24
jan

Graças à saborosa coluna do jornalista José Carlos Fernandes, ficamos conhecendo mais uma “bibliolouca”, nascida da criatividade e da paixão pelos livros de pessoas como o Alberto Melo Viana - quem, aliás, eu já conhecia pelo semanal Fotomail. Leia o texto, inspire-se e, por que não, invente você também uma biblioteca original.

Conceição e a chave do banheiro

Alberto Melo Viana – um dos decanos do fotojornalismo paranaense – montou uma biblioteca minúscula numa câmara de lixo desativada de seu prédio

Publicado em 08/01/2010 | jcfernandes@gazetadopovo.com.br

Sei não, mas acho que um dia alguém ainda vai escrever a História das Bibliotecas Improváveis. Os índices culturais no Brasil, sabe-se, não são de empinar o topete. Os espaços públicos destinados a livros, contudo, não param de se multiplicar, comprovando que podemos não figurar entre os melhores fregueses da Feira de Frankfurt, mas somos intrépidos criadores de endereços para leitura.

Coleciono tudo o que sai na imprensa a respeito e posso assegurar que daria até para bolar um city tour pelas bibliotecas nascidas da imaginação tupi, a exemplo do que realiza o canadense Jeremy Mercer, maluco beleza que não só visita, como pernoita em livrarias do mundo inteiro. Toda gente quer conhecer os buracos em que ele estende seu colchonete – pudera. (Continue lendo.)

20
jan

Não deverá ser este ano – mas possivelmente será nesta década – que eu me renderei ao livro digital. Pode chamar de apego ao papel, romantismo ou pão-durice, o fato é que levei anos construindo uma biblioteca bacana de livros físicos, repletos de grifos e rasuras nas mais variadas grafias, e não imagino estabelecer uma relação emocional tão próxima com este estranho objeto chamado Kindle.
Assim como a fotografia digital transformou a maneira como nos relacionamos com a imagem – antes impressa, no porta-retrato; hoje vagando em bits, perdida em pastas e CDs de dados jamais revisitados –, o livro digital também vai bagunçar um pouco nossos laços afetivos com os livros. Pode soar paradoxo, mas vejo os e-readers como estantes totalmente zoadas onde nunca achamos aquilo que mais queremos ler. Óbvio que não pela falta de organização, mas pela quantidade de itens que botamos ali e mal temos tempo de depurar. Banalização, em outras palavras – o que, aliás, deve ter acontecido com seus discos em formato MP3 :D
Mas estou sendo nostálgica, eu sei. Quem já usa o Kindle ou similar está convidado a postar aqui suas impressões. Por enquanto, compartilho com vocês uma notícia animadora para o mercado livreiro: A Amazon, que comercializa o famigerado aparelhinho, lançou hoje um programa em que autores e editoras receberão 70% dos ganhos obtidos na venda de suas obras para o Kindle. É legal, porque o valor repassado aos escritores não costuma ser maior do que 15%, mas vale lembrar que o plano é restrito a publicações que custam entre US$ 3 e US$ 10. A partir de junho deste ano saberemos se a novidade vai ou não prestar.
Por enquanto, sigo lendo livros de papel, que não precisam ser carregados na tomada. No máximo, esse tipo de “tecnologia” ainda será bem-vinda.

P.S.: O escritor Alex Castro acaba de se render ao Kindle e contou em detalhes a experiência, com direito a um longo FAQ, em seu blog Liberal, Libertário, Libertino. Vale a pena a leitura (agora que sei da possibilidade de sublinhar trechos e escrever anotações pelo Kindle, já passei a gostar mais do brinquedinho).

10
jan

Na semana passada o caderno Viver Bem, do jornal Gazeta do Povo, publicou uma reportagem minha sobre escritores independentes. Leia a seguir:

Foto: Priscila Forone/Gazeta do Povo

Edição do autor

Sem editora e nenhuma pretensão de se tornar best sellers, escritores publicam seus livros com total independência

Publicado em 02/01/2010 | Mariana Sanchez, especial para Gazeta do Povo.
marianab@gazetadopovo.com.br

Era preciso atravessar uma fila comprida para conseguir um autógrafo de Car­­los Boaretto na noite de lançamento do seu livro, Brasília Egípcia. Quem esteve lá, mal po­­dia imaginar que este engenheiro civil de 34 anos nem sonhava em ser escritor. Tudo mudou quando ele fazia mestrado na Europa e, percebendo que pouca gente sabia qual era a capital do Brasil, decidiu escrever um ro­­­mance sobre a cidade inaugurada em 1960 por Juscelino Kubits­­­chek. “Do início das pesquisas até a impressão do volume foram quatro anos de trabalho, porque eu só tinha tempo de escrever nas horas vagas do emprego e mestrado”, conta Carlos.
Ao publicar, portanto, entrou o fator pressa. Isso porque ele queria ver Brasília Egípcia nas li­­­vrarias antes de 2010, ano do cinquentenário da capital e dos cem anos do nascimento de Tan­­­credo Neves, personagem central do livro. “Quando entrei em contato com algumas editoras, descobri que o tempo de análise de um original até sua publicação seria de um ano, ou mais. Se eu fosse por este caminho, acabaria lançando bem depois do pretendido”, diz. A saída foi imprimir Brasília Egípcia de forma independente e garantir o lançamento dentro do prazo.
Esta é uma opção cada vez mais comum entre os escritores iniciantes, que encontram dificuldade em entrar no catálogo de uma grande editora. (Continue lendo.)

Foto: Priscila Forone/Gazeta do Povo

09
jan

“…E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.”

(de Morte e Vida Severina)

Neste sábado, 09 de janeiro, o poeta recifense João Cabral de Melo Neto completaria 90 anos. Leia a entrevista do professor e crítico literário, Antonio Carlos Secchin, especialista na obra do poeta, à Livraria da Folha. Em maio do ano passado ele também foi homenageado no Orelha do Livro, nos 10 anos de sua morte. Ouça o podcast:

 
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