20
jun

Acontece a partir desta terça-feira (22) a segunda fase do Autores & Ideias, evento do Sesc-PR que discute as relações entre literatura e ciberespaço. O debate da edição de junho será em torno da circulação da arte e informação na rede, com o escritor e jornalista André ‘Cardoso’ Czarnobai, do lendário zine digital Cardoso Online, e Julio Daio Borges, da revista eletrônica Digestivo Cultural. O evento irá percorrer cinco cidades paranaenses, confira a programação. A entrada é franca.

19
jun

A manhã dessa sexta-feira, 18 de junho, foi das mais tristes. Ao menos para os leitores e admiradores do primeiro escritor em língua portuguesa a vencer o Nobel de Literatura (até o António Lobo Antunes deve ter sentido a perda). No Twitter, que já foi criticado pelo autor de As intermitências da Morte por sua “tendência para o grunhido”, a hashtag #Saramago liderou o ranking mundial. Hoje, o caderno G Ideias publicou um especial sobre o mestre, que pode ser lido aqui.

Se conheço pouco a obra de Saramago, talvez seja porque o mergulho em suas alegorias profundamente crueis e humanas nos exija demais - e quase nunca queremos sangrar ao ler um livro, embora às vezes não haja outro jeito.

Na foto acima, clicada por Sebastião Salgado, um belo retrato do escritor português na terra em que vivia, Lanzarote, nas Ilhas Canárias.

17
jun

primeiro frio do ano
fui feliz
se não me engano

Sempre que um novo inverno curitibano se inicia eu preciso recitar este haicai do Paulo Leminski. Os melhores versos orientais do polaco do pilarzinho sem dúvida estão em La vie en close, mas este, incluído no livro Distraídos Venceremos, tem lá o seu charme.

No Japão, originalmente os haicais eram poesias com 17 sons, divididos em três versos: cinco sílabas no primeiro, sete no segundo e outras cinco no terceiro. Mas muitos autores brasileiros subverteram o formato, trazendo mais liberdade de forma e de temas ao gênero. Além de Leminski, Millôr Fernandes e Mário Quintana, para citar alguns haicaistas dos trópicos, um nome interessante é Massau Simizo, pouquíssimo conhecido por um motivo no mínimo poético: de tão tímido, ele se inscrevia em concursos literários com o nome da esposa, Lituka Simizo, quem recebia os prêmios enquanto o marido aguardava oculto na plateia. Falecido em 2005, Massau era paulista e médico de formação. Mas, em seu tempo livre, criou versos inspirados como este:

Ipê florido,
Anualmente se renova.
E nós?

Uma amostra do trabalho de Massau Simizo pode ser conferida no livro As quatro estações e outros haicais, lançado pela editora curitibana Aymará. A obra foi uma das finalistas do prêmio “O melhor para a criança”, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, considerada “altamente recomendável” pela instituição. Saiba mais sobre o volume no site da Aymará.

16
jun

Nessa quinta-feira (17), o projeto Paiol Literário traz à Curitiba o escritor carioca Alberto Mussa. Autor de Elegbara, O enigma de Qaf, O movimento pendular e Meu destino é ser onça, entre outros livros, Mussa já recebeu prêmios consagrados de literatura, como o Casa das Américas, APCA e Machado de Assis. O bate-papo, mediado pelo escritor e jornalista Luís Henrique Pellanda, começa com as perguntas “Qual a importância da literatura na vida cotidiana das pessoas? E por que ler?”. O evento é uma iniciativa do jornal Rascunho, e acontece às 20h no Teatro Paiol, com entrada franca. Quem estiver fora de Curitiba pode conferir a reprodução da conversa na edição seguinte do Rascunho ou no site do jornal.

Foto: Leonardo Aversa

13
jun

A Copa do Mundo começou há apenas três dias e ninguém mais aguenta as vuvuzelas e os comentários do Galvão Bueno sobre o novo charme grisalho do Maradona. Como não há outro assunto possível – a essa altura do campeonato, literatura nem pensar –, deixo aqui uma sugestão de leitura muito apropriada, que foge das informações sempre redundantes sobre o mundial de futebol.

Há alguns dias recebi da ótima editora gaúcha Dublinense o livro A Copa que Interessa, do publicitário Eduardo Menezes, e estou me deliciando com ele. Curtinho, divertido e provocador, trata-se de um guia com curiosidades históricas, geográficas e culturais sobre os países que disputam o caneco em 2010. Futebol, ali, é o menos importante. Os textos seguem a ordem dos jogos dos oito grupos e trazem seções bastante didáticas, como “Por que torcer”, “Por que secar” e “Finja que entende” – na qual o autor dá subsídios aos leitores que querem parecer informados sobre o assunto do momento em uma mesa de boteco.

Os argumentos são quase sempre cretinos e politicamente incorretos: “Por que secar a seleção australiana? Eles jogam de camisas amarelas e calções verdes, e no mundo do futebol só há espaço para uma seleção canarinho”; “Por que torcer pela Sérvia? É que, em 2040, o país que já foi Iugoslávia e Sérvia e Montenegro terá se dividido tanto que não haverá 11 homens para formar uma seleção, portanto, aproveite antes que seja tarde”. Sobre o time da Nova Zelândia – o tipo de “porcaria que nos faz querer ir até a Suíça e apedrejar a sede da FIFA” –, o autor compara sua contribuição desastrosa ao futebol à contribuição dos Engenheiros do Hawaii para a formação intelectual de um adolescente. Já nas páginas sobre o Brasil, são enumeradas todas as desculpas esfarrapadas de nossas derrotas em 13 competições, de 1930 a 2006 – um cafezinho demasiado estimulante em 66, acontecimentos sobrenaturais na Copa de 82 e uns argentinos que botaram laxante nas garrafas d’água dos brasileiros, em 90.

Eu, que estava lendo Coetzee, tive que fazer uma pausa e entrar de vez no clima da Copa. Inevitável, como as vuvuzelas e os comentários do Galvão.

03
jun

Este sábado o suplemento G Ideias, do jornal Gazeta do Povo, publica uma edição especial sobre cultura argentina contemporânea que preparei em parceria com o jornalista e amigo Rafael Urban. O caderno, cheio de referências interessantes de cinema, música, quadrinhos e literatura, traz uma entrevista que fiz por email com a escritora-revelação Samanta Schweblin, vencedora do prêmio Casa de las Américas de 2008 e uma das contistas mais badaladas do momento no país de Borges e Cortázar. Sobre o fato de ser rotulada como uma autora de literatura fantástica, Samanta diz que ser catalogado é um mal necessário. “Recorta o que nos faz diferentes como escritores, porque é justamente nos limites e nos entrecruzamentos entre gêneros que a literatura é mais rica, mas, no fim das contas, sempre há um pobre livreiro que tentará fazer o melhor pelo seu livro, e para isso é obrigado a guardá-lo em alguma estante, catalogá-lo em algum lugar onde depois possa encontrá-lo”. Se o seu espanhol não estiver enferrujado demais, entre no site da escritora e leia alguns de seus contos. E não perca o G Ideias deste sábado.

01
jun

Na sequência de Paulo Leminski, Jamil Snege, Manoel Carlos Karam e Valêncio Xavier, perdemos ontem mais um escritor paranaense: Wilson Bueno. Nascido em Jaguapitã em 1949, Bueno fundou e editou o lendário suplemento Nicolau, que em 1987 recebeu o prêmio de Melhor Jornal Cultural do Brasil pela Associação Paulista dos Críticos de Arte. É autor de obras importantes da literatura brasileira, como “A copista de Kafka”, “Amar-te a ti nem sei se com carícias” e “Mar Paraguayo“, de 1992, que misturava espanhol, português e guarani em uma experiência de linguagem inédita nas letras nacionais. Mais uma partida, mais uma obra inigualável que fica entre nós.

Foto: Vilma Slomp