01
jan

Sabático, suplemento literário do Estadão, desafiou a imaginação de quatro escritores para escrever um conto coletivo de Ano-novo. “Réveillon” teve sua primeira parte escrita pelo português valter hugo mãe, um dos destaques de 2011 no Brasil, por conta da sua participação na FLIP e pelo lançamento de duas obras suas por aqui. Quem dá continuidade à estória é a gaúcha Carol Bensimon, de quem li o excelente volume de contos Pó de Parede. Na sequência, o cearense Ronaldo Correia de Brito e a portuguesa Inês Pedrosa arrematam o conto, que pode ser lido na íntegra - mas dividido em partes - aqui. O resultado ainda foi “avaliado” pelo professor de literatura da USP, Alcides Villaça.

Ilustração: Catarina Bessell

29
dez

2011 foi um ano bem especial para a literatura paranaense e tudo o que gira em torno dela: testemunhamos o nascimento do jornal da Biblioteca Pública do Paraná, o simpático Cândido, e o renascimento do projeto Um Escritor na Biblioteca; aplaudimos a conquista de dois prêmios Jabuti por dois curitibanos - na verdade, um deles radicado aqui -, Dalton Trevisan e José Castello; presenciamos a estreia da FLIM, como ficou conhecida a Festa Literária do Colégio Medianeira; conhecemos a nova livraria Arte e Letra e a primeira livraria Cultura de Curitiba - o paraíso distribuído em três andares.

Mas, para mim, o ano não teria o menor sentido sem a leitura destes livros:

Manual de putz sem pesares, de Luiz Felipe Leprevost (Editora Medusa, 2011)
“Para mariana, meus pequenos filminhos de terror”. Essa foi a dedicatória que o Leprevost escreveu na primeira página do livro, antes de entregá-lo para mim, numa tarde de janeiro no Lucca Café, antiga sede da Livraria Arte e Letra - mas poderia ter sido no Chuvaimóvel Café. E os 30 contos que ele nos apresenta são exatamente isso: filminhos de terror, na melhor atmosfera pulp: mistura de filme noir com pornochanchada brasileira. Sim, a clássica literatura de banheiro, e o que há de errado nisso? Afinal, “há momentos em que tudo o que um cara precisa é um pouco de pinga, coca e dança erótica”, como diz o conto homônimo dessa coletânea safada.

Amanhã. Com sorvete!, de Assionara Souza (7 Letras, 2010)
Ok, o livro é do ano passado. Mas meu primeiro contato com ele foi em abril de 2011, durante uma das leituras do projeto EntreMundos. Ou seja, antes de ler eu OUVI o texto de Assionara em voz alta, e é como devem ser lidos estes contos incrivelmente poéticos, sonoros, sensoriais. De Caicó a Curitiba, onde vive há mais de 2 décadas, Assionara imprimiu um estilo único à literatura “feita aqui”. Seu texto tem sabor, como um delicioso sorvete, provocando sensações diferentes a quem prová-lo com a ponta da língua. Os contos “Amoras frescas” e “Dentro da coisa” têm aquele tom melancólico sem perder o fino humor, como nos filmes da Miranda July. Por sinal, cinema aqui não falta. A começar pela divertida epígrafe do Jim Jarmusch.

Ocupado, de Adriano Esturilho (Editora Medusa, 2011)
Coleção de histórias curtas, sonoras, fragmentadas, experimentais, ambientadas em Curitiba, situadas entre a insônia e o pesadelo. Espécie de Georges Perec local, Esturilho cria uma obra onde a forma é revolucionária, anárquica e muito mais importante que o conteúdo. Para além do elaborado jogo de palavras, a nostalgia do Concretismo e do rock oitentista, Ocupado é uma jornada madrugada adentro pela cidade “pseudo-cosmopolita”, onde as notícias mais desgraçadas sempre chegam por telefone.

Pequena biografia de desejos, de Cezar Tridapalli (7 Letras, 2011)
Único romance da lista, o livro do Tridapalli é uma das melhores estreias literárias que já tive o prazer de ler. Maduro, profundo, envolvente e bem escrito são algumas das qualidades dessa pequena biografia, que narra a história do porteiro Desidério, aspirante a escritor. E agora você deu um longo suspiro, achando tedioso e previsível o fato de um livro de estreia tratar do próprio ato da escrita. Vá por mim, a obra é excelente, crítica, questionadora e cheia de sensibilidade. E mais que isso eu não digo, porque em breve sai a resenha que escrevi pra revista ler & Cia ;D

Nós passaremos em branco, de Luís Henrique Pellanda (Arquipélago editorial, 2011)
Um dos últimos que li neste ano, e é como se fosse um presente: o novo do Pellanda é, para mim, o grande livro de 2011. Entre 2009 e 2010, o autor publicou suas narrativas às quintas-feiras no site Vida Breve, que encerrou em 2011. As melhores crônicas foram selecionadas, algumas reescritas, outras renomeadas - uma acrescentada - e, agora, aparecem lado a lado neste volume. Lidas em sequência, elas formam o painel mais autêntico, atual e sombriamente poético de Curitiba, como um dia o fez Dalton Trevisan. Tudo acontece ali, entre as praças Osório e Santos Andrade, onde se espalham personagens invisíveis, demoníacos, ordinários: o homem com a menina no colo, os chupa-latas, o velho evangélico de coturnos, os fantasmas que assombram um edifício da Ébano Pereira, a Pequena Sereia da Boca Maldita. Flanar pelo centro da cidade nunca mais vai ser como antes, depois de ler as crônicas do Pellanda.

12
dez

Dois adolescentes. Um encontro secreto. Bum! Um ruído ensurdecedor e o prédio em construção vem abaixo. Sob os escombros, no escuro, absolutamente sozinhos e protegidos apenas por uma mesa de grápia, Rui e Júlia se recuperam do susto. E, enquanto esperam o resgate, têm tempo de sobra para se conhecerem.

Assim começa “O Estalo”, romance do escritor gaúcho Luís Dill escrito apenas com diálogos. Sem um narrador para descrever cenários ou analisar o que pensam e sentem os protagonistas, o leitor conta somente com esta longa conversa para desvendar, aos pouquinhos, quem são Rui e Júlia. Qual a relação entre eles? Como se conheceram? Afinal, o que estavam fazendo ali? A cada página, vamos descobrindo as diferenças e afinidades entre eles, sua visão de mundo, com o que sonham e o que desejam.

O texto de Luís Dill tem uma capacidade brilhante de se aproximar da linguagem e do contexto jovem, a quem se destina este livro - das referências culturais, que vão de tatuagens e piercings ao hit de Black eyed Peas, ao jeito inseguro de se expressar, típico da fase adolescente. Dill merece vencer hoje o Prêmio Açorianos de Literatura na categoria Juvenil, na qual concorre este ano. Se isso acontecer, será a terceira vez: em 2008, foi vencedor na categoria Conto com “Tocata e Fuga” e, no ano seguinte, com o juvenil “De carona, com Nitro“. O anúncio dos vencedores da maior premiação literária do Rio Grande do Sul acontece hoje às 20h no Teatro Renascença, em Porto Alegre.

“O Estalo”, publicado em 2010 pela editora Positivo, traz ainda uma série de desenhos muito originais de Rogério Coelho, que tinha como desafio ilustrar uma história inteiramente ambientada no escuro, protagonizada por personagens que não se veem. Usando apenas o preto, o branco e o azul, Rogério criou imagens enigmáticas e de extremo bom gosto, como todo o projeto gráfico do livro.

06
dez

Ao invés de brinquedos, livros. Toda criança merece passar pela experiência de ser transformada pela literatura. Neste Natal, o mais novo centro de compras de Curitiba, Pátio Batel, lançou uma campanha no Facebook: cada vez que alguém clicar no botão “curtir” de sua fanpage, o Pátio Batel doa um livro para uma criança.

A ação, desenvolvida pela Repense e com duração entre 5 de dezembro e 5 de janeiro, irá beneficiar 5 instituições da cidade: Projeto Vida Nova (Pinheirinho), Associação Passos da Criança (Vila das Torres), Lar Bom Pastor (Barreirinha), Fundação Iniciativa (Uberaba) e a Associação de Proteção à Infância Vovô Vitorino (Tatuquara).

Em frente ao empreendimento (Av. Batel, 1.868), uma inusitada árvore de livros de 7m de altura, iluminada por led e formada por conteiners, abriga obras literárias gigantes. Um Papai Noel “livreiro” recebe os visitantes, que também poderão fazer doações de livros no local, das 10h às 15h e das 16h às 21h. A inauguração do Pátio Batel está prevista para setembro de 2012. E você, já clicou em curtir?

06
dez

Em setembro de 1900, o escritor americano Mark Twain inaugurou uma biblioteca popular no bairro londrino de Brent, nas imediações de Kensal Rise. Agora, o centenário reduto literário luta para manter suas portas abertas, desde que um plano de austeridade britânico decidiu fechar centenas de bibliotecas municipais. Só em Brent, foram seis no último ano. Hoje, a Folha de São Paulo comentou o caso, em matéria da France Press.

Moradores do bairro, escritores e personalidades musicais criaram um movimento de resistência com direito a blog para arrecadar fundos e uma biblioteca alternativa, funcionando do lado de fora do prédio. A “Pop-up library”, como foi chamada, é uma linda iniciativa de pessoas apaixonadas por livros. Todos os dias, elas aumentam o acervo com novas obras à disposição para empréstimo, se revezam para cuidar do lugar e mobilizam mais leitores junto à causa. O objetivo é que os próprios moradores passem a administrar a biblioteca com autonomia, tirando-a das mãos da prefeitura. Recentemente, a Suprema Corte de Londres considerou ilegais as decisões das prefeituras de Somerset e de Gloucestershire (leste da Inglaterra) de retirar seus financiamentos a cerca de um terço de suas bibliotecas - o que só aumenta as esperanças dos leitores apaixonados de Kensal Rise.

05
dez

No dia em que a “musa” das letras brasileiras, Clarice Lispector, completaria 91 anos, surge no país uma iniciativa para divulgar e homenagear a escritora: o projeto Hora de Clarice, liderado pelo Instituto Moreira Salles em parceria com a Editora Rocco. No dia 10 de dezembro, várias capitais brasileiras promoverão palestras, leituras, debates e até um sarau na internet. A ideia é que a celebração se transforme num evento anual - a exemplo do Dia D, que em outubro homenageou o poeta Carlos Drummond de Andrade.

A Editora Rocco, que edita a obra de Clarice no Brasil, está agitando o Twitter e Facebook com notícias, videos e fotografias do acervo da escritora, como esta que ilustra o post. Acesse e participe do sarau virtual promovido pela editora, que irá sortear exemplares de Clarice na Cabeceira e Crônicas para Jovens aos seguidores mais ativos das redes sociais.

Confira a programação de A Hora de Clarice em diversas cidades brasileiras e também em Buenos Aires. Depois, leia essa entrevista com o escritor José Castello, organizador de Clarice na Cabeceira.

11
nov


(Cortázar por Robson Vilalba)

Quem subir até o segundo andar da Biblioteca Pública do Paraná até o dia 05 de dezembro verá retratos inusitados de escritores como Rubem Fonseca, Samuel Becket, Jonathan Franzen e Julio Cortázar, na visão do ilustrador, cartunista e caricaturista Robson Vilalba. A exposição “Letrados caricatos” apresenta desenhos publicados na imprensa, principalmente em jornais de literatura, com a particularidade de que os trabalhos expostos estarão em seu formato original, preservando todos os detalhes da ilustração. Veja outros trabalhos de Robson Vilalba neste blog.

30
out

Se em 16 de junho o mundo relembra a obra mais famosa de James Joyce, no chamado Bloomsday, por que o Brasil não pode ter uma data inteiramente dedicada a um de seus maiores poetas, Carlos Drummond de Andrade? Nascido em 31 de outubro de 1902, o autor de “No meio do Caminho” comemoraria amanhã 109 anos. E um de seus maiores admiradores, o também poeta Eucanaã Ferraz, propõe que a data, batizada de Dia D, seja transformada num dia de grande comemoração nas escolas, bares, livrarias e universidades, com debates, leituras, oficinas e projeções de filmes. A ideia, apadrinhada pelo Instituto Moreira Salles, vem ganhando novos entusiastas a cada dia. Conheça o projeto neste site, onde dá para assistir a alguns videos de fãs do Drummond lendo seus poemas preferidos. Eu já deixei a minha homenagem aqui.

15
out

De 24 a 28 de outubro, acontece em Curitiba a Festa Literária do Medianeira, FLIM. (O nome inspirado na FLIP é até mais sonoro e simpático, ao meu gosto.) O colégio já realizava regularmente sua Feira de Livros, mas este ano a iniciativa ganhou força depois da campanha Sujeitos Leitores, série de video-depoimentos de jornalistas, escritores e educadores sobre seus hábitos de leitura.

Meses atrás, a equipe do setor de Midiaeducação do Colégio gravou minha história de amor com os livros, resultando no vídeo abaixo. Quanto à FLIM, a programação traz palestras e bate-papos bem interessantes com autores da literatura brasileira, além de oficinas de criação literária e contação de histórias, entre outros. Veja aqui todas as atrações da FLIM e participe.

15
out

Nos próximos dias, não faltarão oportunidades para discutir, ler e ouvir literatura em Curitiba:


(Foto: Eduardo Ortega)

Na segunda-feira, dia 17/10, o Paiol Literário recebe o paulista Nuno Ramos para falar sobre suas experiências nas letras e nas artes plásticas. Autor de “O Pão do Corvo” e “Ó”, entre outros livros, Nuno foi vencedor em 2009 do Prêmio Portugal Telecom. O encontro acontece às 20h no Teatro Paiol. Quem perder o papo mediado pelo jornalista Rogério Pereira poderá ler a entrevista com Ramos na edição posterior do Jornal Rascunho (ou no site), e em breve os encontros no Paiol também serão disponibilizados em vídeo, numa parceria com a emissora curitiba ÓTV.


(Foto: Bel Pedrosa)

No dia seguinte, é a vez do carioca Sérgio Sant’Anna participar da oitava edição do projeto “Um Escritor na Biblioteca”, da Biblioteca Pública do Paraná. O bate-papo com o autor de “Um Crime Delicado” e “O Vôo da Madrugada” será às 19h no Auditório Paulo Garfunkel da BPP, com mediação do jornalista e escritor Luís Henrique Pellanda.

Para esticar o programa literário, uma boa pedida na mesma noite é a apresentação dos Dublês de Dublin, no Wonka Bar. O projeto poético-musical foi criado há 4 anos por Ivan Justen Santana, e trará poemas, versões de canções (segundo o email que recebi, espécie de “folk punk universitário“) e trabalhos autorais, incluindo o do músico e compositor Adriano Sátiro, convidado especial da noite.

Na quarta-feira, as já tradicionais leituras no Teatro da Caixa, pelo projeto EntreMundos trazem para o palco textos do austríaco Arthur Schnitzler e o tcheco Milan Kundera. Os livros escolhidos foram respectivamente “Crônica de uma vida de mulher” e “Risíveis amores”. A direção fica por conta de Luciana Barone, com execução musical de Felipe Ayres e mediação minha.

Entre os dias 18 e 27 de outubro, o ciclo do SESCPR Autores & Ideias, sob curadoria minha, recebe Vitor Ramil e Ronaldo Bressane para falar sobre as relações entre a literatura e outras vertentes artísticas na mesa “Conexões Literárias”. O bate-papo começa em Londrina e passa pelas sedes do SESC em Paranavaí, Umuarama, Ponta Grossa, Paranaguá e Curitiba (Paço da Liberdade, dia 25/10). Confira a programação aqui (inicialmente, um dos convidados seria Marçal Aquino, mas ele precisou cancelar a participação.)

Todas as atrações têm entrada gratuita, e não seria mal que estivessem todas lotadas :)