16
fev

Ideias como esta provam que qualquer lugar é ideal para acomodar uma biblioteca – por menor que ela seja! Em Somerset, sul da Inglaterra, as tradicionais cabines de telefone estão se tornando artigos do passado (culpe os celulares) tanto quanto os livros de papel (culpe os e-readers). Unindo ambos, surgiu a Westbury Book Exchange, talvez a menor biblioteca do mundo. O espaço, comprado por apenas uma libra esterlina e adaptado para receber os volumes, convida as pessoas da comunidade a trocarem obras que já leram por outras, novas. Não é bacana?

Via Off Beat Earth

08
fev

Há não muito tempo atrás – oito anos, na verdade -, o lugar abrigava o maior presídio da América Latina. Agora, ao invés de oito mil presos, ele guarda 30 mil livros. A antiga Casa de Detenção do Carandiru é hoje a Biblioteca de São Paulo, novo centro cultural da zona norte paulista, inaugurado nesta segunda-feira. A Princesa Amnésia, que mora na capital, já havia me contado a novidade semanas atrás. Mas não vejo a hora de conhecê-la de pertinho.

Além do admirável acervo de livros físicos, revistas e jornais, a biblioteca tem computadores, audiobooks e, é claro, Kindles. São sete aparelhos, mas as obras contidas ali são quase infinitas. Leia mais na matéria do Estadão de hoje. A foto eu encontrei aqui.

24
jan

Graças à saborosa coluna do jornalista José Carlos Fernandes, ficamos conhecendo mais uma “bibliolouca”, nascida da criatividade e da paixão pelos livros de pessoas como o Alberto Melo Viana - quem, aliás, eu já conhecia pelo semanal Fotomail. Leia o texto, inspire-se e, por que não, invente você também uma biblioteca original.

Conceição e a chave do banheiro

Alberto Melo Viana – um dos decanos do fotojornalismo paranaense – montou uma biblioteca minúscula numa câmara de lixo desativada de seu prédio

Publicado em 08/01/2010 | jcfernandes@gazetadopovo.com.br

Sei não, mas acho que um dia alguém ainda vai escrever a História das Bibliotecas Improváveis. Os índices culturais no Brasil, sabe-se, não são de empinar o topete. Os espaços públicos destinados a livros, contudo, não param de se multiplicar, comprovando que podemos não figurar entre os melhores fregueses da Feira de Frankfurt, mas somos intrépidos criadores de endereços para leitura.

Coleciono tudo o que sai na imprensa a respeito e posso assegurar que daria até para bolar um city tour pelas bibliotecas nascidas da imaginação tupi, a exemplo do que realiza o canadense Jeremy Mercer, maluco beleza que não só visita, como pernoita em livrarias do mundo inteiro. Toda gente quer conhecer os buracos em que ele estende seu colchonete – pudera. (Continue lendo.)

13
out

Em outubro do ano passado, Nina Sankovitch (foto) iniciou uma viagem literária talvez inédita, movida a muita paixão e determinação: ler um livro por dia durante um ano, ciclo que ela completará no dia 28 deste mês. Mas essa norte-americana de 46 anos não se limita a ler, ela também escreve pequenas resenhas – às vezes nem tão pequenas – sobre os livros lidos. O primeiro título foi A Elegância do Ouriço, de Muriel Barbery, seguido de Os Emigrants, de W. G. Sebald. Pela lista de obras, dá pra notar que Nina tem mesmo um gosto literário interessante, passando por Camus, J.M.G. Le Clezio, Antonio Lobo Antunes, Ford Madox Ford e Mia Couto, para citar alguns autores. “Sempre pensei que boa literatura é tudo o que uma pessoa precisa ler para entender psicologia humana, emoções e até mesmo História. Para alguém sentado, lendo livros, este tem sido um ano bastante intenso”, confessa Nina, que mantém um site para contar essa experiência. Sua motivação? Simplesmente prazer em ler livros, mas também uma forma de estar próxima de sua irmã, que faleceu há 4 anos e também era apaixonada por leituras.

Ler um livro por dia pode ser exagero, mas um por semana é uma meta muito fácil de ser alcançada. E você, quantos livros costuma ler ao longo do ano? Não é inspiradora a história de Nina? Acompanhe as notícias do projeto Read All Day pelo Twitter – quem se animar pode ir fazendo a sua listinha.

10
set

Saiu hoje o resultado do 2º Concurso de Contos ler&Cia, da Livrarias Curitiba, do qual tive a felicidade de integrar o júri que selecionou os seis vencedores (foram mais de 700 inscritos de todo o Brasil)! São eles:

Os Dilúvios Imaginários, de Guilherme Menezes Cobelo e Oliveira (Brasília/DF)
Meritíssimo, de Amilcar Neves (Florianópolis/SC)
O menino japonês, de Suzana Grandi Cavalcanti (Curitiba/PR)
O dedo do olhar de Clarice, de Juliana de Araújo Bumbeer (Curitiba/PR)
Recuperação, de Rodrigo Araújo (Colombo/PR)
Achados e Perdidos, de Jean Marcel Snege (Curitiba/PR)

Cada autor, além de ter seu texto publicado na revista ler&Cia, levará para casa um vale-compras de R$ 500 para gastar em qualquer loja da rede. De minha parte, gostei muito da experiência de ser jurada do concurso, ao lado da poeta Luci Collin e do jornalista Marcio Renato dos Santos. É interessante identificar a recorrência de temas (amor, suicídio, velhice, infância, vingança), mas ainda mais interessante é ver pessoas escrevendo com originalidade, bem longe dos lugares-comuns que volta e meia castigam a literatura. Parabéns aos vencedores e à Livrarias, que não deu só a chance dos autores serem publicados, mas também o incentivo para gastarem o valor do prêmio em livros: o melhor aprendizado para quem gosta de escrever.

07
set

Há não muito tempo, os catadores da Vila das Torres, em Curitiba, julgavam um livro apenas pelo valor arrecadado com a venda de seu papel. Mas isso foi antes da inauguração da Biblioteca Comunitária Vila das Torres, montada com obras literárias encontradas - acredite - no lixo. A idéia partiu de Carlos Roberto Teles, o palhaço Chameguinho, que procurou José Francisco Sanches, o dono de um depósito de papel, e juntos começaram a missão de juntar os livros descartados pelos curitibanos. “Acho que Curitiba está sendo campeã de jogar livro fora. Não sabia que o curitibano desperdiçava tanto livro”, lamenta Chameguinho. Até agora já são 2 mil volumes nas prateleiras da biblioteca, de Machado de Assis a Sérgio Buarque de Holanda. Se você também quiser doar, ligue para (41) 3019-4965 ou escreva para projeto.jovemcidadao@hotmail.com. As informações são da jornalista Bruna Maestri Walter, em matéria publicada no jornal Gazeta do Povo. Leia na íntegra aqui.

Foto: Ivonaldo Alexandre

02
fev

Quando eu era jovem, pensava que só devia escrever e publicar depois de ter lido uma biblioteca formada por grandes livros. Eu me obriguei a ler livros que hoje não leria mais, textos que não me deram uma gota de prazer no ato da leitura. Foi um erro, mas não me arrependo. O que eu posso dizer a um autor iniciante? Em primeiro lugar, a vida é mais complexa que a literatura, mas uma literatura consistente parte exatamente da assimilação da complexidade da vida, que inclui a leitura interessada de bons livros. Diria também que a literatura exige paciência e muito trabalho, e que a imaginação é filha desses atributos. Por fim, é preciso ter cuidado para não cair na tentação da vaidade extrema nem do experimentalismo vazio e superficial. A novidade de uma obra vem da configuração do texto pelo narrador, do vínculo necessário e profundo da linguagem com o assunto, e não da moda literária ou de um compromisso neurótico de se escrever algo absolutamente original. Do ponto de vista da linguagem, o nouveau roman francês não tem muita novidade, e o próprio Barthes reconheceu isso. A busca insana de uma “originalidade genial” pode ser algo inibidor e desastroso para um jovem. Acredito que todo ser humano tem uma experiência de vida, aquilo que Giorgio Agamben chama de “infância do ser humano”. Ele diz algo assim: a linguagem aparece como o lugar em que a experiência deve tornar-se verdade. E a literatura é a transcendência pela linguagem de uma vida empírica ou do que nomeamos realidade. Uma linguagem que transmita uma verdade interior, não mascarada nem superficial.

(Trecho de entrevista com o escritor manauara Milton Hatoum, publicada no Digestivo Cultural. A foto acima é de Lucila Wroblewski.)

23
jan

A Secretaria de Estado da Cultura criou uma iniciativa pioneira no Paraná, a Biblioteca Cidadã na Areia. São 4 tendas de 100 metros quadrados instaladas nas praias de Guaratuba, Ilha do Mel, Ipanema e Caiobá, onde os veranistas podem emprestar livros sem nenhum custo. Além de um acervo com cerca de mil livros, os espaços contam com televisão, computador, DVDs, armários, mesas e cadeiras, atendendo a uma média de público diário de 200 pessoas em cada biblioteca. Entre os títulos disponíveis estão obras de Vinicius de Moraes, Pablo Neruda, Garcia Márquez, Thomas Mann, Rubem Fonseca, Chico Buarque, Ruy Castro, Monteiro Lobato, Harry Potter, etc. O projeto Biblioteca Cidadã na Areia funciona até 15 de fevereiro das 10h às 19h. Já que as praias do Paraná são bem ruinzinhas pra banho, quer coisa melhor do que ler um bom livro debaixo do guarda-sol?

23
jan

Quem pega ônibus na mesma linha em que trabalha o cobrador Antonio Conceição Ferreira, em Brasília, aproveita o tempo do trajeto pra colocar a leitura em dia. Com ajuda de doações, ele montou uma biblioteca itinerante dentro do ônibus, e os passageiros podem ler de graça durante o percurso ou, se preferir, levar o livro pra casa. No acervo com 4 mil títulos, livros infantis, auto-ajuda e romances, incluindo a obra completa de Jorge Amado. E em Curitiba foi gasto uma nota preta pra reproduzir música clássica nas caixas de som dos ônibus biarticulados…

20
jan

“É preciso entender que os meninos estão deixando de ler os livros porque estão deixando de ler o mundo, de ser capaz de ler os outros, de ler a vida. Estão perdendo a disponibilidade de estar aberto aos demais, estar atentos às vozes, saber escutar. Há toda uma pedagogia que é preciso ser feita no conjunto. Não se pode isolar o livro e torná-lo como se fosse bandeira única desta luta. Uma coisa que aprendo na África é esta habilidade de se contar histórias e fazer com que o livro seja uma maneira de estimular, que os meninos não sejam só consumidores de história, mas também produtores de história. Quem não sabe contar uma história é pobre de alguma maneira.”

(Mia Couto, para revista ISTOÉ, sobre como estimular o gosto pela leitura.)