18
fev

Depois de Alessandro Martins, Leonardo Pastor e André Gazola, também resolvi descrever alguns dos meus hábitos e manias de leitora de livros. Aí vão:

- Antes de iniciar uma leitura, manipulo o objeto-livro, cheiro suas páginas (quando não foi adquirido em sebo!), leio orelhas, contracapa, prefácio, pósfácio e, se deixar, ainda contemplo longamente a fotografia do autor/a.

- Posso passar muitas horas em livrarias, sebos ou bibliotecas sem comprar/emprestar nada. Aliás, raramente compro alguma coisa e costumo dar trabalho aos atendentes.

- Não me importo que alguém conte o desfecho de uma história. Quando me interesso pelo autor ou a obra, nem a informação prévia da última linha me faz desistir da leitura.

- Aliás, quando estou muito ansiosa, leio a última frase do livro bem antes de chegar lá – uma espécie de teste que faço comigo mesma, só pra provar que isso não altera nada na história. O que importa é a viagem.

- Não apenas empresto livro às pessoas, como chego ao ponto de insistir que o levem. Mas isso só com amigos mais “chegados”, de quem conheço o gosto literário.

- Depois que empresto, fico constrangida ao lembrar minhas marcações a lápis nos cantos das páginas.

- Não fico enjoada ao ler no ônibus, mesmo que seja um ‘ligeirinho’ lotado às 18h30.

- Gosto de ter meus livros autografados. Não como tietagem besta, mas como forma de demonstrar ao escritor que apreciei seu trabalho. E, logicamente, só peço autógrafos a quem admiro.

- Em casa, tenho livros na sala, no quarto e no banheiro – lugar ideal para ler quadrinhos, crônicas e poesias.

- Leio em voz alta quando minha gata está por perto. E ela gosta.

- Tenho mania de achar que certos livros bons são “altamente cinematográficos”.

- Quando gosto muito de um livro ou autor, tento ‘evangelizar’ pessoas para que o conheçam também. Meu entusiasmo é tanto que a maioria delas acaba sucumbindo.

- Costumo usar aquelas tiras-teste de cópias fotográficas para marcar livros. Dá utilidade ao pedacinho de papel que iria pro lixo e ainda decora as páginas com um fiapo de imagem em preto-e-branco.

- Todo ano faço listas de livros que li, quero ler ou devo ler. Nem todos são terminados.

- Não gosto de conversar seriamente sobre livros. Fujo de estudantes de letras, especialmente dos que estão escrevendo monografia.

- Tenho ideias quando estou lendo livros de ficção. Quando são urgentes, uso a última folha em branco para anotá-las (a lápis).

- Adoro receber livros pelo correio.

- Quando presenteio alguém, geralmente dou um livro.

- Sempre anoto dia, hora e local em que terminei de ler um livro. É um hábito de meu avô, que lia muito Dostoievski. Como parte de sua biblioteca ficou para mim, mantive a tradição, assinando ao lado de seu nome.

- Nunca vou dormir sem ler ao menos uma página de um livro de cabeceira.

- Considero livrarias lugares mágicos. Foi em uma delas que conheci meu marido.

10
fev

Em seu livro “Jornal da Guerra contra os Taedos”, lançado em 2008 pela Kafka Edições, Manoel Carlos Karam escreve que os taedos ficaram conhecidos por três motivos: a guerra, o hábito de usar cuecas pelo avesso e seus provérbios peculiares. Alguns deles:

* “Um consenque não vale um sonho”.
* “Elefante só retasba na primavera.”
* “Radão competente não chora no sábado.”
* “Criança feliz não tem repemeglo.”
* “Marinheiro que entaboa não sobe a bordo.”
* “Esourifa não mama.”
* “Dogarto ilustre sabe latim.”

Agora, inspire-se e crie um provérbio taedo original. O autor do mais criativo irá ganhar um par de ingressos para assistir à peça “Jornal da Guerra contra os Taedos”, da Armadilha Cia de Teatro, dirigida por Diego Fortes e adaptada da obra de Karam. A estréia será no dia 18/02 e a peça permanece em cartaz até 15 de março, no teatro Novelas Curitibanas (em Curtitiba, naturalmente). Envie suas frases para mariana@orelhadolivro.com.br ou deixe um post aqui mesmo!

10
fev

capa do livro
Edição especial com fotos de Evandro Teixeira.

 
icon for podpress  Vidas Secas 70 anos. [1:39m]: Play Now | Play in Popup | Download

10
fev

Roberto Gomes é filósofo, escritor e diretor da Criar Edições.

 
icon for podpress  Entrevista com Roberto Gomes [Criar Edições] [1:57m]: Play Now | Play in Popup | Download

10
fev

 
icon for podpress  O Conto de Natal de Auggie Wren - Paul Auster [1:30m]: Play Now | Play in Popup | Download

04
fev

Capa do livro.
O podcast que você escuta clicando aqui embaixo foi veiculado na véspera de Natal. Ouça também as canções inspiradas no gato e na andorinha no link.

 
icon for podpress  O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá. [Jorge Amado] [1:16m]: Play Now | Play in Popup | Download

02
fev

Quando eu era jovem, pensava que só devia escrever e publicar depois de ter lido uma biblioteca formada por grandes livros. Eu me obriguei a ler livros que hoje não leria mais, textos que não me deram uma gota de prazer no ato da leitura. Foi um erro, mas não me arrependo. O que eu posso dizer a um autor iniciante? Em primeiro lugar, a vida é mais complexa que a literatura, mas uma literatura consistente parte exatamente da assimilação da complexidade da vida, que inclui a leitura interessada de bons livros. Diria também que a literatura exige paciência e muito trabalho, e que a imaginação é filha desses atributos. Por fim, é preciso ter cuidado para não cair na tentação da vaidade extrema nem do experimentalismo vazio e superficial. A novidade de uma obra vem da configuração do texto pelo narrador, do vínculo necessário e profundo da linguagem com o assunto, e não da moda literária ou de um compromisso neurótico de se escrever algo absolutamente original. Do ponto de vista da linguagem, o nouveau roman francês não tem muita novidade, e o próprio Barthes reconheceu isso. A busca insana de uma “originalidade genial” pode ser algo inibidor e desastroso para um jovem. Acredito que todo ser humano tem uma experiência de vida, aquilo que Giorgio Agamben chama de “infância do ser humano”. Ele diz algo assim: a linguagem aparece como o lugar em que a experiência deve tornar-se verdade. E a literatura é a transcendência pela linguagem de uma vida empírica ou do que nomeamos realidade. Uma linguagem que transmita uma verdade interior, não mascarada nem superficial.

(Trecho de entrevista com o escritor manauara Milton Hatoum, publicada no Digestivo Cultural. A foto acima é de Lucila Wroblewski.)

01
fev

Se você mora em Curitiba, almoce no restaurante Armazém Italiano e participe da promoção, que acontece até 14/03. O restaurante é uma delícia (mesmo!) e fica na Av. Sete de Setembro, 4750, no Batel. A cesta sorteada inclui a nova edição de O Conde de Monte Cristo, crônicas inéditas de Manuel Bandeira, Vinicius de Morais e outros autores imperdíveis!