02
nov

Foto: Matheus Dias

Justamente hoje, no dia dos mortos, nasce Vida Breve, novo endereço virtual dedicado à publicação de crônicas brasileiras. Serão catorze cronistas e ilustradores de todo o país, uma dupla para cada dia da semana. A iniciativa surgiu dos jornalistas Rogério Pereira (editor do jornal literário Rascunho) e Luís Henrique Pellanda (colunista de Rascunho e escritor, que em novembro lança seu primeiro livro de contos, O Macaco Ornamental.) Os editores de Vida Breve planejam, futuramente, postar no site crônicas e ilustrações inéditas de outros artistas convidados. Veja quem faz parte do time fixo:

Segunda-feira
Cronista: Rogério Pereira
Ilustrador: Ricardo Humberto

Terça-feira
Cronista: Eliane Brum
Ilustrador: Ramon Muniz

Quarta-feira
Cronista: Fabrício Carpinejar
Ilustrador: Osvalter

Quinta-feira
Cronista: Luís Henrique Pellanda
Ilustrador: Simon Ducroquet

Sexta-feira
Cronista: Tatiana Salem Levy
Ilustrador: Felipe Rodrigues

Sábado
Cronista: Ana Paula Maia
Ilustradora: Tereza Yamashita

Domingo
Cronista: Humberto Werneck
Ilustrador: Marco Jacobsen

Leia um trecho da crônica de estréia:

“Os olhos espetados no vazio pintam e aguçam os traços de um homem perdido, sozinho e falante. É louco. Teimo em não acreditar. Murmura, enquanto observa, ao lado do caixão, o burburinho agoniado e as lágrimas. Não se comove por estar diante do morto; o copo plástico de café na mão direita e o pão na esquerda.”
Trecho da crônica “Café dos Mortos ou Natália e a Suavidade das 21 Facadas”, de Rogério Pereira, ilustrado por Ricardo Humberto (segunda-feira de Finados, 2 de novembro)

Foto: Matheus Dias

15
ago

Há exatos cem anos, no dia 15 de agosto de 1909, o escritor, repórter, intelectual e militar (numa época em que alguém podia ser militar e intelectual) Euclides da Cunha era assassinado pelo amante de sua mulher, Dilermando de Assis. Euclides ficou conhecido mundialmente por “Os Sertões”, um dos livros mais completos, épicos e volumosos já escritos sobre a cultura brasileira. Considerado um híbrido entre romance, poesia e estudo histórico-sociológico sobre a guerra de Canudos, “Os Sertões” foi publicado em 1902, e pode ser lido gratuitamente na íntegra em versão eletrônica, aqui.

28
jun

A biblioteca comunitária criada pelo jornalista Alessandro Martins na padaria Pote de Mel, em Curitiba, ganhou uma bela crônica do José Carlos Fernandes no jornal Gazeta do Povo da semana passada. Eu, que frequento o local e já doei alguns itens da minha biblioteca pessoal, sou fã da iniciativa, e fã também do texto do JCFernandes, que você pode ler na íntegra aqui. “É bom que os livros venham do mesmo lugar onde é feito o pão”, não é mesmo? A propósito, se você souber de outros projetos de incentivo à leitura rolando em sua cidade, escreva pra gente contando como funcionam.

28
mar

Por Rodrigo Jardim

Um amigo do meu melhor amigo disse que tinha um conhecido que levava livros para passear. Nada oficial, apenas o desejo insólito de vagar a esmo acompanhado de duas ou três brochuras pelas ruas da cidade. Posso ver esse sujeito sentado diante de uma praça a folhear seus livrinhos ao vento pelo puro apego e carinho pelas letras impressas. Se o livro é esse veículo que invariavelmente nos leva tão longe, por que não levá-lo uma vez ou outra para passear? Conversa de maluco? Quem sabe? O fato é que andanças com livros são salutares. Em primeiro lugar para arejar os livros, evitando mofo e minimizando a umidade presente em suas páginas. Em segundo lugar – e quem tem livros sabe – caminhar com eles é bom porque uma hora ou outra é possível abri-los e lê-los. Essa pausa para a leitura é básica. Nunca se sabe o tempo que poderemos perder numa fila de banco, em um consultório odontológico ou no trânsito de São Paulo, por exemplo. É bom tê-los à mão. Sua companhia é mais adequada que a de um celular, que sempre toca na hora errada. Um livro é sempre aberto na hora certa. Nas ilhas desertas que se transformaram nossas cidades – ilhas de desespero, miséria insensibilidade, loucura, medo, violência, poluição atmosférica e visual e essa lista é interminável - livros são benditas e benéficas mensagens encontradas em uma garrafa. Ande com eles.

(foto: Moriza)