20
jan

Não deverá ser este ano – mas possivelmente será nesta década – que eu me renderei ao livro digital. Pode chamar de apego ao papel, romantismo ou pão-durice, o fato é que levei anos construindo uma biblioteca bacana de livros físicos, repletos de grifos e rasuras nas mais variadas grafias, e não imagino estabelecer uma relação emocional tão próxima com este estranho objeto chamado Kindle.
Assim como a fotografia digital transformou a maneira como nos relacionamos com a imagem – antes impressa, no porta-retrato; hoje vagando em bits, perdida em pastas e CDs de dados jamais revisitados –, o livro digital também vai bagunçar um pouco nossos laços afetivos com os livros. Pode soar paradoxo, mas vejo os e-readers como estantes totalmente zoadas onde nunca achamos aquilo que mais queremos ler. Óbvio que não pela falta de organização, mas pela quantidade de itens que botamos ali e mal temos tempo de depurar. Banalização, em outras palavras – o que, aliás, deve ter acontecido com seus discos em formato MP3 :D
Mas estou sendo nostálgica, eu sei. Quem já usa o Kindle ou similar está convidado a postar aqui suas impressões. Por enquanto, compartilho com vocês uma notícia animadora para o mercado livreiro: A Amazon, que comercializa o famigerado aparelhinho, lançou hoje um programa em que autores e editoras receberão 70% dos ganhos obtidos na venda de suas obras para o Kindle. É legal, porque o valor repassado aos escritores não costuma ser maior do que 15%, mas vale lembrar que o plano é restrito a publicações que custam entre US$ 3 e US$ 10. A partir de junho deste ano saberemos se a novidade vai ou não prestar.
Por enquanto, sigo lendo livros de papel, que não precisam ser carregados na tomada. No máximo, esse tipo de “tecnologia” ainda será bem-vinda.

P.S.: O escritor Alex Castro acaba de se render ao Kindle e contou em detalhes a experiência, com direito a um longo FAQ, em seu blog Liberal, Libertário, Libertino. Vale a pena a leitura (agora que sei da possibilidade de sublinhar trechos e escrever anotações pelo Kindle, já passei a gostar mais do brinquedinho).

2 Responses to “Aquela velha discussao”

É. Eu vou me render tbém, mas vai demorar. Como deixar de lado a textura do papel? E o cheiro de livro novo? E as edições produzidas da Cosac?

janeiro 21st, 2010

Não sei se nos acostumaremos… O escritor Roberto Belo disse “Espero que nada venha substituir o livro…este senhor bom,meu amigo,pode vim o que vier mas nunca será livro…porque o livro não é frio,é o senhor dos sentimentos.” In A Arca da Desigualdade,dos Sentimentos e da Luxúria(All Print,2009)

Rachel Moura
janeiro 30th, 2010