21
ago

Foi divulgada hoje pela Câmara Brasileira do Livro a lista com os finalistas do 51º Prêmio Jabuti. A segunda fase, quando serão conhecidos os três vencedores de cada uma das 20 categorias, está marcado para o dia 29 de setembro. Por enquanto, confira os nomes dos autores aqui. Os ganhadores de Livro do Ano Ficção e Livro do Ano Não-Ficção só serão revelados em novembro, durante a cerimônia de premiação.

07
ago

Em outubro de 1849, o escritor norte-americano Edgar Allan Poe foi encontrado nas ruas de Baltimore em profundo estado de delírio, vestindo roupas que não eram suas e repetindo sem parar o nome “Reinolds”. Levado para um hospital da região, morreu quatro dias depois. Até hoje a causa de sua morte continua sem explicação.
Esse mistério será levado às telas de cinema pelo diretor James McTeigue (V. de Vingança), sob o título “The Raven” (O Corvo), que batiza um dos poemas mais conhecidos do autor, cujo bicentenário foi comemorado em janeiro deste ano.

21
jul

Quando eu digo que o Kindle é coisa do tinhoso, ninguém acredita.

Pois, na semana passada, quem adquiriu o clássico “1984″ de George Orwell na versão eletrônica certamente se sentiu vigiado pelo Grande Irmão. É que, depois de constatar problemas com os direitos autorais da obra, a Amazon simplesmente invadiu os Kindles alheios e apagou o livro de Orwell das “teletelas” de seus usuários.
(Bom, pelo menos teve a decência de devolver os US$ 0,99 investidos na compra.)

Situação semelhante seria você comprar um livro da Companhia das Letras, depositá-lo no criado-mudo depois de ler algumas páginas e, de manhãzinha, descobrir que a editora entrou no seu quarto e confiscou a obra após perceber erros de revisão. Isso, é claro, sem esquecer de deixar seu dinheiro em notas amassadas, ao lado do travesseiro. Duro mesmo é ficar sem saber o fim da história

Quanto a mim, continuo preferindo livros de papel, que ainda são mais seguros.

29
mai

Semanas atrás a revista Época divulgou um projeto interessante para quem quer publicar livros sem ter que passar pelas mãos de uma editora. O Clube de Autores é um site que viabiliza a publicação de livros por demanda sem que o autor tenha qualquer custo. Basta descarregar a obra em pdf, escolher modelo de capa, definir quanto quer receber pela venda do livro e pronto, ele fará parte do catálogo do Clube de Autores. Aí, quem quiser comprá-lo entra no site, clica na capa, o pedido vai direto pra gráfica - que imprime um a um - e em seguida é despachado pro comprador, que o recebe em casa. Quando o autor acumular um montante mínimo de 300 reais, passa a receber os direitos autorais do livro. A princípio, a coisa me pareceu muito inteligente e sedutora para os novos autores. Mas o fato de qualquer pessoa poder subir seus livros na página, sem nenhuma curadoria editorial, pode desmerecer a qualidade das obras. Mas tudo ainda é muito novo, ainda é cedo pra fazer julgamentos. Espero que o Clube de Autores se mostre uma ferramenta bacana para democratizar bons livros sem que escritores e leitores sejam manipulados pelas grandes editoras do país.
Quer saber mais? Entre aqui.

19
mai

Morreu neste domingo, 17 de maio, o escritor uruguaio Mario Benedetti. Autor de mais de 80 obras, entre poesia, romance, conto e ensaio, Benedetti é um dos principais nomes da literatura uruguaia, ao lado de Juan Carlos Onetti e Felisberto Hernández, tendo recebido os prêmios José Martí em 2001 e Menéndez Pelayo em 2005.

Duas semanas atrás, sabendo que Mario havia sido internado por complicações de uma doença intestinal crônica, convidei a atriz Ludmila Nascarella para homenagear o poeta durante a festa de lançamento do Orelha do Livro, com a leitura de seu famoso poema ‘Señales’, no original. “Mírame pronto/ antes que en un descuido/ me vuelva otro”, diz um dos versos.

Antes de seu último internamento, Mario estava trabalhando em um novo livro de poesias, com o título provisório de “Biografia para encontrarme”. Para prestar mais uma homenagem ao autor de “A trégua”, incluo aqui a leitura do poema El Puente, na própria voz de Benedetti, retirado do disco “Inventário Dos”. Para ouvir, clique no podcast.

 
icon for podpress  El Puente, de Mario Benedetti [0:57m]: Play Now | Play in Popup | Download

28
abr

O projeto LivroClip, que reúne mais de 150 animações multimídia com base em obras da literatura universal, publicou na semana passada este minidocumentário sobre o poeta Fernando Pessoa. É um video bem superficial, na verdade, mas traz uma linguagem jovem que o torna excelente como material didático pra uso em sala de aula. Pra ver outros videos como esse, entre no site do LivroClip.

24
abr

Se o Dia Mundial do Livro é celebrado em 23 de abril (ontem), é porque nesse mesmo dia nasceu e morreu William Shakespeare (1564-1616), que aliás morreu no mesmo dia, mês e ano que Miguel de Cervantes. E por falar no autor da obra mais importante escrita em castelhano, “Dom Quixote de La Mancha” de Cervantes acaba de receber sua primeira tradução para o guarani, a segunda língua mais falada no Paraguai. Quem se encarregou da quixotesca tarefa foi o escritor paraguaio e especialista em guarani, Félix de Guarania, um senhor de 84 anos e longa barba branca, que levou oito anos para concluir a tradução. Ele contou ainda com a colaboração do jornalista e poeta paraguaio Mario Rubén Álvarez. Antes de se aventurar pela tradução da obra-prima de Cervantes, de Guarania já havia transposto para o guarani o poema épico de José Hernandéz, “Martín Fierro”, além de obras do espanhol Gustavo Adolfo Bécquer e do libertador de Cuba, José Martí. Justificando o próprio trabalho, ele questiona:

“Por que é que Dom Quixote não haveria de cavalgar pelos campos e selvas do Paraguai, se cavalgou por todo o mundo? Acaso o guarani é uma língua incapaz de traduzir os pensamentos, as concepções, as emoções de um homem que agora é imortal, Miguel de Cervantes?”

Ilustração: Gustave Doré

20
abr

Durante a 5ª Cúpula das Américas, que terminou este domingo, o presidente venezuelano Hugo Chávez presenteou Barack Obama com um clássico da literatura política no continente: “As veias abertas da América Latina“, escrito em 1971 pelo uruguaio Eduardo Galeano (foto). O gesto de Chávez foi responsável por colocar o livro no segundo lugar de vendas no site www.amazom.com. Qual foi o primeiro? “Liberty and Tyranny: a Conservative Manifesto” (Liberdade e Tirania: um Manifesto Conservador), de Mark R. Levin. Não poderia haver paradoxo maior na lista de bestsellers.

06
abr

Na última semana, Carmen Balcells e Gerald Martin – respectivamente a agente literária e o biógrafo de Gabriel García Márquez – afirmaram não acreditar que o vencedor do Nobel de Literatura de 1982 voltará a escrever algum livro. Aos 82 anos e sem publicar desde “Memórias de minhas putas tristes”, de 2004, o mestre do realismo mágico acaba de rebater as declarações em breve entrevista para o jornal colombiano El Tiempo: “Meu ofício é publicar, não escrever. Eu saberei quando estiverem no ponto os bolos que estou assando”, respondeu Gabo, provando que não apenas continua escrevendo como ainda mantém seu extraordinário senso de humor.

(Foto: García Márquez e um Julio Cortázar mascarado em foto de Sara Facio.)

31
mar

Mais de 46 mil livros viraram cinzas no Instituto Autônomo de Bibliotecas do estado de Miranda, o segundo mais populoso da Venezuela. Segundo Miriam Hermoso, presidente da instituição, os livros foram destruídos pela anterior gestão regional por “motivos ideológicos”. Ela afirmou que as obras estavam relacionadas com o que consideram “o império norte-americano”, citando como exemplo “histórias infantis onde há neve”. De acordo com Hermoso, a gestão anterior deu mais importância à literatura revolucionária e seu principal objetivo era a formação ideológica”.
Em artigo para o jornal venezuelano El Universal, Beatriz W. De Rittigstein lembra a frase do poeta alemão Heinrich Hein, de 1821: “Aí onde se queimam livros, também acabam queimando seres humanos.”

Cena do filme Farenheit 451, de François Truffaut, baseado no livro homônio de Ray Bradbury.