31
mar

Mais de 46 mil livros viraram cinzas no Instituto Autônomo de Bibliotecas do estado de Miranda, o segundo mais populoso da Venezuela. Segundo Miriam Hermoso, presidente da instituição, os livros foram destruídos pela anterior gestão regional por “motivos ideológicos”. Ela afirmou que as obras estavam relacionadas com o que consideram “o império norte-americano”, citando como exemplo “histórias infantis onde há neve”. De acordo com Hermoso, a gestão anterior deu mais importância à literatura revolucionária e seu principal objetivo era a formação ideológica”.
Em artigo para o jornal venezuelano El Universal, Beatriz W. De Rittigstein lembra a frase do poeta alemão Heinrich Hein, de 1821: “Aí onde se queimam livros, também acabam queimando seres humanos.”

Cena do filme Farenheit 451, de François Truffaut, baseado no livro homônio de Ray Bradbury.

28
mar

Por Rodrigo Jardim

Um amigo do meu melhor amigo disse que tinha um conhecido que levava livros para passear. Nada oficial, apenas o desejo insólito de vagar a esmo acompanhado de duas ou três brochuras pelas ruas da cidade. Posso ver esse sujeito sentado diante de uma praça a folhear seus livrinhos ao vento pelo puro apego e carinho pelas letras impressas. Se o livro é esse veículo que invariavelmente nos leva tão longe, por que não levá-lo uma vez ou outra para passear? Conversa de maluco? Quem sabe? O fato é que andanças com livros são salutares. Em primeiro lugar para arejar os livros, evitando mofo e minimizando a umidade presente em suas páginas. Em segundo lugar – e quem tem livros sabe – caminhar com eles é bom porque uma hora ou outra é possível abri-los e lê-los. Essa pausa para a leitura é básica. Nunca se sabe o tempo que poderemos perder numa fila de banco, em um consultório odontológico ou no trânsito de São Paulo, por exemplo. É bom tê-los à mão. Sua companhia é mais adequada que a de um celular, que sempre toca na hora errada. Um livro é sempre aberto na hora certa. Nas ilhas desertas que se transformaram nossas cidades – ilhas de desespero, miséria insensibilidade, loucura, medo, violência, poluição atmosférica e visual e essa lista é interminável - livros são benditas e benéficas mensagens encontradas em uma garrafa. Ande com eles.

(foto: Moriza)

25
mar

 
icon for podpress  Retrato do Artista Quando Coisa [Manoel de Barros] [1:20m]: Play Now | Play in Popup | Download

Só porque a fofíssima Paula Albuquerque pediu, eis nosso querido Manoel de Barros no Orelha do Livro. Este foi o último programa veiculado em 2008, pra fechar o ano lindamente! Clique no podcast para ouvir.

23
mar

Grandes autores que você pode ver no Festival de Teatro de Curitiba, de 17 a 29 de março:

A Mulher que Escreveu a Bíblia
Texto: Moacyr Scliar
Direção: Guilherme Piva
Dias 23 e 24/3, às 21h
Teatro Paiol

Aquela Mulher
Texto: José Eduardo Agualusa
Direção: Antonio Fagundes
Elenco: Marília Gabriela
Dias 21, 22 e 23/3, às 21h
Teatro Positivo (pequeno auditório)

Fala comigo como a chuva
Texto: Tennessee Williams
Cia Teatro Adulto
Dias 23 às 12h e 24 às 13h
Teatro Cleon Jacques

Medida por medida
Texto: William Shakespeare
Direção: Gilberto Gawronski
Dias 27 e 28/3, às 21h
Teatro Guaíra (Guairão)

Muito Barulho por Quase Nada
Texto: William Shakespeare
Direção: Fernando Yamamoto e Eduardo Moreira
Dias 28 e 29/3, às 21h
Teatro do Paiol

O Estrangeiro
Texto: Albert Camus
Direção: Vera Holtz e Guilherme Leme
Dias 24 e 25/3, às 21h
Teatro Guaíra (Guairinha)

Rock’N'Roll
Texto: Tom Stoppard
Direção: Felipe Vidal e Tato Consorti
Dias 28 e 29/3, às 21h
Teatro Positivo

Sin Sangre
Texto: Alessandro Baricco
Direção: Juan Carlos Zagal (Chile)
Dias 27, 28 e 29/3, às 21h
Teatro da Reitoria

(Foto: Kelly Knevels, da peça “Histórias de Chocar”). Para mais info, entre no site do FTC.

23
mar

Você é um dos mais respeitados autores contemporâneos da Itália e também um dos mais vendidos. Ao criar uma história, você pensa no leitor?

ALESSANDRO BARICCO: Não em termos de mercado. Eu acho que é como fazer uma mesa. Eu quero fazer alguma coisa que funcione. Uma coisa sólida onde as pessoas podem apoiar seus copos e beber. Os livros, para mim, são coisas úteis, de que as pessoas precisam, como precisam de pão. Eu penso no leitor porque quero que ele se sente e use a mesa. E quero que ele ache que é uma mesa confortável, bonita. Esse é o meu trabalho.

(Trecho da entrevista de André Miranda com o escritor italiano Alessandro Baricco durante a Flip 2008. Leia a íntegra aqui).

18
mar

 
icon for podpress  Pó de Parede [Carol Bensimon] [1:35m]: Play Now | Play in Popup | Download

Uma das boas surpresas do ano passado foi a gaúcha Carol Bensimon, que você confere neste podcast.

18
mar

 
icon for podpress  Arte de Viajar [Alain de Botton] [1:49m]: Play Now | Play in Popup | Download

17
mar

O Paralelo Centro de Artes Visuais inspirou-se em Carlos Drummond de Andrade para criar o projeto in-versos, onde 21 artistas visuais produzem trabalhos inéditos a partir de versos do poema “Desfile”, do poeta mineiro. “O objetivo está além de discutir uma conversão de linguagens. Queremos encontrar as imagens possíveis no verso, no lado avesso da palavra.”, conta a idealizadora da proposta, Nicole Lima. O resultado pode ser visto na Estreita Galeria, em Curitiba, de 16/03 a 15/05.

14
mar

Hoje, no aniversário de Castro Alves, é dia de celebrar Vinicius de Moraes, Ana Cristina Cesar, Drummond, Meireles, Augusto dos Anjos, Ferreira Gullar, Chacal, Clarice Lispector, Mário Quintana, Décio Pignatari, Manoel de Barros, Paulo Leminski, Hilda Hilst, Waly Salomão e mais uma porção de poetas brasileiros de ontem, hoje e sempre. O Orelha do Livro selecionou para você alguns poemas em texto, áudio e video. Poste aqui você também o seu poema preferido!

A verdadeira arte de viajar

A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali…
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!

Mario Quintana - A verdadeira cor do invisível

Poemas aos homens do nosso tempo VI

Tudo vive em mim. Tudo se entranha
Na minha tumultuada vida. E porisso
Não te enganas, homem, meu irmão,
Quando dizes na noite, que só a mim me vejo.
Vendo-me a mim, a ti. E a esses que passam
Nas manhãs, carregados de medo, de pobreza,
O olhar aguado, todos eles em mim,
Porque o poeta é irmão do escondido das gentes
Descobre além da aparência, é antes de tudo
LIVRE, e porisso conhece. Quando o poeta fala
Fala do seu quarto, não fala do palanque,
Não está no comício, não deseja riqueza
Não barganha, sabe que o ouro é sangue
Tem os olhos no espírito do homem
No possível infinito. Sabe de cada um
A própria fome. E porque é assim, eu te peço:
Escuta-me. Olha-me. Enquanto vive um poeta
O homem está vivo.

Hilda Hilst – Júbilo, memória, noviciado da paixão

Clique para ouvir a poesia concreta de Décio Pignatari:

 
icon for podpress  Beba Coca Cola - Décio Pignatari [0:15m]: Play Now | Play in Popup | Download

09
mar

Quem leu o “Jornal da Guerra contra os Taedos”, livro de Manoel Carlos Karam, sabe que os taedos ficaram famosos pelos seus espirituosos e enigmáticos provérbios. Pegando carona nessa ideia, o Orelha do Livro lançou uma promoção: o autor do provérbio “taediano” mais divertido ganharia um par de ingressos para assistir à peça teatral adaptada do livro, com direção de Diego Fortes, em cartaz até este domingo em Curitiba (foto). Como recebemos muitas frases merecedoras do prêmio, escolhemos três ganhadores. Eis suas criações:

“Uma blosquerba só se quebra quando é abatida”.
Cláudio Bettega

“Macundo com bungunda não se bruzunda em fímbria”.
Luiz Gustavo

“A gente todos os dias lava os dentes: por que não o fizerórnio?”
“As dificuldades são como os seres galbulos. Elas só aplaxispam-se quando azebritam.”
“Esporânglios me mordam!”

Rafael Urban

(Rafael, na verdade, chegou a enviar mais de uma dúzia de frases, mas essas três foram excepcionais.)

Obrigada guris, e bom espetáculo! E se você também quer ver essa peça da Armadilha Cia de Teatro, ela está em cartaz no Novelas Curitibanas às 21h de quarta a sábado e 19h no domingo. (foto: Lucília Guimarães)