28
mar

Por Rodrigo Jardim

Um amigo do meu melhor amigo disse que tinha um conhecido que levava livros para passear. Nada oficial, apenas o desejo insólito de vagar a esmo acompanhado de duas ou três brochuras pelas ruas da cidade. Posso ver esse sujeito sentado diante de uma praça a folhear seus livrinhos ao vento pelo puro apego e carinho pelas letras impressas. Se o livro é esse veículo que invariavelmente nos leva tão longe, por que não levá-lo uma vez ou outra para passear? Conversa de maluco? Quem sabe? O fato é que andanças com livros são salutares. Em primeiro lugar para arejar os livros, evitando mofo e minimizando a umidade presente em suas páginas. Em segundo lugar – e quem tem livros sabe – caminhar com eles é bom porque uma hora ou outra é possível abri-los e lê-los. Essa pausa para a leitura é básica. Nunca se sabe o tempo que poderemos perder numa fila de banco, em um consultório odontológico ou no trânsito de São Paulo, por exemplo. É bom tê-los à mão. Sua companhia é mais adequada que a de um celular, que sempre toca na hora errada. Um livro é sempre aberto na hora certa. Nas ilhas desertas que se transformaram nossas cidades – ilhas de desespero, miséria insensibilidade, loucura, medo, violência, poluição atmosférica e visual e essa lista é interminável - livros são benditas e benéficas mensagens encontradas em uma garrafa. Ande com eles.

(foto: Moriza)

10 Responses to “De passeios, ocios e vagabundagens com livros”

olá, mari :)

parabéns pelo projeto, acompanho o orelha do livro desde o inicio e lia/leio o comovente e belissimo caos portátil.
tenho uma sugestao pra você: http://www.estuario.com.br/. trata-se do blog do samarone lima, criatura encantadora e apaixonada por literatura, pela palavra, pelos livros.
Ele mora em Recife (lugar onde nasci, cresci e permaneço até hoje)e entre outras atividades escreve cronicas de nos fazer sentir ” cosquinhas no coraçao”, no blog e nos livros que publicou. vale muito a pena.

um abraço

amanda
março 29th, 2009

Sempre levo livros para passear…

março 29th, 2009

Um livro na bolsa, sempre.
Sempre uma viagem diferente.

março 30th, 2009

talvez isso explique o poder de sedução dos pocket books: eles são “os mais saidinhos”…

Ale Moretti
março 30th, 2009

Hehe! Boa, Ale!
Amanda, obrigada pela presença constante. Ando com pouco tempo de postar no Caos Portátil, mas um dia voltarei a escrever por lá. Sobre o Samarone Lima, gostei muito de seu texto! Adorei a indicação!
Abraços

Mariana Sanchez
março 30th, 2009

Isso me parece uma idéia de Peter Kien do Canetti! rss…
Muito boa…Parabens

Marci Kuhn
março 31st, 2009

mari, assim como o erico verissimo fez no tempo e o vento, ao transformar as pessoas do continente num retrato, depois num arquipélago, eu acho que são as pessoas e não as cidades que são ilhas. o bon jovi canta they say that no man is an island, mas eu discordo. fico com o veríssimo que é mais sábio. =)

eu sempre tenho um livro na mochila. pode ser um livro que não li, mas eu tenho a mania de reler exaustivamente aquilo que me interessa. fama e anonimato eu li várias. decorei passagens inteiras de um certo capitão rodrigo. sem falar de dona flor e seus dois maridos…

vilmar luiz
abril 2nd, 2009

hehe! Entre o Érico Veríssimo e o Bon Jovi você escolheu bem, Vilmar ;D

Reler é muito bom; essencial, eu diria. O Nelson Rodrigues também acha isso, então não podemos estar tão errados!

Abração, gosto muito de suas visitas!

Mariana Sanchez
abril 6th, 2009

Imagine um sujeito que jamais leu e que gosta de posar de leitor: ROD GARDEN, o mala. No MonKa Bar, faz pose, como todos os malas, de leitor: duvido que tenha lido algo, e tenho fé.

abril 18th, 2009

Apesar de ofensivo, decidi aceitar o comentário acima porque o Orelha do Livro é democrático e respeita opiniões. Melhor seria se o ‘Onan’ assinasse com seu verdadeiro nome.
Abraços

Mariana Sanchez
abril 19th, 2009