11
nov


(Cortázar por Robson Vilalba)

Quem subir até o segundo andar da Biblioteca Pública do Paraná até o dia 05 de dezembro verá retratos inusitados de escritores como Rubem Fonseca, Samuel Becket, Jonathan Franzen e Julio Cortázar, na visão do ilustrador, cartunista e caricaturista Robson Vilalba. A exposição “Letrados caricatos” apresenta desenhos publicados na imprensa, principalmente em jornais de literatura, com a particularidade de que os trabalhos expostos estarão em seu formato original, preservando todos os detalhes da ilustração. Veja outros trabalhos de Robson Vilalba neste blog.

15
out

De 24 a 28 de outubro, acontece em Curitiba a Festa Literária do Medianeira, FLIM. (O nome inspirado na FLIP é até mais sonoro e simpático, ao meu gosto.) O colégio já realizava regularmente sua Feira de Livros, mas este ano a iniciativa ganhou força depois da campanha Sujeitos Leitores, série de video-depoimentos de jornalistas, escritores e educadores sobre seus hábitos de leitura.

Meses atrás, a equipe do setor de Midiaeducação do Colégio gravou minha história de amor com os livros, resultando no vídeo abaixo. Quanto à FLIM, a programação traz palestras e bate-papos bem interessantes com autores da literatura brasileira, além de oficinas de criação literária e contação de histórias, entre outros. Veja aqui todas as atrações da FLIM e participe.

02
out

Esta semana eu terei a honra de conversar com Reinaldo Moraes durante o encontro Um Escritor na Biblioteca, releitura do projeto homônimo da Biblioteca Pública do Paraná. Moraes é o sétimo convidado do evento, que já recebeu Marçal Aquino, Cristovão Tezza, Elvira Vigna, Luiz Ruffato, entre outros. A ideia é aproveitar a presença do autor para descobrir como foi sua trajetória na literatura, primeiramente como leitor, e se as bibliotecas tiveram uma importância decisiva nesta caminhada.


(Foto: Bel Pedrosa)

Paulistano nascido em 1950, Reinaldo Moraes é um dos escritores mais importantes e inventivos da literatura brasileira. Nos anos 1980, ficou conhecido pelos romances “malditos” Tanto Faz e Abacaxi (agora relançados pelo selo Má Companhia), que narravam em primeira pessoa as desventuras picarescas de seus personagens (na verdade, o mesmo, não fosse o nome diferente) em cidades como Paris, Nova York e e Rio de Janeiro. Depois de uma lacuna de quase 20 anos sem publicar, Reinaldo volta à ficção com o juvenil A órbita dos caracóis, seguido da coletânea de contos Umidade e, mais recentemente, do catatau (não o leminskiano) Pornopopéia, que desde 2009 vem colecionando elogios entusiasmados dos leitores e da crítica especializada - o livro já teve 3 reimpressões e agora sai também em versão de bolso pelo selo Ponto de Leitura, da Objetiva.

O bate-papo com Reinaldo Moraes tem entrada gratuita e acontece na próxima terça-feira, dia 04, às 19 horas, no auditório Paul Garfunkel (2º andar da Biblioteca Pública do Paraná). Mais informações: (41) 3221 4900.

Ainda em outubro, no dia 18, o escritor Sérgio Sant’Anna também participa do projeto, com a mediação de Luís Henrique Pellanda. Quem vier, verá.

11
set

A XV Bienal do Livro terminou este domingo no Rio de Janeiro, mas a Semana Literária do SESC-PR está só começando. De 12 a 17 de setembro, várias cidades paranaenses recerberão o evento, que tem curadoria do jornalista e escritor José Castello, e pretende discutir o papel que a literatura ocupa no mundo, no século 21, sob o tema “Literatura e Sociedade“.

Na programação, autores como Milton Hatoum (foto), Ana Maria Machado, Beatriz Bracher, Michel Laub e Eliane Brum, entre outros, participam de mesas, bate-papos e sessões de autógrafos. Na sexta-feira, a conferência de Walnice Galvão homenageia Antonio Cândido, um dos críticos literários mais importantes do país, que este ano abriu a Flip com uma verdadeira aula sobre Oswald de Andrade. Todas as atividades têm entrada gratuita, confira aqui a programação completa.

08
ago

O ciclo Autores & Ideias recebe este mês duas escritoras brasileiras das mais interessantes: a gaúcha CÍntia Moscovich e a catarinense Adriana Lunardi. No bate-papo, que acontece amanhã em Londrina e depois percorre outras cidades paranaenses, elas discutem o papel da mulher na literatura contemporânea e o sentido de se buscar ou não uma voz e um olhar essencialmente femininos em sua arte.

CÍntia Moscovich, além de escritora, é jornalista e mestre em Teoria Literária. Estreou na literatura em 1996 com o volume de contos “O Reino das Cebolas”. Depois, publicou “Duas iguais”, “Anotações durante o incêndio”, “Arquitetura do arco-íris” (vencedor dos prêmios Portugal Telecom e Jabuti de 2005) e “Por que sou gorda, mamãe”. A antologia “25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira”, organizada por Luiz Rufatto, traz um conto seu.

Adriana Lunardi é roteirista de TV e escritora. Assim como Moscovich, seu livro de estreia também foi lançado em 1996. “As meninas da Torre Helsinque” recebeu os prêmios Fumproarte e o troféu Açorianos nas categorias Melhor livro de contos e Autor Estreante. Sua obra “Vésperas” remonta o momento anterior à morte de nove mulheres fundamentais da literatura mundial, como Virgínia Woolf, Clarice Lispector e Ana Cristina César. A obra, também editada na França, Argentina, Portugal e Croácia, recebeu a bolsa para escritores da Fundação Biblioteca Nacional e foi indicada ao prêmio Jabuti. Seu primeiro romance, “Corpo estranho” foi finalista do prêmio Zaffari/Bourbon e está sendo traduzido para o francês.

A mesa Vozes Femininas e todas as atividades do Autores & Ideias têm entrada gratuita e acontecem nas unidades do SESC em Curitiba (Paço da Liberdade), Londrina, Maringá, Pato Branco, Cascavel, Paranaguá, Francisco Beltrão, Ponta Grossa, Paranavaí e Umuarama.

29
jul

Dois autores dos mais festejados da literatura em língua espanhola - guardadas as distâncias temporal e geográfica - estarão no projeto EntreMundos deste mês. Na próxima quarta-feira, dia 03 de agosto, Miguel de Cervantes e Roberto Bolaño terão alguns de seus textos lidos no Teatro da Caixa, em Curitiba, às 20h.

Do primeiro, espanhol da provícia de Madrid e autor do primeiro romance moderno da História, no século 16, serão lidos trechos de suas Novelas Exemplares. Do segundo, santiaguino nascido em 1953 e considerado um dos principais autores latino-americanos de todos os tempos, a obra escolhida é Putas Assassinas, que reúne 13 narrativas curtas. Venha e traga um livro não-didático. Para saber mais e acompanhar as outras edições, visite o blog do projeto EntreMundos.

11
jul

Uma manhã na praça, tomando sorvete de limão e ouvindo sabiás-crianças-sino-de-igreja. O encontro inesperado com Pedro Bandeira, autor da minha infância, com direito a abraço apertado, fotografia e dedicatória. A doce embriaguez das gelatinas de cachaça. Um animado Reinaldo Moraes, de Pornopopéia, dançando forró no pátio da Casa da Cultura. Paraty de manhãzinha da janela do meu quarto com paredes verdes. Sandro, de 10 anos, me contando a história do livro de Loyola Brandão que acabara de ler sob uma árvore. O teclado lindamente cafona de Marcelo Jeneci durante o show do Arnaldo Antunes. Os poemas lidos por Carol Ann Duffy, capazes de me fazer amar de novo a língua inglesa. Os poemas de Paulo Henriques Britto, capazes de me encantar sempre. As lágrimas de valter hugo mãe depois de ler sua carta sobre o Brasil. O Fado de Cada Um, canção portuguesa dos anos 50 cantada à cappella por ele, num barco, durante o coquetel da CosacNaify. David Byrne saindo de fininho do show de Arnaldo Antunes. Serrote 8 1/2. A comovente história das bolinhas de gude do avô narrada por Ignácio de Loyola Brandão. A cerveja compartilhada e o papo comprido com o escritor mineiro Carlos de Brito e Mello na festa da editora Globo. O beijo de batom de Pola Oloixarac na primeira página de suas Teorias Selvagens. A primeira vez que ouvi o idioma húngaro -o único que o diabo respeita -, lido por Péter Esterházy, que um dia vai ganhar o Nobel. A aula inesquecível de Antonio Candido sobre Oswald de Andrade. Camarões flambados na cachaça e saquê para acompanhar. O autógrafo indecifrável de Emmanuel Carrère num exemplar antigo de O Bigode, esgotado há tempos. Os cafés da manhã lactovegetarianos e as conversas infinitas com Ana Terra. Manifestações, protestos e flashmobs a qualquer esquina. O abraço coletivo no reencontro com Gil e Ciça, amigas paulistanas da primeira Flip. Fotografias do Alto Xingu projetadas na parede, na esquina da Matriz com a Samuel Costa. Tudo o que deixei de escrever e de fotografar, mas permanece guardado aqui, do lado esquerdo da camisa.


(Eliane, Ana Terra, eu, Felipe Arruda e Carla Alves curtindo os últimos dias da Flip.)

11
jul

Em agradecimento à Petrobras, que convidou este blog para passar alguns dias no paraíso de todo leitor, escrevi este texto. Não chega a ser um relato comovente, como a carta lida por valter hugo mãe, nem uma crônica brilhante, como as escritas pelo Antonio Prata, mas é genuinamente verdadeiro.

Foram dezenas de mesas literárias e livros autografados, páginas e páginas de anotações em caderninhos minúsculos e incontáveis quilômetros percorridos pelas vielas pedregosas de Paraty. A 9a Flip terminou ontem, fazendo desta segunda-feira uma existência particularmente difícil, menos pela estafa física da jornada do que pela nostalgia dos últimos dias. Nostalgia dos novos amigos e da circulação frenética de ideias, das conversas delirantes em torno de livros, autores, experiências e sonhos. Da paisagem colonial, da música dos cafés, das histórias compartilhadas, que ficarão por muito tempo.

Antes de voltar para casa, olhei para os meus pés e reparei como meus tênis estavam imundos. Então, me ocorreu que durante a Flip lemos pouco e caminhamos muito. Não há nada de errado com isso. Afinal, passamos o ano inteiro devorando livros, merecemos viver essa epifania literária coletiva na primeira semana de julho em Paraty. Um tempo de festa, de celebrar a literatura não só nas bibliotecas e livrarias, mas também nos bares, cafés, debaixo de uma árvore, ouvindo as badaladas do sino da igreja.

E, às vezes, ler o mundo e a vida com os pés pode ser mais interessante do que ler com a cabeça, o que de algum modo nos sugere Oswald de Andrade, o homenageado desta Flip. O famoso Abaporu, presenteado por Tarsila no dia do aniversário do modernista, tem pés gigantes e uma cabeça pequenininha, invertendo o Pensador de Rodin e homenageando o corpo, a mobilidade, a experiência do caminhante errático. Se a tela falasse, ela contaria a importância de pensar por si próprio e andar com os próprios pés. E é assim, errando em tropeços pelas ruas de Paraty, com a cabeça enfiada em livros ou nas nuvens, que a Flip se abre para nós. 

E cada poeirinha destes tênis imundos está orgulhosamente impregnada desta semana, destas histórias.

08
jul

Desde que o primeiro capítulo do livroremorso de baltazar serapião” foi publicado na revista curitibana Arte e Letra Estórias, no ano passado, o nome de valter hugo mãe tem me despertado interesse. Ao chegar em Paraty, comprei na Livraria da Vila seu elogiado “a máquina de fazer espanhóis“, que provavelmente só lerei depois da flip. Mas, mesmo sem ter lido praticamente nenhum texto do autor português, nascido em Angola, é difícil não me tornar sua grande admiradora. mãe (sempre em minúsculas, como ele gosta) tem fala tranquila e inteligente, e suas colocações são sempre pontuadas de humor, afeto e uma certa melancolia.

Depois da declaração de amor que fez ao Brasil na mesa de hoje - que pode ser lida aqui, na íntegra -, mãe ganhou fãs apaixonados, para os quais dedicou mais de 4 horas assinando seus livros. Se o português - que até o mês passado era um completo desconhecido no país - será lido por todos que ganharam seu autógrafo hoje, isso não se sabe. Mas ele se mostrou muito aberto ao desejo de estreitar o diálogo literário entre Brasil e Portugal - e isso desde seus tempos de editor, quando publicou a até então inédita poesia completa de Ferreira Gullar daquele lado do Atlântico.

Na mesa de hoje, que ele dividiu com uma exuberante Pola Oloixarac, mãe falou sobre sua tetralogia, concluída com “a máquina de fazer espanhóis”. Os quatro romances estão traçados em torno de personagens com 8, 19, 40 e 84 anos de idade, percorrendo todo o ciclo da vida humana. O próximo projeto, segundo ele, pretende ser algo bastante autobiográfico, sobre um homem que em certo ponto da vida passa a traçar estratégicas para formar uma família. Se tornar pai. Prestes a completar 40 anos, mãe disse acreditar que existe, dentro de nós, um tipo de amor reservado para alguém que ainda não nasceu. E contou que mãe é um nome inventado, em homenagem ao “ser mais incondicional que existe”. Para ele, que nasceu Valter Lemos, a utopia do artista é justamente criar uma relação incondicional com sua obra e fazer com que ela exprima e possa influir na vida de seus leitores.

Pontos de fuga era o nome da mesa que reuniu mãe e Pola Oloixarac. Achei até curioso, porque Pola parecia estar “fugindo” do papel sentimental e emotivo historicamente destinado à mulher na literatura, ao lançar um romance divertido mas muito cerebral e intelectualmente ambicioso; enquanto valter hugo mãe revelou uma fuga em direção contrária, do homem que escolhe o papel amoroso, familiar e incondicional da mãe. Para terminar a mesa mais emotiva da flip até agora, lágrimas e aplausos não poderiam faltar.

08
jul

Já aconteceu com você de a internet inteira falhar, exceto o Facebook? Pois bem, diante da minha impossibilidade de descarregar meus registros fotográficos aqui no blog, tive de recorrer a mais social das redes e postar tudo lá, no Facebook.

O dia de hoje foi cheio. De manhã, tentativa frustrada de ouvir Ana Maria Machado e Bartolomeu Campos de Queirós na Casa da Cultura. Mas logo fui recompensada com o lirismo crítico de Paulo Henriques Britto - um dos poetas de que mais gosto -, na mesa que dividiu com a britânica Carol Ann Duffy - quem me fez recuperar o amor pelo idioma inglês, enquanto lia seus poemas e nos brindava com seu belo sotaque. A Cia das Letras distribuiu um caderninho com a seleção dos versos de Britto em edição bilíngue, alguns deles traduzidos pelo autor. Dentre as suas “Nove variações sobre um tema de Jim Morrison“, reproduzo a última aqui:

Todo todo é menor que a menor parte,
muitos mundos cabem numa avelã.
Não há dia que não morra numa tarde,
nem noite que não se acabe em manhã.

E, como a noite já vai tarde, melhor dormir (talvez sonhar), porque amanhã cedo tem viagens literárias com Andrés Neuman e Michael Sledge. Na sequência, Pola Oloixarac, valter hugo mãe (que ouvi agora pouco no painel da Brazilian Publishers sobre a promoção da literatura brasileira no exterior), Emmanuel Carrère, Péter Esterházy, Lourenço Mutarelli, Ignácio Loyola Brandão e o dia vai ser grande demais para caber numa avelã.