30
jul

O escritor e blogueiro carioca Alex Castro, acostumado a publicar suas obras em versão digital, resolveu inovar na publicação de seu romance de estréia, “Mulher de um homem só”: o autor está “passando o chapéu” desde o final de junho e, com a quantia arrecadada através da pré-venda na internet, irá lançar a obra em livro impresso pela editora  Os Vira-Lata. A comercialização vem acontecendo dentro do princípio de “pague o quanto quiser”, partindo do valor mínimo de R$18 mais frete. Quem contribuir até o dia primeiro de agosto recebe os primeiros exemplares numerados da tiragem do livro, com direito a autógrafo e tudo. Já aqueles que compraram até 20 de julho serão citados na página de agradecimentos da obra impressa.

A estratégia de tornar leitores patronos da obra, além de simpática – e justa, já que Alex oferece leitura de qualidade totalmente grátis em seu blog Liberal, Libertário, Libertino desde 2003 – mostra que há formas bem mais inventivas de ser publicado, sem ter que se submeter ao crivo das grandes editoras.
“Mulher de um homem só” esteve disponível para download entre 2002 e 2006. Os mais de 30 mil leitores que baixaram a obra de graça estiveram diante de um romance sobre os desafios e as atribulações do começo da vida adulta, que aborda também a amizade entre homens e mulheres. Quem não teve a chance de ler na época não pode perder agora. Para comprar o livro em pré-venda até depois de amanhã é só clicar aqui.

Lançamento de “Mulher de um Homem Só” em São Paulo
1º/08/2009 (sábado), às 19 horas
Canto Madalena (Rua Medeiros de Albuquerque, 471 – Vila Madalena)

Lançamento no Rio de Janeiro
07/08/2009 (sexta-feira), às 18 horas
Amarelinho (Praça Floriano, 55B – Cinelândia)

28
jul

Há quem diga que Marcos Prado – e não Paulo Leminski – foi o maior poeta que o Paraná já teve. Como se a poesia fosse dada a rankings bestas. O fato é que “Ultralyrics”, livro organizado por Felipe Hirsch que reúne boa parte da obra poética de Marcos, está sendo reeditado pela Travessa dos Editores. O lançamento será nessa sexta-feira (31) às 19h30 no Teatro Universitário de Curitiba (TUC), na Galeria Julio Moreira.

Figura sempre presente nas rodas culturais curitibanas dos anos 80 e 90, Marcos Prado foi poeta, ator, tradutor, repórter, redator, letrista e compositor – dos bons -, tendo influenciado desde os dramaturgos Mario Bortolotto e Felipe Hirsch a bandas como Beijo AA Força, que gravou a maioria de suas músicas e assina o disco “Aquelas músicas de Marcos Prado”, encartado em “Ultralyrics”. O poeta deixou o mundo há 13 anos.

Na festa de lançamento da segunda edição do livro, poemas e músicas de Marcos Prado serão interpretados por Thadeu Wojciechowski, Edilson Del Grossi, Os Cervejas, Oswaldo Rios, Edson de Vulcanis, Walmor Góes, Ivan Justen, João Gilberto Tatára, Mônica Berger, Sidail César, Luiz Ferreira, Ieda Godoy e Roberto Prado, seu irmão. Será exibido ainda o vídeo “Marcos Prado Tridimensional”, de Rafael Lopes.
A entrada é franca.

p.s.: alguém sabe de quem é essa foto?

23
jul

Já que no sábado que vem comemora-se o Dia Nacional do Escritor, a Cinemateca de Curitiba irá exibir de 25 a 28 de julho alguns títulos especiais, tendo a literatura como pano de fundo. A mostra está dividida em dois programas, um deles trazendo filmes da Programadora Brasil e, outro, com curtas-metragens paranaenses. Entre os homenageados estão Guimarães Rosa, Dalton Trevisan, Luiz Villela, Castro Alves, Leminski, Borges e Allan Poe, entre outros. Confira a lista completa (a entrada é gratuita):

Dias 25, 27 e 28, às 16h:
Programa 1 (Programadora Brasil - duração 91’) – Classificação 16 anos

A JOÃO GUIMARÃES ROSA (BR/SP, 1968, exp., 13’). Direção de Roberto Santos e Marcelo G. Tassara. Imagens do sertão mineiro (tipos humanos, aspectos geográficos, afazeres domésticos) e trechos narrados do romance “Grande Sertão: Veredas”.

A MOÇA QUE DANÇOU DEPOIS DE MORTA (BR/DF, 2003, ani., 11’). Direção de Ítalo Cajueiro. Baseado em uma história de cordel de J. Borges, renomado artista popular e produzido inteiramente com xilogravuras originais do próprio autor, esse curta metragem em animação conta a história de um rapaz que se apaixona por uma misteriosa moça num baile de carnaval do interior, sem saber que esse encontro iria mudar a sua vida para sempre.

BIOGRAFIA DO TEMPO (BR/MG-CUBA, 2004, doc., 8’). Direção de Joana Oliveira e Marcos Pimentel. Uma reflexão sobre a memória, construída pelo encontro das obras do brasileiro Pedro Nava e do cubano Santiago Alvarez.

FRANÇOISE (BR/MG, 2001, fic., 22’). Direção de Rafael Conde. Com Débora Falabella, Fernando Ernesto e Rogério Falabella. Uma garota chamada Françoise. Um viajante esperando a partida. Dois solitários numa estação rodoviária. Adaptação do conto homônimo de Luiz Villela.

IMENSIDADE (BR/SP, 2003, fic/exp., 15). Direção de Amílcar M. Claro. Com Débora Duboc. O curta tem como fio condutor “O Navio Negreiro”, poema épico abolicionista de Castro Alves. A exemplo de outras obras do período romântico, “O Navio Negreiro” foi concebido para ser lido em praça pública. Idalina, único personagem ficcional do filme, o faz agora pelas ruas da cidade.

MEU NOME É PAULO LEMINSKI (BR/RJ, 2004, doc. 5’). Direção Cezar Migliorin. Embate entre pai e filho em torno de poesia de Paulo Leminski. “Tudo o que eufaço, alguém em mim que eu desprezo sempre acha o máximo; mal rabisco, não dá mais para mudar nada, já é um clássico”.

TRANSUBSTANCIAL (BR/PB, 2003, fic., 17’). Direção de Torquato Joel. Com Walmar Pessoa, Fernando Teixeira, Luiz Carlos Vasconcelos e Carlos Gregório. Uma visão existencialista da obra do poeta Augusto dos Anjos a partir de fragmentos de seus poemas.

Dia 26 às 16h e Dia 28 às 20h:
Programa 2 (Curtas Paranaenses – duração 59’) Classificação 16 anos

O CORVO (BR/PR, 1983 – 12’). Direção de Valêncio Xavier. Livre adaptação do poema de Edgar Allan Poe, com base em livre tradução de Reynaldo Jardim.

EM BUSCA DE CURITIBA PERDIDA (BR/PR, 2008 – 14’). Direção de Estevan Silveira. Com Alexandre da Silveira, Alzemiro Amaral, Anna Lajes Pinheiro. Adaptação do conto de Dalton Trevisan, do livro Mistérios de Curitiba. Trata-se de uma releitura de Curitiba dos anos 70.

BALADA DO VAMPIRO (BR/PR, 2007 – 13’). Direção de Beto Carminatti e Estevan Silveira. Com João Luiz Fiani.História de Nelsinho, famoso personagem dos contos do escritor curitibano Dalton Trevisan.

BORGES O HOMEM DOS OLHOS MORTOS (BR/PR, 2006 – 20’). Direção de Nivaldo Lopes. Com Anselmo Orani, Anderson Fagnello e Emílio Pitta. Relata encontro entre Jorge Borges (escritor já recluso) e o jornalista brasileiro Álvaro Alves Faria, em Buenos Aires, na década de 80, pouco antes da morte do escritor argentino.

21
jul

Quando eu digo que o Kindle é coisa do tinhoso, ninguém acredita.

Pois, na semana passada, quem adquiriu o clássico “1984″ de George Orwell na versão eletrônica certamente se sentiu vigiado pelo Grande Irmão. É que, depois de constatar problemas com os direitos autorais da obra, a Amazon simplesmente invadiu os Kindles alheios e apagou o livro de Orwell das “teletelas” de seus usuários.
(Bom, pelo menos teve a decência de devolver os US$ 0,99 investidos na compra.)

Situação semelhante seria você comprar um livro da Companhia das Letras, depositá-lo no criado-mudo depois de ler algumas páginas e, de manhãzinha, descobrir que a editora entrou no seu quarto e confiscou a obra após perceber erros de revisão. Isso, é claro, sem esquecer de deixar seu dinheiro em notas amassadas, ao lado do travesseiro. Duro mesmo é ficar sem saber o fim da história

Quanto a mim, continuo preferindo livros de papel, que ainda são mais seguros.

04
jul

Acabo de assistir à transmissão ao vivo na internet da mesa em que participou António Lobo Antunes na Flip. (Aliás, as transmissões foram ótimas. Se soubesse, talvez não tivesse viajado mais de 15 horas de ônibus até Paraty, como fiz no ano passado!)

A conversa entre o escritor português e Humberto Werneck durou pouco menos de 40 minutos e, como era de se esperar, proporcionou algumas belas reflexões sobre o papel do escritor, do leitor e essa ponte que os aproxima: o livro. Para Lobo Antunes – assim como para Chico Buarque, que o confessou ontem na mesa Seqüências Brasileiras -, “ler dá muito mais prazer do que escrever”. Em sua opinião, “descobrir um bom livro é uma festa”. Entre suas últimas descobertas está “Cotovia”, do húngaro Deszö Kosztolányi, e os livros de Cormac McCarthy. O mineiro Paulo Mendes Campos ainda foi citado como um escritor que os brasileiros não costumam conhecer.

Eis algumas frases que pude anotar rapidamente, antes do Werneck encerrar a mesa e Antunes ser ovacionado pelo público:

“Escrever um livro é como fazer uma almofada para pousar a cabeça na hora da morte. Arredondar esse livro significa tornar essa almofada perfeita.”

“Um livro bom é aquele que é escrito somente para mim.”

“Um escritor deve trabalhar 8 horas por dia: 2 escrevendo e 6 corrigindo.”

“Me dá muito prazer ler os livros de Gabriel Garcia Marquez, mas não me daria nenhum prazer tê-los escrito.”

“O nome do leitor é que deveria estar na capa do livro, não o do autor. Porque é ele que escreve o livro, na verdade, cada vez que o lê.”

01
jul

Começa hoje mais uma edição da Festa Literária Internacional de Paraty, que esse ano traz Gay Talese, António Lobo Antunes, Simon Schama e mais uma dúzia de nomes interessantes das letras mundiais. Quem estiver longe da histórica cidade carioca pode acompanhar as mesas pela internet, que terão transmissão ao vivo por aqui.

(Foto: Luciana Serra)
01
jul

Alguma coisa repentina e simples ia acontecer, e eu poderia me salvar escrevendo“.

O lendário escritor uruguaio Juan Carlos Onetti, autor de “A Vida Breve”, “Junta cadáveres” e tantos outros livros, estaria completando hoje cem anos de vida. A edição dessa quarta-feira do jornal espanhol El País trouxe reportagens, galerias fotográficas e arquivos de áudio do autor lendo seus textos. Reproduzo aqui, em tradução minha, o início do texto do jornalista Juan Cruz:

“Por que amamos tanto Onetti, o escritor que hoje completa 100 anos? Em primeiro lugar, porque era todo literatura. Essa era sua paixão; quer dizer, era um leitor, e depois era um escritor. Por necessidade interior, pela paixão de o ser. Seu papo não era literário; era o de uma pessoa normal que vive para ler, mas não vivia para contar nem suas leituras, nem suas obsessões literárias. Lia, escrevia, aí estava; ele não tinha um baú de inéditos para te ler ao entardecer. Era um escritor de destaque, mas nem se achava assim, nem o dizia.” Continuar lendo.