02
abr

Se a sua carteirinha da Biblioteca Pública do Paraná não está perdida para sempre dentro de uma gaveta, eis uma boa notícia: desde o dia 28 de março, três mil novos livros estão disponíveis para empréstimo, entre clássicos da literatura e lançamentos recentes. As aquisições foram feitas pela Secretaria de Estado da Cultura (SEEC) no final do ano passado, somando um investimento de aproximadamente R$ 60 mil. A seleção dos títulos ficou a cargo de uma comissão formada por membros do Conselho Editorial, da UFPR, da BPP e da SEEC. Rogério Pereira, novo diretor da instituição, conta que as prateleiras de poesia cresceram com a aquisição de obras de Vinicius de Moraes, Fernando Pessoa, Carlos Drummond de Andrade, Pablo Neruda e muitos outros. Entre os romances, a relação também é especial, com a coleção completa de Jorge Amado, Gabriel García Márquez, Thomas Mann, Rubem Fonseca, Chico Buarque e Ruy Castro, para citar alguns. Não faltam ainda autores estrangeiros, contemporâneos brasileiros (como Bernardo Carvalho , Luiz Ruffato, Domingos Pellegrini e Luiz Alfredo Garcia-Roza), biografias e literatura infantojuvenil - com todos os livros do Monteiro Lobato, além de obras da escritora Ruth Rocha e as aventuras do francês Asterix. Os novos livros, que agora integram o acervo de mais de 530 mil volumes da biblioteca, estão dispostos em destaque no hall de entrada. Vá lá e faça a festa.

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25
fev

Flores Azuis, de Carola Saavedra, foi o vencedor da Copa em 2009.

Quem achava que a Copa de Literatura Brasileira teria terminado, ou que só aconteceria como o torneio futebolístico, a cada quatro anos, se enganou. Apesar de a bola não ter rolado no ano passado, a tabela de “jogos” deste ano já foi divulgada e a primeira partida começa na próxima segunda-feira. Em 2009, a última edição até agora, o grande vencedor foi Flores Azuis, de Carola Saavedra.

Para quem ainda não conhece, a Copa de Literatura Brasileira é uma brincadeira criada na internet por alguém apaixonado por livros (Lucas Murtinho), inspirada na competição americana Tournament of Books. 16 livros lançados no ano anterior se enfrentam em partidas decididas por um árbitro/crítico, que publicam no site uma resenha justificando o resultado do jogo. Na grande final, todos os árbitros votam, o que costuma render uma divergência incrível de opiniões. A área de comentários, espécie de arquibancada dos jogos, também não deixa barato e traz novos pontos de vista sobre as obras - às vezes, é claro, sobra todo tipo de insulto ao pobre do juíz. Em 2011, foram escaladas 16 obras lançadas entre 2009 e 2010. O primeiro embate será entre os romances “Como desaparecer completamente“, de Andre de Leones, e “Olhos secos“, de Bernardo Ajzenberg. E você, torce pra quem?

04
fev

Um dos maiores ícones da literatura mundial, o Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, acaba de ganhar uma roupagem “ambientalmente correta”. O pitoresco cavaleiro, seu fiel escudeiro Sancho Pança e o cavalo Rocinante foram convertidos em esculturas de materiais recicláveis pelas mãos do artista visual paulistano Silvio Galvão, na exposição “Uma Aventura Quixotesca”. Em cartaz no piso L1 do Palladium Shopping Center até o dia 28 de fevereiro, a iniciativa também serve para divulgar ao público que este é o único shopping Ehco Lixo Zero do país, de acordo com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP).

Para a escultura de Dom Quixote foram usadas 2 mil latinhas de refrigerante, 2 mil lacres de latinha, 30 quilos de papel e sobras de isopor. O resultado é um “Quixotão” com mais de 4 metros de altura. Já o Sancho Pança levou 120 câmaras de bicicleta, retalhos de pano e outros cacarecos. Relógios, óculos, liquidificador, lanterna, cabo de guitarra, bomba de descarga e até um teclado de computador serviram de matéria-prima para o Rocinante. Materiais que, obviamente, nem existiam quando Cervantes criou a obra, em 1605.

30
dez

A revista BRAVO! deste mês publicou sua lista dos dez melhores livros de literatura brasileira dos anos 2000. Em primeiro lugar aparece O Filho Eterno, romance de 2007 do catarinense radicado em Curitiba, Cristóvão Tezza. O resultado já era esperado: em 2008, a obra, que narra a relação entre um pai e seu filho portador de síndrome de Down, recebeu todos os prêmios literários daquele ano.
A lista da BRAVO! segue com Em Alguma Parte Alguma, de Ferreira Gullar, que marca o retorno do autor maranhanse após onze anos sem publicar poesia. Em terceiro lugar está Budapeste, de Chico Buarque - para mim, sua melhor obra. Milton Hatoum e Bernardo Carvalho vêm em seguida, respectivamente com Cinzas do Norte e Nove Noites.
Senti falta de caras como Ronaldo Correia de Brito, Marçal Aquino, Beatriz Bratcher e Carlos de Brito e Mello, para citar alguns. Mas não deixa de ser um belo painel da literatura nacional.

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29
dez

Para não perder o costume, eis uma pequena lista das minhas melhores leituras do ano que está terminando. 2011 será a vez de encarar Thomas Pynchon, Honoré de Balzac (prometi fazer isso ao chegar nos trinta), o Moby Dick do Melville e o Solar do McEwan (que já está a postos, na cabeceira). Mas espero ser surpreendida por outros autores, clássicos e contemporâneos, daqui e dali.
Que no ano que vem você também tenha grandes momentos na companhia de livros (e de pessoas) de grande valor.

1. A passagem tensa dos corpos (Carlos de Brito e Mello)
2. Respiração artificial (Ricardo Piglia)
3. Juventude (J. M. Coetzee)
4. Quase memória (Carlos Heitor Cony)
5. Na praia (Ian McEwan)
6. Pájaros en la boca (Samanta Schweblin)
7. Esquimó (Fabrício Corsaletti)
8. Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios (Marçal Aquino)
9. Intérprete de Males (Jhumpa Lahiri)
10. Raul Taburin (Sempé)

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02
dez

Uma das homenagens à sonoridade da língua brasileira mais originais que já vi/ouvi. Neste vídeo, produzido pelo Instituto Moreira Salles, o poema Uma Pedra no Meio do Caminho, de Carlos Drummond de Andrade, é declamado em diversos idiomas, como Latim, Hebraico, Espanhol, Holandês e Tupi. Não sei dizer em qual deles é mais bonito, mais sonoro, mais triste.

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21
nov

Mais uma iniciativa a favor dos livros acaba de integrar o programa Curitiba Lê, da Fundação Cultural da cidade. O histórico bondinho da Rua XV, que já foi espaço de recreação para crianças e andava meio abandonado, passa a abrigar, desde sábado, uma biblioteca com 2,5 mil livros. Para emprestá-los gratuitamente, basta apresentar um documento de identidade com foto e o comprovante de endereço. O espaço, batizado de Bondinho da Leitura, funciona das 8h30 às 19h30 em dias de semana e das 8h30 às 14h30 aos sábados. O acervo, é claro, nem se compara ao da Biblioteca Pública do Estado, a meia quadra dali, mas emprestar um livro no famoso bonde tem lá o seu charme.

Foto: Maurilio Cheli

09
nov

A Corrente Cultural de Curitiba, que segue até o dia 14/11, tem sido um verdadeiro presente na vida da cidade. Mas, entre shows, espetáculos e todo tipo de atração, um grupo de crianças viveu uma experiência diferente na noite do último sábado para domingo. O projeto, batizado de Uma Noite na Biblioteca, levou 45 alunos da 4a série da Escola Municipal Laís Peretti para “dormir” na Biblioteca Pública do Paraná, em uma espécie de acantonamento.

Dormir é jeito de falar, porque a madrugada foi recheada de atividades lúdicas e culturais. Durante 16 horas, elas passearam com lanternas pelas salas da biblioteca, conheceram seu acervo de livros raros, ouviram música e estórias, assistiram filmes, peças de teatro e comeram muita pipoca com cachorro-quente. O projeto foi desenvolvido pelas bibliotecárias Vilma Aparecida Gural Nascimento e Lidiamara Alves da Rosa Gross com o objetivo de desmitificar a ideia que as crianças têm deste lugar. “Muitas delas são deixadas de castigo dentro da biblioteca. A nossa proposta é aproximá-las das salas de leitura e mostrá-las que a biblioteca é um lugar onde elas podem jogar xadrez, ler, dormir, ver filmes e marcar encontros”, explica Vilma.

Foto: Fernando Augusto

22
ago

Domingo é o dia perfeito para atualizar as leituras. Hoje, lendo a edição de agosto do jornal Rascunho, me deparei com um texto interessante do José Castello publicado anteriormente em seu blog, A Literatura na Poltrona, sobre o medo como matéria-prima e força motriz da literatura. O escritor e jornalista evoca, então, duas figuras que muito tinham a dizer sobre o tema: Clarice Lispector e Julio Cortázar. A primeira, certa vez, depois de ler os originais de um conto do jovem Castello, tachou-o de medroso (”com medo ninguém escreve”, teria dito). Cortázar, por outro lado, encontrava justamente no sobrenatural, naquilo que mais o atormentava, a inspiração e o impulso para sua obra. (Diz-se, inclusive, que ele chegou a exorcizar alguns demônios interiores depois de escrever o conto “Carta a uma senhorita em Paris”, no qual o protagonista metaforicamente vomitava coelhinhos brancos.) Em minha leitura do artigo de Castello, sublinhei os seguintes trechos:

A literatura não é só filha do talento, da disciplina e da inspiração. Nasce, também, de sentimentos detestáveis que, de outra forma, talvez nos atormentassem até o fim dos nossos dias. Nasce do que temos de melhor, mas também do que temos de pior, e é preciso dizer isso com todas as letras“.

“A leitura de ficções muitas vezes gera medos que só se solucionam qando escrevemos novas ficções”.

O vórtice do pavor sempre foi a manifestação do sobrenatural, daquilo que não se pode tocar nem ouvir nem ver com os sentidos habituais” (citando Cortázar). “Em outras palavras: a literatura precisa do medo porque atua como um substituto do tato, da audição e da visão. O que não se pode nem tocar, nem ouvir, nem ver, ainda assim, se pode ler (e aqui a literatura se afirma como uma máquina de imaginar): só com esse substituto é possível inventar, sonhar, imaginar“.

Tanto na obra da brasileira quanto na do argentino o medo está lá, na forma de enfrentamento, transcendência, memória da infância, companheiro inseparável. Como disse o Castello, “não importa se você encara um abismo, ou se lhe dá as costas: o risco de cair é o mesmo. Nem olhar, nem fechar os olhos destroem o abismo.”

18
ago

Há dois meses o escritor e gonzojornalista Cardoso (a.k.a André Czarnobai) e Julio Daio Borges, editor do Digestivo Cultural, participaram de um giro paranaense a convite do Autores & Ideias, evento do Sesc-PR que este ano já trouxe Daniel Galera, Fabrício Carpinejar, Daniel Pellizzari e Marcelino Freire para discutir os caminhos e atalhos da literatura brasileira na internet. Todo mês são cinco cidades percorridas: Curitiba, Londrina, Maringá, Pato Branco e Cascavel. As impressões sobre essa experiência foram narradas pelo Julio aqui mesmo, no Digestivo. (Mas essa é só a primeira parte da aventura.) Em setembro, logo depois da Semana Literária do Sesc, o Autores & Ideias convida Cristovão Tezza e Daniel Piza para conversar sobre tecnologia e leitura no cotidiano. Não dá pra perder.