28
abr

Com o Twitter dominando a comunicação - e inspirando iniciativas literárias mundo afora -, vale conhecer a obra sintética e originalíssima de Félix Fénéon, escritor, jornalista e anarquista francês (o figura aí em cima). Fénéon ficou famoso por suas Novelas em Três Linhas, que surgiram na seção de obituário do jornal Le Matin no começo do século 20. Ouça o programa, que foi ao ar em fevereiro na Lumen FM.

 
icon for podpress  Félix Fénéon [2:06m]: Play Now | Play in Popup | Download

22
abr

De hoje até a próxima quarta-feira, acontece em Curitiba a quinta edição do Abril de Shakespeare. São palestras, minicursos e mesas-redondas realizadas por estudiosos e especialistas na obra do dramaturgo inglês. Veja a programação completa. Todas as atividades têm entrada gratuita.

21
abr

No dia 08 de abril de 2000, uma década atrás, nascia em Curitiba o jornal Rascunho – inicialmente um suplemento do Jornal do Estado, hoje uma das publicações sobre literatura de maior prestígio e relevância no país. Leia na íntegra a entrevista que fiz por e-mail com Rogério Pereira, editor e idealizador desta iniciativa merecedora de aplausos, que sobrevive com dificuldades, mas consciente de sua importância para o debate literário nacional.

Como e por que surgiu o Rascunho, em abril de 2000?

O Rascunho nasceu para ser um suplemento literário de Curitiba, sem grandes pretensões nacionais. Na época, os jornais da cidade não tinham (e até hoje não têm) um suplemento dedicado exclusivamente à literatura. Portanto, o jornal nasceu desta carência e da vontade de um grupo de jovens de fazer algo que consideravam interessante no jornalismo. Desde o início — e isso se explica, talvez, pelo ímpeto juvenil que nos rondava; todos tínhamos pouco mais de 20 anos e havíamos deixado a universidade recentemente —, o Rascunho sustentou uma proposta de crítica livre, sem vínculos com grupos, panelinhas, etc. Não queríamos fazer um suplemento parecido com o que ofereciam os grandes jornais. Partimos para uma “missão” um tanto iconoclasta. Hoje, mesmo com o amadurecimento do jornal, o Rascunho ainda é visto e reconhecido (o que é muito bom) como um veículo combativo, desapegado de tendências. Tem um DNA turrão. Enfim, é um amplo palco para discussões de maneira salutar e honesta. Também tínhamos uma preocupação em conceder espaço aos autores que estavam fora da grande mídia. Isso é uma marca do jornal que segue forte até hoje.

Como era o jornal na época, e o que mudou de lá pra cá?

Muita coisa mudou nestes 10 anos, principalmente em qualidade editorial. No início, tínhamos oito páginas, com cerca de 20 colaboradores. O Rascunho era um suplemento do Jornal do Estado. Agora, chegamos à edição 120 com 40 páginas e cerca de 60 colaboradores de todas as partes do Brasil. Além disso, o Rascunho é, desde 2004, um jornal independente. Neste longo período, conquistamos um espaço entre os veículos culturais brasileiros. A tiragem é de 5 mil exemplares e chega a todos os estados brasileiros por meio de assinatura. Recentemente, o Rascunho foi escolhido uma das publicações em um edital para a venda de 7 mil assinaturas para o Ministério da Cultura. Estamos aguardando apenas o trâmite interno do MinC. Com isso, a tiragem passará para 12 mil exemplares. Para um jornal que nasceu para ter vida muita curta, até que estamos indo bem longe.

O cenário da literatura brasileira também sofreu transformações nestes dez anos?

Em 10 anos, tudo sofre algum tipo de transformação. Na literatura brasileira, alguns fenômenos interessantes são evidentes. 1) A chegada de grandes grupos editoriais estrangeiros, como Alfaguara e Planeta, mostra que o mercado brasileiro ainda tem muito espaço para crescer. 2) Os novos autores ganharam oportunidade nas grandes casas editoriais. Hoje, é muito comum uma grande editora apostar em livros de estréia. Portanto, facilitou-se muito o surgimento de novas vozes. 3) Há uma quantidade imensa de festivais, bienais, encontros, feiras, etc. em torno da literatura em todo o país. Há, com certeza, um ambiente mais favorável à literatura no Brasil. No entanto, não afirmo que há um ambiente ideal, mas é muito melhor do que era há 10 anos, por exemplo. Uma prova disso é que o Rascunho consegue sobreviver, mesmo o Brasil não sendo ainda um país muito encantado pela literatura.

Quantos assinantes o jornal possui hoje?

Entre cortesias e assinaturas, enviamos cerca de 1.500 exemplares para todo o País. Para o restante (3.500), temos uma distribuição dirigida nas 17 lojas da Livrarias Curitiba (SP, PR, RS e SC), Biblioteca Pública do Paraná, Livraria do Chain, Ghignone, Fundação Cultural de Curitiba, Faróis do Saber, entre outros pontos na capital paranaense.

Além do Paiol Literário, que outros projetos o Rascunho desenvolveu ou desenvolve atualmente?

Para sobreviver, o Rascunho tem de inventar muitas coisas ligadas à literatura. A que deu mais certo até agora é o Paiol Literário, que em 19 de maio entra na quinta temporada. Já trouxemos 38 autores a Curitiba. Os encontros serão editados em livro em breve. Além disso, já mantivemos uma oficina de criação literária. Também, abri em 2008 o Quintana Café & Restaurante, que é um projeto que une literatura e gastronomia. Além disso, o Rascunho possibilita que eu realize curadorias para feiras e bienais. Para 2010, estão previstos dois volumes com as melhores entrevistas nestes 10 anos. Serão 40 entrevistas. A editora é a Arquipélago, de Porto Alegre. Também teremos um novo site e, possivelmente, lançaremos o Prêmio Rascunho de Literatura, em parceria com uma grande editora.

O interesse pela literatura brasileira vem crescendo no país, impulsionado pela internet, ou este público ainda é restrito?

Como respondi anteriormente, há uma ambiente mais favorável à literatura hoje em dia. A internet, obviamente, tem uma participação de extrema importância. No entanto, não acompanho muito de perto os movimentos literários pelo mundo on-line.

Capa da primeira edição de Rascunho.Muitos veículos impressos encontram dificuldades para se manter em atividade hoje. O Rascunho é voltado para leitores de literatura em um país de poucos leitores. Como sobreviver neste cenário?

O Rascunho sobrevive com muitas dificuldades. No entanto, graças ao empenho dos colaboradores, que não recebem pelo trabalho, o jornal conseguiu um padrão editorial muito consistente. Com o tempo, consolidou-se como um veículo importante no cenário literário. Isso contribuiu para a realização de outros projetos que ajudam a garantir a sobrevivência. Além disso, com o tempo conquistamos assinantes e a confiança de bons anunciantes. Mas todo mês é uma luta para fechar as contas. Para complicar um pouco mais, sempre mantive distância das leis de incentivo.

O jornal já foi palco de grandes polêmicas entre leitores, articulistas e escritores. Você lembra de alguma em especial, que rendeu boas discussões?

Desde o seu nascimento, o Rascunho sempre foi palco para amplas discussões. Muitas delas bem acaloradas. Muitas foram marcantes. No entanto, a mais importante foi a envolvendo o poeta Sebastião Uchoa Leite (edição 35, março de 2003), cujo livro A regra secreta recebeu crítica extremamente negativa. O texto gerou manifestações muito raivosas e também apoio de leitores e do meio literário. Foi uma batalha bem interessante. A partir de então, o Rascunho ganhou mais evidência em todo o país. Fizemos algo que considerei fundamental: abrimos amplo espaço para aqueles que não concordavam com o nosso texto. Na edição seguinte, publicamos textos e cartas contra o próprio Rascunho. Foi um exercício bastante saudável.

Se pudesse escolher sua edição preferida nesta década de Rascunho, qual seria e por quê?

Tentado a cair no lugar-comum, sempre escolho a edição mais recente como a minha preferida. É um sinal concreto de que estou vivo. De que algo tem dado certo. É a prova de que é possível, mesmo com todas as dificuldades, fazer algo em que se acredita. Por motivos óbvios, também tenho carinho especial pela edição zero, de 8 de abril de 2000.

O que você está lendo no momento e gostaria de indicar a outros leitores?

Leio muitos livros ao mesmo tempo. Alguns por obrigação profissional. Por prazer, estou às voltas com Doutor Pasavento, de Enrique Vila-Matas (autor fundamental para quem aprecia a boa literatura), uma releitura de Lavoura Arcaica, do Raduan Nassar, e os versos da norte-americana Marianne Moore.

(Conheça a versão on-line de Rascunho, e assine a impressa.)

20
abr

O escritor e jornalista argentino Tomás Eloy Martínez (falecido em janeiro deste ano) esteve no Orelha do Livro em fevereiro, num programa em que comento um de seus livros mais saborosos. Ouça o podcast:

 
icon for podpress  O Cantor de Tango [1:42m]: Play Now | Play in Popup | Download

18
abr

Nesta terça-feira, véspera de feriado, o Wonka Bar em Curitiba será ponto de encontro dos amantes da poesia e da boa música. Às 21h acontecem as performances literárias do poeta carioca Chacal e do escritor curitibano Luiz Felipe Leprevost, seguidas do som de Fausto Fawcett, JC Branco e mais. A gente se encontra lá!

16
abr

Cartoon publicado na revista The New Yorker. Como a principal vantagem dos e-readers parece mesmo ser a portabilidade (nada como viajar com 30 livros sem pesar na bagagem), logo logo a cena será comum nos voos mundo afora. Será?

13
abr

Recentemente este vídeo começou a circular na web, anunciando um produto revolucionário: o “Book”. Sem fios, ele não leva bateria ou circuitos elétricos, e não tem necessidade de conexão. É portátil, compacto e feito com material 100% reciclável. (Leonardo da Vinci estava certo, a simplicidade é mesmo o estágio mais alto da sofisticação.) O vídeo foi criado para divulgar o site sobre literatura Leer está de Moda. Tomara que a moda pegue de verdade.

Em tempo: a brilhante mensagem do vídeo foi adaptada de um texto do Millôr Fernandes, publicado na revista Veja em dezembro de 2006. Leia o original aqui.

04
abr

Antes de reclamar que seu filho lê pouco, talvez seja o momento de se questionar se você mesmo é um leitor. Manter livros em casa e tratar a leitura como um prazer pode ajudar a estimular o hábito em família, de pai para filho

Publicado em 04/04/2010 | Mariana Sanchez, especial para a Gazeta do Povo marianab@gazetadopovo.com.br

“Um país se faz com homens e livros”, costumava dizer Mon­teiro Lobato. Mas, no Brasil, meio século após a morte do criador da boneca Emília, os livros continuam faltando nesta equação. Aliás, livros e leitores. De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo IBGE e o Instituto Pró-Livro em 311 municípios brasileiros no final de 2007, apenas 35% da população afirma gostar de ler em seu tempo livre. Destes, a grande maioria tem formação superior, estuda ou trabalha e vive na região Sul. A Bíblia e obras didáticas encabeçam a preferência dos leitores entrevistados.

Se em países desenvolvidos a média de leitura per capita é de sete livros ao longo do ano, no Brasil este número está em 4,7, mas somente se incluirmos as obras indicadas pela escola. Do contrário, a conta não fecha dois livros por ano. Porém, reforçar a importância da leitura no desenvolvimento humano é bater em uma tecla já desgastada. A grande questão é entender como uma pessoa se torna leitora, de que estímulos ela precisa para sentir prazer na companhia dos livros, sem que isso se torne uma obrigação – tarefa que, tudo indica, deve começar dentro de casa. (Continue lendo)

Foto: Hedeson Alves