Por Rodrigo Jardim
Um amigo do meu melhor amigo disse que tinha um conhecido que levava livros para passear. Nada oficial, apenas o desejo insólito de vagar a esmo acompanhado de duas ou três brochuras pelas ruas da cidade. Posso ver esse sujeito sentado diante de uma praça a folhear seus livrinhos ao vento pelo puro apego e carinho pelas letras impressas. Se o livro é esse veículo que invariavelmente nos leva tão longe, por que não levá-lo uma vez ou outra para passear? Conversa de maluco? Quem sabe? O fato é que andanças com livros são salutares. Em primeiro lugar para arejar os livros, evitando mofo e minimizando a umidade presente em suas páginas. Em segundo lugar – e quem tem livros sabe – caminhar com eles é bom porque uma hora ou outra é possível abri-los e lê-los. Essa pausa para a leitura é básica. Nunca se sabe o tempo que poderemos perder numa fila de banco, em um consultório odontológico ou no trânsito de São Paulo, por exemplo. É bom tê-los à mão. Sua companhia é mais adequada que a de um celular, que sempre toca na hora errada. Um livro é sempre aberto na hora certa. Nas ilhas desertas que se transformaram nossas cidades – ilhas de desespero, miséria insensibilidade, loucura, medo, violência, poluição atmosférica e visual e essa lista é interminável - livros são benditas e benéficas mensagens encontradas em uma garrafa. Ande com eles.
(foto: Moriza)




10 Responses to “De passeios, ocios e vagabundagens com livros”
olá, mari :)
parabéns pelo projeto, acompanho o orelha do livro desde o inicio e lia/leio o comovente e belissimo caos portátil.
tenho uma sugestao pra você: http://www.estuario.com.br/. trata-se do blog do samarone lima, criatura encantadora e apaixonada por literatura, pela palavra, pelos livros.
Ele mora em Recife (lugar onde nasci, cresci e permaneço até hoje)e entre outras atividades escreve cronicas de nos fazer sentir ” cosquinhas no coraçao”, no blog e nos livros que publicou. vale muito a pena.
um abraço
Sempre levo livros para passear…
Um livro na bolsa, sempre.
Sempre uma viagem diferente.
talvez isso explique o poder de sedução dos pocket books: eles são “os mais saidinhos”…
Hehe! Boa, Ale!
Amanda, obrigada pela presença constante. Ando com pouco tempo de postar no Caos Portátil, mas um dia voltarei a escrever por lá. Sobre o Samarone Lima, gostei muito de seu texto! Adorei a indicação!
Abraços
Isso me parece uma idéia de Peter Kien do Canetti! rss…
Muito boa…Parabens
mari, assim como o erico verissimo fez no tempo e o vento, ao transformar as pessoas do continente num retrato, depois num arquipélago, eu acho que são as pessoas e não as cidades que são ilhas. o bon jovi canta they say that no man is an island, mas eu discordo. fico com o veríssimo que é mais sábio. =)
eu sempre tenho um livro na mochila. pode ser um livro que não li, mas eu tenho a mania de reler exaustivamente aquilo que me interessa. fama e anonimato eu li várias. decorei passagens inteiras de um certo capitão rodrigo. sem falar de dona flor e seus dois maridos…
hehe! Entre o Érico Veríssimo e o Bon Jovi você escolheu bem, Vilmar ;D
Reler é muito bom; essencial, eu diria. O Nelson Rodrigues também acha isso, então não podemos estar tão errados!
Abração, gosto muito de suas visitas!
Imagine um sujeito que jamais leu e que gosta de posar de leitor: ROD GARDEN, o mala. No MonKa Bar, faz pose, como todos os malas, de leitor: duvido que tenha lido algo, e tenho fé.
Apesar de ofensivo, decidi aceitar o comentário acima porque o Orelha do Livro é democrático e respeita opiniões. Melhor seria se o ‘Onan’ assinasse com seu verdadeiro nome.
Abraços