21
mar

Surpreendentemente, essa semana não foram as intrigas dos BBBs que ganharam os jornais. Os protagonistas da peleja – antiga, por sinal – são os escritores paranaenses Miguel Sanches Neto e Dalton Trevisan, respectivamente ex-discípulo e ex-mestre. Sem muitas explicações, a amizade dos dois terminou, e, diante dos rumores de que o autor de Chove sobre minha infância estaria escrevendo uma espécie de “biografia do vampiro”, Trevisan passou a criticar publicamente o antigo pupilo.

Em 2004, Sanches Neto admitiu que escrevia o tal livro, mas que seria uma obra de ficção com personagens inspirados no universo literário local – o que, na literatura, é chamado de roman à clef. Como resposta, Sanches Neto recebeu o poema Hiena papuda, em que seu velho mentor o xingava de nomes esquisitos e nada bonitinhos, como “traveca de araponga louca”, “filho adotivo espiritual de Caim” e “Judas que se vendeu por trinta lentilhas”. A coisa começou a esquentar.

Seis anos depois, o livro finalmente é publicado pela editora Objetiva. Chá das cinco com o vampiro conta a história do jovem Beto Nunes, aspirante a escritor que deixa sua cidade natal para morar em Curitiba, onde começa a freqüentar o círculo literário da época. Rapidamente se torna discípulo de Geraldo Trentini, um importante e excêntrico escritor da cidade, mas de amigo e pupilo Beto logo se converte em desafeto. O lançamento do livro polêmico moveu Miguel Sanches Neto a criar um diário sobre ele neste blog. Leia também esta resenha e entrevista assinadas pelo jornalista Irinêo Baptista Netto na Gazeta do Povo.

Quando testemunho episódios como este na literatura, lembro desta observação muito adequada de um amigo: “ler um livro e querer conhecer seu autor é o mesmo que comer foie gras e querer conhecer o ganso”. (Aliás, ele disse que a citação deve ser do Arthur Koestler.) Não deixa de ser uma boa frase!

19
mar

Em seu conto – com jeito de crônica - O exercício da Solidão, Eric Nepomuceno listou algumas manias relacionadas à “metodologia de trabalho” de grandes escritores. Ele conta, por exemplo, que Samuel Beckett não podia escrever se não estivesse diante de uma parede completamente branca, e que o poeta Pablo Neruda só escrevia com tinta verde, senão até as idéias lhe escapavam. Enfim, este tipo de bizarrice.

Recentemente, o escritor gaúcho e ex-editor-chefe da revista Bravo! Michel Laub resolveu colecionar um material semelhante em seu blog, no qual, desde o último domingo, vem publicando uma série com depoimentos de escritores brasileiros sobre seus hábitos e manias na hora de escrever.

Assim, ficamos sabendo que José Castello, logo que abre a página em branco do computador, escreve sempre no alto a palavra NADA – do contrário, não consegue começar. Curioso mesmo é saber que a literatura áspera e sempre cortante de Marçal Aquino é escrita em caneta macia, que a Vanessa Bárbara costuma mudar o tipo e o tamanho da fonte na hora de reler o texto, e que Daniel Pellizzari gosta de escrever nu em um cômodo com ar-condicionado. Bem ao contrário de Fabrício Carpinejar, que não consegue escrever sem camisa.

São informações que não mudam em nada a literatura que estes caras fazem. Mas sabe como é a curiosidade…

11
mar

Dois livrinhos deliciosos, de Jean-Claude Carrière e David Merveille, lançados pela Cosac Naify. Confira a dica no podcast do programa que foi ao ar em fevereiro:

 
icon for podpress  Homenagem a Jacques Tati [1:34m]: Play Now | Play in Popup | Download

07
mar

Trajeto literário

Enquanto muitas pessoas reclamam da falta de tempo para ler um livro, outras aproveitam o trajeto do ônibus para se dedicar à literatura

Publicado em 07/03/2010 | Mariana Sanchez, especial para a Gazeta do Povo - marianab@gazetadopovo.com.br

Deslocando-se em horário de pico, quando o trânsito está impossível, uma pessoa que vive no Capão Raso e trabalha no Santa Cândida, em Curitiba, passa pelo menos 3 horas e meia todos os dias dentro de um ônibus biarticulado. Considerando que levamos em torno de uma hora para ler 30 páginas de texto, esta pessoa terá devorado o gigantesco volume de Moby Dick em apenas uma semana com o simples hábito de ler no ônibus. É uma boa meta, levando-se em conta que o brasileiro lê uma média de 1,8 obra por ano. Leia mais.

Foto: Daniel Castellano

05
mar

Leitores interessados em se aprofundar na obra O Jogo das Contas de Vidro, de Hermann Hesse, podem se inscrever no Expedições pelo Mundo da Cultura, iniciativa do Sesi, pelo telefone 3363-7600 ou email triadeeditora@triadeeditora.com.br. O encontro acontece neste sábado (06/03) das 15h30 às 19h30, e é orientado pelo pesquisador José Monir Nasser.