje a Biblioteca de São Paulo, novo centro cultural da zona norte paulista, inaugurado nesta segunda-feira. A Princesa Amnésia, que mora na capital, já havia me contado a novidade semanas atrás. Mas não vejo a hora de conhecê-la de pertinho.

Além do admirável acervo de livros físicos, revistas e jornais, a biblioteca tem computadores, audiobooks e, é claro, Kindles. São sete aparelhos, mas as obras contidas ali são quase infinitas. Leia mais na matéria do Estadão de hoje. A foto eu encontrei aqui.

24
jan

Graças à saborosa coluna do jornalista José Carlos Fernandes, ficamos conhecendo mais uma “bibliolouca”, nascida da criatividade e da paixão pelos livros de pessoas como o Alberto Melo Viana - quem, aliás, eu já conhecia pelo semanal Fotomail. Leia o texto, inspire-se e, por que não, invente você também uma biblioteca original.

Conceição e a chave do banheiro

Alberto Melo Viana – um dos decanos do fotojornalismo paranaense – montou uma biblioteca minúscula numa câmara de lixo desativada de seu prédio

Publicado em 08/01/2010 | jcfernandes@gazetadopovo.com.br

Sei não, mas acho que um dia alguém ainda vai escrever a História das Bibliotecas Improváveis. Os índices culturais no Brasil, sabe-se, não são de empinar o topete. Os espaços públicos destinados a livros, contudo, não param de se multiplicar, comprovando que podemos não figurar entre os melhores fregueses da Feira de Frankfurt, mas somos intrépidos criadores de endereços para leitura.

Coleciono tudo o que sai na imprensa a respeito e posso assegurar que daria até para bolar um city tour pelas bibliotecas nascidas da imaginação tupi, a exemplo do que realiza o canadense Jeremy Mercer, maluco beleza que não só visita, como pernoita em livrarias do mundo inteiro. Toda gente quer conhecer os buracos em que ele estende seu colchonete – pudera. (Continue lendo.)

13
out

Em outubro do ano passado, Nina Sankovitch (foto) iniciou uma viagem literária talvez inédita, movida a muita paixão e determinação: ler um livro por dia durante um ano, ciclo que ela completará no dia 28 deste mês. Mas essa norte-americana de 46 anos não se limita a ler, ela também escreve pequenas resenhas – às vezes nem tão pequenas – sobre os livros lidos. O primeiro título foi A Elegância do Ouriço, de Muriel Barbery, seguido de Os Emigrants, de W. G. Sebald. Pela lista de obras, dá pra notar que Nina tem mesmo um gosto literário interessante, passando por Camus, J.M.G. Le Clezio, Antonio Lobo Antunes, Ford Madox Ford e Mia Couto, para citar alguns autores. “Sempre pensei que boa literatura é tudo o que uma pessoa precisa ler para entender psicologia humana, emoções e até mesmo História. Para alguém sentado, lendo livros, este tem sido um ano bastante intenso”, confessa Nina, que mantém um site para contar essa experiência. Sua motivação? Simplesmente prazer em ler livros, mas também uma forma de estar próxima de sua irmã, que faleceu há 4 anos e também era apaixonada por leituras.

Ler um livro por dia pode ser exagero, mas um por semana é uma meta muito fácil de ser alcançada. E você, quantos livros costuma ler ao longo do ano? Não é inspiradora a história de Nina? Acompanhe as notícias do projeto Read All Day pelo Twitter – quem se animar pode ir fazendo a sua listinha.

10
set

Saiu hoje o resultado do 2º Concurso de Contos ler&Cia, da Livrarias Curitiba, do qual tive a felicidade de integrar o júri que selecionou os seis vencedores (foram mais de 700 inscritos de todo o Brasil)! São eles:

Os Dilúvios Imaginários, de Guilherme Menezes Cobelo e Oliveira (Brasília/DF)
Meritíssimo, de Amilcar Neves (Florianópolis/SC)
O menino japonês, de Suzana Grandi Cavalcanti (Curitiba/PR)
O dedo do olhar de Clarice, de Juliana de Araújo Bumbeer (Curitiba/PR)
Recuperação, de Rodrigo Araújo (Colombo/PR)
Achados e Perdidos, de Jean Marcel Snege (Curitiba/PR)

Cada autor, além de ter seu texto publicado na revista ler&Cia, levará para casa um vale-compras de R$ 500 para gastar em qualquer loja da rede. De minha parte, gostei muito da experiência de ser jurada do concurso, ao lado da poeta Luci Collin e do jornalista Marcio Renato dos Santos. É interessante identificar a recorrência de temas (amor, suicídio, velhice, infância, vingança), mas ainda mais interessante é ver pessoas escrevendo com originalidade, bem longe dos lugares-comuns que volta e meia castigam a literatura. Parabéns aos vencedores e à Livrarias, que não deu só a chance dos autores serem publicados, mas também o incentivo para gastarem o valor do prêmio em livros: o melhor aprendizado para quem gosta de escrever.