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Se você pousou nesta página – e não foi acidentalmente –, é porque temos pelo menos um hábito em comum. Trata-se daquela mania incontrolável, descrita por um monossílabo verbal de segunda terminação, um verbo sintético de três brevíssimas letras e tão bem pronunciado pelos curitibanos. Ler. Um verbo afetivo, avesso a imperativos, que costuma ser conjugado desde cedo pelos pequenos até alcançar mais e melhores flexões. Das Reinações de Narizinho lidas por sua mãe antes de dormir, até os sete volumes proustianos que um dia você lerá, em busca de algum tempo perdido, o verbo ler exprime ação, estado, sensação, sentimento. Ou então, o que mais levaria Clarice Lispector a escrever algo como “Felicidade Clandestina”? Aprendemos que não existe oração sem verbo, e eu digo que não existe oração sem o verbo ler – embora, para certos leitores ateus, ler seja mesmo a própria oração. Uma espécie de reza solitária. “Ao me trancafiar num livro, exerço meu direito mais sagrado: o de não pertencer ao meu tempo e ao meu lugar”, sentenciou o crítico literário Miguel Sanches Neto no jornal Gazeta do Povo.

Eu leio, tu lês e quero crer que eles também lêem, ou que um dia o farão. Segundo a revista britânica The Economist, hoje o brasileiro lê em média 1,8 livros por ano. Nossos irmãos argentinos e uruguaios lêem 4 volumes anuais e os franceses, campeões, cerca de 15 livros em doze meses. Mas quantidade não importa muito quando o assunto é livros literários. É como disse nosso grande Nelson Rodrigues: “Deve-se ler pouco e reler muito. Há poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos.

O Orelha do Livro vai ser assim, uma sala de leitura bem iluminada e aconchegante, sempre de portas e páginas abertas para receber leitores de livros literários – aqueles volumes desprovidos de utilidade prática, que jamais te ensinarão estratégias de vendas ou truques culinários, mas que podem ampliar seu ângulo de visão com um pouco de disciplina, mente aberta e paciência. Além deste espaço virtual, em breve o Orelha do Livro estará no ar de segunda a sábado na rádio Lumen 99.5 FM de Curitiba, sempre às 14h e 20h30.

“Leio para provar que o tempo é maior do que o presente. Leio porque não me bastam os prazeres do agora”, disse Miguel Sanches Neto. O prólogo termina aqui, sob o risco de se tornar um primeiro capítulo romanesco. Eu espero você nas próximas postagens – e conto muito com a sua participação.

Um abraço, Mariana.

3 Responses to “Da necessidade de um prologo”

Sucesso, flor; talento já tens de sobra. Estarei sempre te freqüentando - aqui, pelo menos. :*

novembro 11th, 2008

amiga! estou orgulhosa de ti!! com certeza estarei sempre nessa sala aconchegante lendo,lendo,lendo e descobrindo, abrindo novos caminhos!!!

gilmara
novembro 11th, 2008

Oi Mariana, td bem?
A Sú me passou o link, adorei essa “sala aconchegante”! Parabéns.

bjs,Sil

Silviane
novembro 12th, 2008