31
dez

O Todoprosa Sergio Rodrigues (que este ano publicou o excelente Elza, a garota) escreveu algo sobre a nossa necessidade de criar listas. Mas eu, que me amarro no Nick Hornby e preciso periodicamente organizar o caos, não consegui terminar o ano sem listar minhas 10 leituras mais prazerosas de 2009. Aproveite para comentar seus melhores momentos literários do ano que está terminando. Que 2010 nos reserve grandes livros e autores capazes de mexer com a nossa bússola interior.

1. Só para fumantes, de Julio Ramón Ribeyro
2. Jornal da guerra contra os Taedos, de Manoel Carlos Karam
3. Jó - romance de um homem simples, de Joseph Roth
4. Coração tão branco, de Javier Marias
5. Zazie no metrô, de Raymond Queneau
6. Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum
7. O jardim de cimento, de Ian McEwan
8. Leite derramado, de Chico Buarque
9. Histórias reais, de Sophie Calle
10. O seminarista, de Rubem Fonseca

2009 ainda foi marcado pelo lançamento tardio do clássico infantil Onde vivem os monstros, de Maurice Sendak, e pela publicação polêmica de O original de Laura, do Nabokov (que ainda não li, mas já está na estante). Outro destaque foi a estreia literária do curitibano Luís Henrique Pellanda, com o seu O macaco ornamental - leitura divertida, pertubadora e sensível, como seus leitores também podem conferir às quintas-feiras no site Vida Breve. O endereço de crônicas diárias, por sinal, foi outra feliz surpresa de 2009.

30
dez

Em 2009, o polêmico Henry Louis Mencken (ou simplesmente H. L. Mencken) marcou presença no Orelha do Livro. A obra acima, que havia sido publicada no Brasil nos anos 1980, ganhou reedição este ano pela Cia das Letras. Em seu capítulo sobre os tipos de homens, ele escreveu, a respeito do dono da verdade:

“O homem que se gaba de só dizer a verdade é simplesmente um homem sem nenhum respeito por ela. A verdade não é uma coisa que rola por aí, como dinheiro trocado; é algo para ser acalentada, acumulada e desembolsada apenas quando absolutamente necessário. O menor átomo da verdade representa a amarga labuta e agonia de algum homem; para cada pilha dela, há o túmulo de um bravo dono da verdade sobre algumas cinzas solitárias e uma alma fritando no Inferno.”

Ouça o podcast:

 
icon for podpress  O Livro dos Insultos [H.L. Mencken] [1:54m]: Play Now | Play in Popup | Download

20
dez

Ouça a seguir o programa veiculado em agosto sobre o crime cometido contra uma das obras mais conhecidas de Ernest Hemingway:

 
icon for podpress  Paris é uma Festa [Ernest Hemingway] [1:53m]: Play Now | Play in Popup | Download

13
dez

Na semana passada o escritor pernambucano Raimundo Carrero venceu pela segunda vez o Prêmio Machado de Assis, da Biblioteca Nacional, pela publicação do romance A minha alma é irmã de Deus - em 1995, o motivo da premiação foi o livro Somos pedras que se consomem. Há poucos meses ele esteve na Bienal do Livro de Curitiba para ministrar uma oficina sobre romance, e eu aproveitei pra dar uma palavrinha com o mestre. Ouça aqui o programa, veiculado na Lumen FM em setembro.

 
icon for podpress  Raimundo Carrero Entrevista [1:55m]: Play Now | Play in Popup | Download

04
dez

Para a Fátima de Carvalho, ela representa uma evolução pessoal. Para o Gustavo Costi, miniuniversos que alimentam a imaginação. Helen May Sholl diz que a importância da literatura está em olhar o mundo e enxergar a nós mesmos. O poeta Claudio Bettega canta que a literatura dá prazer na leitura/ ajuda na cura/ das desditas/ com letras escritas. Pâmela Manica se orgulha de contar que a literatura amplia o imaginário de forma infinita. “Ela me faz curiosa”, reflete Simon Slompo. Você pode levar um livro para qualquer parte e nunca estará só, explica Manuela Abdo Maia. Uma viagem por outros tempos e lugares, que amplia horizontes e desfaz preconceitos, segundo Luís Henrique Henning. Um mundo à parte onde não há o compromisso com a realidade, e, no entanto, é de onde extraímos as mais verdadeiras mentiras, filosofa Alvaro Posselt. Ou, como disse Melissa Andrade: “simplesmente o meu terceiro olho para a vida”.

Estes e muitos outros leitores deram a sua opinião no primeiro aniversário do Orelha do Livro. A contemplada com uma coleção de obras da Editora Fundamento é a Ana Claudia França, que escreveu: “A importância da literatura na minha vida está em encontrar tantas vidas na literatura que sou capaz de escutar ecos de mim mesma entre as páginas.”

Obrigada pela participação de todos e todas. Uma ótima leitura e até a próxima.