05
dez

No dia em que a “musa” das letras brasileiras, Clarice Lispector, completaria 91 anos, surge no país uma iniciativa para divulgar e homenagear a escritora: o projeto Hora de Clarice, liderado pelo Instituto Moreira Salles em parceria com a Editora Rocco. No dia 10 de dezembro, várias capitais brasileiras promoverão palestras, leituras, debates e até um sarau na internet. A ideia é que a celebração se transforme num evento anual - a exemplo do Dia D, que em outubro homenageou o poeta Carlos Drummond de Andrade.

A Editora Rocco, que edita a obra de Clarice no Brasil, está agitando o Twitter e Facebook com notícias, videos e fotografias do acervo da escritora, como esta que ilustra o post. Acesse e participe do sarau virtual promovido pela editora, que irá sortear exemplares de Clarice na Cabeceira e Crônicas para Jovens aos seguidores mais ativos das redes sociais.

Confira a programação de A Hora de Clarice em diversas cidades brasileiras e também em Buenos Aires. Depois, leia essa entrevista com o escritor José Castello, organizador de Clarice na Cabeceira.

30
out

Se em 16 de junho o mundo relembra a obra mais famosa de James Joyce, no chamado Bloomsday, por que o Brasil não pode ter uma data inteiramente dedicada a um de seus maiores poetas, Carlos Drummond de Andrade? Nascido em 31 de outubro de 1902, o autor de “No meio do Caminho” comemoraria amanhã 109 anos. E um de seus maiores admiradores, o também poeta Eucanaã Ferraz, propõe que a data, batizada de Dia D, seja transformada num dia de grande comemoração nas escolas, bares, livrarias e universidades, com debates, leituras, oficinas e projeções de filmes. A ideia, apadrinhada pelo Instituto Moreira Salles, vem ganhando novos entusiastas a cada dia. Conheça o projeto neste site, onde dá para assistir a alguns videos de fãs do Drummond lendo seus poemas preferidos. Eu já deixei a minha homenagem aqui.

15
out

Nos próximos dias, não faltarão oportunidades para discutir, ler e ouvir literatura em Curitiba:


(Foto: Eduardo Ortega)

Na segunda-feira, dia 17/10, o Paiol Literário recebe o paulista Nuno Ramos para falar sobre suas experiências nas letras e nas artes plásticas. Autor de “O Pão do Corvo” e “Ó”, entre outros livros, Nuno foi vencedor em 2009 do Prêmio Portugal Telecom. O encontro acontece às 20h no Teatro Paiol. Quem perder o papo mediado pelo jornalista Rogério Pereira poderá ler a entrevista com Ramos na edição posterior do Jornal Rascunho (ou no site), e em breve os encontros no Paiol também serão disponibilizados em vídeo, numa parceria com a emissora curitiba ÓTV.


(Foto: Bel Pedrosa)

No dia seguinte, é a vez do carioca Sérgio Sant’Anna participar da oitava edição do projeto “Um Escritor na Biblioteca”, da Biblioteca Pública do Paraná. O bate-papo com o autor de “Um Crime Delicado” e “O Vôo da Madrugada” será às 19h no Auditório Paulo Garfunkel da BPP, com mediação do jornalista e escritor Luís Henrique Pellanda.

Para esticar o programa literário, uma boa pedida na mesma noite é a apresentação dos Dublês de Dublin, no Wonka Bar. O projeto poético-musical foi criado há 4 anos por Ivan Justen Santana, e trará poemas, versões de canções (segundo o email que recebi, espécie de “folk punk universitário“) e trabalhos autorais, incluindo o do músico e compositor Adriano Sátiro, convidado especial da noite.

Na quarta-feira, as já tradicionais leituras no Teatro da Caixa, pelo projeto EntreMundos trazem para o palco textos do austríaco Arthur Schnitzler e o tcheco Milan Kundera. Os livros escolhidos foram respectivamente “Crônica de uma vida de mulher” e “Risíveis amores”. A direção fica por conta de Luciana Barone, com execução musical de Felipe Ayres e mediação minha.

Entre os dias 18 e 27 de outubro, o ciclo do SESCPR Autores & Ideias, sob curadoria minha, recebe Vitor Ramil e Ronaldo Bressane para falar sobre as relações entre a literatura e outras vertentes artísticas na mesa “Conexões Literárias”. O bate-papo começa em Londrina e passa pelas sedes do SESC em Paranavaí, Umuarama, Ponta Grossa, Paranaguá e Curitiba (Paço da Liberdade, dia 25/10). Confira a programação aqui (inicialmente, um dos convidados seria Marçal Aquino, mas ele precisou cancelar a participação.)

Todas as atrações têm entrada gratuita, e não seria mal que estivessem todas lotadas :)

01
jul

Outro dia eu li o comentário de alguém no Facebook reclamando que, com a chegada das férias escolares, não sabia o que fazer com os rebentos em casa. Não há cartoon network que dê conta do tempo livre da criançada, que logo se entedia e quer fazer coisas diferentes. Considerando que o clima em Curitiba não ajuda muito, e uma hora até a melhor das bibliotecas começa a se repetir, uma boa sugestão é a Colônia de Férias da Bisbilhoteca, uma simpática livraria especializa em títulos infantojuvenis, a meia quadra da praça Espanha.
Entre os dias 04 e 22 de julho, não vai faltar arte, literatura, criatividade e diversão para os pequenos. A coordenação é de Guga Cidral, que toda semana trará um convidado novo. A programação da colônia de férias é de segunda a sexta, mas no sábado a casa também está aberta, trazendo muita brincadeira e contação de histórias.

Informe-se e não deixe a meninada na frente da TV o dia inteiro:
Bisbilhoteca Cultura Infantojuvenil
Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1166 - Bigorrilho - Curitiba
(41) 3223-3038

08
mar

A escritora Susan Blum - que no final do ano passado lançou seu livro de estreia, “Novelos Nada Exemplares” - estará duas vezes este mês na Livrarias Curitiba do Shopping Estação para falar de poesia, ler contos e autografar seu livro. Será nos dias 14 e 24 de março, às 19h30. Recado dado, não deixem de aparecer. A autora também marca presença na edição deste mês da revista virtual Agulha, com uma série de ensaios sobre Julio Cortázar.

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21
abr

No dia 08 de abril de 2000, uma década atrás, nascia em Curitiba o jornal Rascunho – inicialmente um suplemento do Jornal do Estado, hoje uma das publicações sobre literatura de maior prestígio e relevância no país. Leia na íntegra a entrevista que fiz por e-mail com Rogério Pereira, editor e idealizador desta iniciativa merecedora de aplausos, que sobrevive com dificuldades, mas consciente de sua importância para o debate literário nacional.

Como e por que surgiu o Rascunho, em abril de 2000?

O Rascunho nasceu para ser um suplemento literário de Curitiba, sem grandes pretensões nacionais. Na época, os jornais da cidade não tinham (e até hoje não têm) um suplemento dedicado exclusivamente à literatura. Portanto, o jornal nasceu desta carência e da vontade de um grupo de jovens de fazer algo que consideravam interessante no jornalismo. Desde o início — e isso se explica, talvez, pelo ímpeto juvenil que nos rondava; todos tínhamos pouco mais de 20 anos e havíamos deixado a universidade recentemente —, o Rascunho sustentou uma proposta de crítica livre, sem vínculos com grupos, panelinhas, etc. Não queríamos fazer um suplemento parecido com o que ofereciam os grandes jornais. Partimos para uma “missão” um tanto iconoclasta. Hoje, mesmo com o amadurecimento do jornal, o Rascunho ainda é visto e reconhecido (o que é muito bom) como um veículo combativo, desapegado de tendências. Tem um DNA turrão. Enfim, é um amplo palco para discussões de maneira salutar e honesta. Também tínhamos uma preocupação em conceder espaço aos autores que estavam fora da grande mídia. Isso é uma marca do jornal que segue forte até hoje.

Como era o jornal na época, e o que mudou de lá pra cá?

Muita coisa mudou nestes 10 anos, principalmente em qualidade editorial. No início, tínhamos oito páginas, com cerca de 20 colaboradores. O Rascunho era um suplemento do Jornal do Estado. Agora, chegamos à edição 120 com 40 páginas e cerca de 60 colaboradores de todas as partes do Brasil. Além disso, o Rascunho é, desde 2004, um jornal independente. Neste longo período, conquistamos um espaço entre os veículos culturais brasileiros. A tiragem é de 5 mil exemplares e chega a todos os estados brasileiros por meio de assinatura. Recentemente, o Rascunho foi escolhido uma das publicações em um edital para a venda de 7 mil assinaturas para o Ministério da Cultura. Estamos aguardando apenas o trâmite interno do MinC. Com isso, a tiragem passará para 12 mil exemplares. Para um jornal que nasceu para ter vida muita curta, até que estamos indo bem longe.

O cenário da literatura brasileira também sofreu transformações nestes dez anos?

Em 10 anos, tudo sofre algum tipo de transformação. Na literatura brasileira, alguns fenômenos interessantes são evidentes. 1) A chegada de grandes grupos editoriais estrangeiros, como Alfaguara e Planeta, mostra que o mercado brasileiro ainda tem muito espaço para crescer. 2) Os novos autores ganharam oportunidade nas grandes casas editoriais. Hoje, é muito comum uma grande editora apostar em livros de estréia. Portanto, facilitou-se muito o surgimento de novas vozes. 3) Há uma quantidade imensa de festivais, bienais, encontros, feiras, etc. em torno da literatura em todo o país. Há, com certeza, um ambiente mais favorável à literatura no Brasil. No entanto, não afirmo que há um ambiente ideal, mas é muito melhor do que era há 10 anos, por exemplo. Uma prova disso é que o Rascunho consegue sobreviver, mesmo o Brasil não sendo ainda um país muito encantado pela literatura.

Quantos assinantes o jornal possui hoje?

Entre cortesias e assinaturas, enviamos cerca de 1.500 exemplares para todo o País. Para o restante (3.500), temos uma distribuição dirigida nas 17 lojas da Livrarias Curitiba (SP, PR, RS e SC), Biblioteca Pública do Paraná, Livraria do Chain, Ghignone, Fundação Cultural de Curitiba, Faróis do Saber, entre outros pontos na capital paranaense.

Além do Paiol Literário, que outros projetos o Rascunho desenvolveu ou desenvolve atualmente?

Para sobreviver, o Rascunho tem de inventar muitas coisas ligadas à literatura. A que deu mais certo até agora é o Paiol Literário, que em 19 de maio entra na quinta temporada. Já trouxemos 38 autores a Curitiba. Os encontros serão editados em livro em breve. Além disso, já mantivemos uma oficina de criação literária. Também, abri em 2008 o Quintana Café & Restaurante, que é um projeto que une literatura e gastronomia. Além disso, o Rascunho possibilita que eu realize curadorias para feiras e bienais. Para 2010, estão previstos dois volumes com as melhores entrevistas nestes 10 anos. Serão 40 entrevistas. A editora é a Arquipélago, de Porto Alegre. Também teremos um novo site e, possivelmente, lançaremos o Prêmio Rascunho de Literatura, em parceria com uma grande editora.

O interesse pela literatura brasileira vem crescendo no país, impulsionado pela internet, ou este público ainda é restrito?

Como respondi anteriormente, há uma ambiente mais favorável à literatura hoje em dia. A internet, obviamente, tem uma participação de extrema importância. No entanto, não acompanho muito de perto os movimentos literários pelo mundo on-line.

Capa da primeira edição de Rascunho.Muitos veículos impressos encontram dificuldades para se manter em atividade hoje. O Rascunho é voltado para leitores de literatura em um país de poucos leitores. Como sobreviver neste cenário?

O Rascunho sobrevive com muitas dificuldades. No entanto, graças ao empenho dos colaboradores, que não recebem pelo trabalho, o jornal conseguiu um padrão editorial muito consistente. Com o tempo, consolidou-se como um veículo importante no cenário literário. Isso contribuiu para a realização de outros projetos que ajudam a garantir a sobrevivência. Além disso, com o tempo conquistamos assinantes e a confiança de bons anunciantes. Mas todo mês é uma luta para fechar as contas. Para complicar um pouco mais, sempre mantive distância das leis de incentivo.

O jornal já foi palco de grandes polêmicas entre leitores, articulistas e escritores. Você lembra de alguma em especial, que rendeu boas discussões?

Desde o seu nascimento, o Rascunho sempre foi palco para amplas discussões. Muitas delas bem acaloradas. Muitas foram marcantes. No entanto, a mais importante foi a envolvendo o poeta Sebastião Uchoa Leite (edição 35, março de 2003), cujo livro A regra secreta recebeu crítica extremamente negativa. O texto gerou manifestações muito raivosas e também apoio de leitores e do meio literário. Foi uma batalha bem interessante. A partir de então, o Rascunho ganhou mais evidência em todo o país. Fizemos algo que considerei fundamental: abrimos amplo espaço para aqueles que não concordavam com o nosso texto. Na edição seguinte, publicamos textos e cartas contra o próprio Rascunho. Foi um exercício bastante saudável.

Se pudesse escolher sua edição preferida nesta década de Rascunho, qual seria e por quê?

Tentado a cair no lugar-comum, sempre escolho a edição mais recente como a minha preferida. É um sinal concreto de que estou vivo. De que algo tem dado certo. É a prova de que é possível, mesmo com todas as dificuldades, fazer algo em que se acredita. Por motivos óbvios, também tenho carinho especial pela edição zero, de 8 de abril de 2000.

O que você está lendo no momento e gostaria de indicar a outros leitores?

Leio muitos livros ao mesmo tempo. Alguns por obrigação profissional. Por prazer, estou às voltas com Doutor Pasavento, de Enrique Vila-Matas (autor fundamental para quem aprecia a boa literatura), uma releitura de Lavoura Arcaica, do Raduan Nassar, e os versos da norte-americana Marianne Moore.

(Conheça a versão on-line de Rascunho, e assine a impressa.)

31
dez

O Todoprosa Sergio Rodrigues (que este ano publicou o excelente Elza, a garota) escreveu algo sobre a nossa necessidade de criar listas. Mas eu, que me amarro no Nick Hornby e preciso periodicamente organizar o caos, não consegui terminar o ano sem listar minhas 10 leituras mais prazerosas de 2009. Aproveite para comentar seus melhores momentos literários do ano que está terminando. Que 2010 nos reserve grandes livros e autores capazes de mexer com a nossa bússola interior.

1. Só para fumantes, de Julio Ramón Ribeyro
2. Jornal da guerra contra os Taedos, de Manoel Carlos Karam
3. Jó - romance de um homem simples, de Joseph Roth
4. Coração tão branco, de Javier Marias
5. Zazie no metrô, de Raymond Queneau
6. Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum
7. O jardim de cimento, de Ian McEwan
8. Leite derramado, de Chico Buarque
9. Histórias reais, de Sophie Calle
10. O seminarista, de Rubem Fonseca

2009 ainda foi marcado pelo lançamento tardio do clássico infantil Onde vivem os monstros, de Maurice Sendak, e pela publicação polêmica de O original de Laura, do Nabokov (que ainda não li, mas já está na estante). Outro destaque foi a estreia literária do curitibano Luís Henrique Pellanda, com o seu O macaco ornamental - leitura divertida, pertubadora e sensível, como seus leitores também podem conferir às quintas-feiras no site Vida Breve. O endereço de crônicas diárias, por sinal, foi outra feliz surpresa de 2009.

17
nov

A última edição do Paiol Literário do ano tem como convidado o escritor gaúcho João Gilberto Noll, vencedor de cinco prêmios Jabuti e autor de 13 livros, entre eles Acenos e Afagos, O Cego e a Dançarina, A Fúria do Corpo, Bandoleiros e Lorde. Seu romance Harmada está na lista dos 100 livros essenciais brasileiros em qualquer gênero e em todas as épocas da revista Bravo!. O encontro, com mediação do escritor e jornalista José Castello, acontece nesta terça-feira (17) às 20h no Teatro Paiol, em Curitiba. O evento, realizado desde 2006, é uma iniciativa do jornal literário Rascunho em parceria com o Sesi-PR e a Fundação Cultural de Curitiba. A entrada é franca.

29
out

Leitores do Brasil inteiro comemoram hoje o Dia Nacional do Livro, em homenagem
à data de fundação da Biblioteca Nacional, no dia 29 de outubro de 1810. Não que seja importante ter um dia especialmente dedicado aos livros, em um país onde pouco se lê, a menos que fossem realizadas atividades de estímulo à leitura. Aliás, se você souber de algo interessante em sua cidade, conte pra gente.

Uma notícia bacana neste Dia Nacional do Livro é que a Cosac Naify, editora-grife responsável por alguns dos volumes literários mais caprichados do mercado brasileiro, decidiu colaborar com a sua biblioteca particular. Como? Disponibilizando livros para serem baixados gratuitamente no site novo da editora. A experiência começa com Flores, do mexicano Mario Bellatin, que esteve na Festa Literária de Paraty em julho desse ano. Considerado pela revista francesa de crítica literária, Magazine Litteraire, um dos “vinte e quatro clássicos mexicanos de ontem e de hoje”, o livro traz 35 narrativas curtas em que seus personagens possuem deformações congênitas. Ele ficará disponível para download durante alguns meses no site da Cosac Naify, que promete oferecer outros títulos futuramente. Além de baixar o livro de Bellatin você ainda pode ler um conto inédito, que não integrou a versão impressa de Flores.

26
ago


No dia em que Julio Cortázar completaria 95 anos, o Orelha do Livro presta uma pequena homenagem ao “gran cronópio” na edição que vai ao ar hoje às 14h e 20h30, na Lumen FM.

O terrível desse momento da juventude é que em uma hora sombria e sem nome tudo deixa de ser sério para ceder à sua máscara de seriedade que se deve pôr na cara.
(Julio Cortázar em “Relato com um fundo d’água”, Final do Jogo)