14
mai

Amanhã às 19h eu converso com o escritor paranaense Domingos Pellegrini, terceiro convidado do projeto Um Escritor na Biblioteca em 2012. O bate-papo, que deve girar em torno da importância da leitura e das bibliotecas na vida do autor - e, naturalmente, da sua obra - acontece no auditório Paul Garfunkel da Biblioteca Pública do Paraná e tem entrada gratuita.

Domingos também esteve na primeira edição do projeto, em 1985, quando já era um autor premiado. Paranaense de Londrina, ele é romancista, contista, cronista, poeta, jornalista e publicitário. Venceu o Prêmio Jabuti de 1977 já com seu primeiro livro de contos, “O homem vermelho”. No ano passado, lançou seu romance mais recente, “Herança de Maria”.

Serviço:
Um Escritor na Biblioteca – Domingos Pellegrini
Local: Biblioteca Pública do Paraná
Data: 15 de maio de 2012
Horário: 19h
Gratuito

09
mai

O futuro da literatura para crianças é o tema do encontro do Autores e Ideias deste mês, que acontece nas unidades do SESC em Londrina, Maringá e Cornélio Procópio. Para iniciar o debate, o professor e escritor Cezar Tridapalli ministra hoje às 19h30 em Cornélio a palestra “Ler, colher e escolher”, voltada a professores e agentes de leitura. Amanhã será a vez de Londrina. Na próxima semana, a editora da Cia das Letras Júlia Schwarcz e a escritora Leticia Wierzchowski conversam sobre o tema no ciclo de autores, que passará pelas três cidades paranaenses. O evento tem curadoria do jornalista e escritor Luís Henrique Pellanda. A entrada é livre.

Palestra “Ler, colher e escolher”, com Cezar Tridapalli
Maringá - 08/05, às 19h30
Cornélio Procópio - 09/05, às 19h30
Londrina - 10/05, às 19h30

Ciclo de Autores: Júlia Moritz Schwarcz e Leticia Wierzchowski
Londrina - 15/05, às 19h30
Cornélio Procópio - 16/05, às 19h30
Maringá - 17/05, às 20h

30
abr

Durante 10 anos, o professor e tradutor curitibano Caetano Galindo se dedicou à tradução de um dos romances mais notáveis do século 20: Ulysses, de James Joyce, lançado em 1922. O trabalho, que sucede a tradução de Antonio Houaiss (1966) e de Bernardina da Silveira (2005), chega às livrarias no dia 14 de maio, pelo selo Penguin Companhia. O Estadão entrevistou Caetano Galindo e ainda analisou a solução dos três traduções para os primeiros parágrafos da obra. Confira o resultado:

Antonio Houaiss

“Sobranceiro, fornido, Buck Mulligan vinha do alto da escada, com um vaso de barbear, sobre o qual se cruzavam um espelho e uma navalha. Seu roupão amarelo, desatado, se enfunava por trás à doce brisa da manhã. Elevou o vaso e entoou:
- Introibo ad altare Dei.
Parando, perscrutou a escura escada espiral e chamou asperamente:
- Suba, Kinch. Suba, jesuíta execrável.
Prosseguiu solenemente e galgou a plataforma de tiro. Encarando-os, abençoou grave três vezes a torre, o campo circunjacente e as montanhas no despertar.”

Bernardina da Silveira

“Majestoso, o gorducho Buck Mulligan apareceu no topo da escada, trazendo na mão uma tigela com espuma sobre a qual repousavam, cruzados, um espelho e uma navalha de barba. Um penhoar amarelo, desamarrado, flutuando suavemente atrás dele no ar fresco da manhã. Ele ergueu a tigela e entoou:
- Introibo ad altare Dei.
Parado, ele perscrutou a escada sombria de caracol e gritou asperamente:
- Suba, Kinch! Suba, seu temível jesuíta!
Solenemente ele avançou para a plataforma de tiro. Olhou à volta e seriamente abençoou três vezes a torre, o terreno à volta e as montanhas que despertavam.”

Caetano Galindo

“Solene, o roliço Buck Mulligan surgiu no alto da escada, portando uma vasilha de espuma em que cruzados repousavam espelho e navalha. Um roupão amarelo, com cíngulo solto, era delicadamente sustentado atrás dele pelo doce ar da manhã. Elevou a vasilha e entoou:
- Introibo ad altare Dei.
Detido, examinou o escuro recurvo da escada e invocou ríspido:
- Sobe, Kinch. Sobe, seu jesuíta medonho.
Altivo, ele se adiantou e subiu na plataforma de tiro redonda. Olhou à volta e abençoou sério e por três vezes a torre, o campo em torno e as montanhas que acordavam.”

21
abr

1ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, sediada na capital do país, destaca produção literária da África e da América Latina

Por Mariana Sanchez

Até a semana passada, o nigeriano Wole Soyinka (foto) figurava entre os autores inéditos no Brasil. Primeiro negro a receber o prêmio Nobel de Literatura, em 1986, talvez continuasse desconhecido entre nós se não fosse, ao lado de Ziraldo, o grande homenageado da 1.ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, evento que termina depois de amanhã, em Brasília. Com quase 50 anos de atraso, a obra de Soyinka O Leão e a Joia acaba de ser publicada aqui, pela Geração Editorial. O mesmo selo, fundado pelo coordenador literário da Bienal, Luiz Fernando Emediato, também se ocupou de relançar obras esgotadas das prateleiras nacionais, como Morango e Chocolate, do cubano Senel Paz, e Luna Caliente, do argentino Mempo Giardinelli, ambos convidados do evento.

“A literatura produzida na África e nos países hispano-americanos foram os dois eixos desta Bienal. A primeira, por ser quase totalmente desconhecida dos brasileiros. A segunda, porque já foi muito popular entre nós durante o chamado boom latino, mas depois perdeu espaço para a literatura em língua inglesa”, explica Emediato, que prezou por uma programação independente, alheia aos interesses do mercado. “Aqui não vai ter padre lançando livro”, garantiu, em tom de provocação. (Leia matéria na íntegra aqui.)

(Matéria originalmente publicada no jornal Gazeta do Povo. Foto: Carol Matias)

13
abr

Há tempos acompanho a produção de Eric Nepomuceno com alegria. Gosto muito dos livros de contos A palavra nunca e Coisas do mundo. Às terças-feiras, não perco seu programa Sangue Latino, do Canal Brasil. Porém, como muitos leitores brasileiros, meu primeiro contato com o autor se deu através de suas traduções de escritores latino-americanos de língua espanhola. Eduardo Galeano, Julio Cortázar, Gabriel García Marquez, Juan Gelman. Todos eles – e muitos outros – chegaram até nós em Português pelas palavras de Nepomuceno. Ano passado, tive a felicidade de ser sua aluna no curso de Especialização em Tradução, da Universidade Gama Filho. E, amanhã, terei a honra de encontrá-lo na 1ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, que acontece de 14 a 23 de abril em Brasília. Nepomuceno é o curador de um dos principais eventos da Bienal, a Jornada Literária da América Hispânica. A seguir, seguem alguns trechos da entrevista que fiz com ele por e-mail, dias atrás.

O senhor convidou escritores de diversas gerações, países e gêneros literários para participar da Jornada Literária. Sob quais critérios se deram estas escolhas?

Representatividade, importância da obra e da trajetória, enfim, o critério foi armar um grupo de peso. Temos representantes de seis países: Argentina, Chile, Colômbia, Cuba, México e Nicarágua. Para um primeiro evento, está bem… Temos desde um dos poetas mais expressivos e importantes do idioma castelhano, o argentino Juan Gelman, a uma jovem contista, sua conterrânea Samanta Schweblin. Temos um autor experimental, para classificá-lo de alguma maneira, o mexicano Mario Bellatin, a um contista esplendoroso, o cubano Senel Paz. Poderia falar de cada um, mas acho que esses quatro sintetizam bem o espírito do grupo: diversidade de estilos, de formas de expressão, de gerações. Poderíamos ter ainda mais nomes, mas tropeçamos com problemas de agenda. Enfim, o critério final é o mais comum e que quase nunca é reconhecido: afinidade pessoal… O vigor da palavra e a formidável carpintaria literária de Mempo Giardinelli, Hector Abad Fancione, de Sérgio Ramírez e Antonio Skármeta são um apanhado exato da alta qualidade da literatura feita em nosso continente.

Há muitos anos o senhor acompanha os movimentos da cultura latino-americana, como jornalista e tradutor. O que destacaria de mais interessante acontecendo hoje na literatura do continente?

Ah, é uma pergunta muito ampla… Além do mais, não tenho assim uma visão teórica. O mais interessante é que se preservaram as características mais profundas da literatura latino-americana: a diversidade, a qualidade. Não se trata apenas de movimentos ou de ondas, mas de movimentos e ondas que se integram a uma tradição iniciada lá atrás, e que pode ser resumida assim: quem escreve na América está, de fato, escrevendo a América. Uma literatura vigorosa, que responde a uma realidade impregnada de imaginação.

O boom literário dos anos 1960 foi marcado pelo realismo fantástico. Nos anos 90, com o surgimento da antologia “McOndo”, um grupo de escritores denunciava um continente impregnado pela cultura imperialista do Mc Donald’s e dos Macintoshes, em oposição à Macondo de García Marquez. Hoje, existe algum ideal literário entre os autores da nova geração?

Não acredito em rótulos ou selos. O ‘realismo fantástico’ ou ‘realismo mágico’ foi apenas um meio de os explicadores de tudo conseguirem tentar explicar o que não entendiam: uma literatura vital, intensa, que respondia à imaginação coletiva, à memória coletiva do continente latino-americano. O tal ‘boom literário’ foi, enfim, um outro rótulo, inventado para explicar o que acontecia de fato: um ‘boom editorial’, com autores latino-americanos rompendo barreiras, ignorando fronteiras e sendo lidos em todo o mundo. Quanto à antologia McOndo, foi um truque na contra-mão. Sobraram os nomes – um, dois, talvez três – de quem escrevia de verdade. Rótulos e ondas, contra propostas inventadas, nada disso substitui o talento. Não dou e nunca dei a menor importância para esse tipo de coisa. Desconheço ideais literários atuais, a não ser, claro, o de escrever bem. Alguns autores mais jovens, aqui e em outras partes, anseiam pelo sucesso grande e imediato. São as febres da juventude. Depois, passam. E fica quem merece ficar.

Em sua opinião, quais autores latinos inéditos no Brasil mereceriam ser traduzidos e editados urgentemente por aqui?

A lista é enorme. Penso, por exemplo, nos argentinos Juan Forn e Hector Tizón, nos contos do cubano Eduardo Heras León, nos próprios romances do nicaragüense Sérgio Ramírez, de quem só foi traduzido seu livro de memórias do sandinismo, ‘Adiós muchachos. Penso na poesia formidável do mexicano Jaime Sabines, na bela novela da argentina Laura Meradi… Enfim, embora a gente conheça muito mais da literatura do resto do continente do que eles conhecem da nossa, há muito a ser descoberto.

11
abr

Birth of a Book from Glen Milner on Vimeo.

Produzida na Inglaterra para o jornal Daily Telegraph, esta vinheta mostra como são feitos os livros pelo método tradicional de impressão. A obra que aparece no vídeo é Mango and Mimosa, de Suzanne St Alban.

05
abr

“Trabalhar cansa”, sentenciou o poeta italiano Cesare Pavese em seu livro de estreia. Para o suíço Alain de Botton, é fundamental refletir sobre “Os prazeres e desprazeres do trabalho”, título do seu lançamento mais recente. Agora, a oitava edição da revista Inglesa Granta brinda o leitor brasileiro com 16 visões originais sobre aquela atividade humana por vezes enfadonha e desgastante, mas que, como seu patrão insiste em fazê-lo acreditar, dignifica o homem.

Sim, trabalho é o tema escolhido como fio condutor de Granta em Português vol. 8 (Alfaguara, R$ 34,90), publicado no final de 2011. E quando o assunto é labuta, nada mais adequado que traçar algumas “Notas sobre a preguiça”. Neste texto de abertura, o indiano Salman Rushdie constata que a literatura nunca tratou deste pecado capital com sua devida consideração. E lembra que, na Divina Comédia de Dante, os homens que nada realizaram não eram dignos nem mesmo do Inferno.

O volume avança com Bernardo Carvalho narrando o infeliz ofício de um censor e tradutor de cartas do Alemão que aceita interceptar a correspondência de judeus durante a Segunda Guerra – o texto é, na verdade, o primeiro capítulo do seu próximo romance. Há ainda a tocante história de João Anzanello Carrascoza sobre como o trabalho pode soterrar a família na memória, porque longe da convivência. Outros autores preferem enveredar pela ironia e o humor absurdo. É o caso de Marcello Fois em “Whipping Boy”, conto em primeira pessoa sobre uma curiosa profissão, que consiste em dar cabo das chateações que ninguém gosta de enfrentar – como levar bomba na prova ou terminar o namoro com alguém.

Dentre as pérolas que o volume reúne, considero imperdível o relato memorialístico de Colum McAnn sobre sua visita à redação do jornal irlandês onde seu pai era editor, quando ele tinha nove anos. A despeito da ameaça paterna – “não vire jornalista” –, o barulho das rotativas e o cheiro de tinta parecem ter produzido enorme fascínio na vida de McAnn, que, naturalmente, se tornou jornalista. Mas este, como você vai descobrir em Granta vol. 8, é apenas um dos ofícios que ele aprendeu com seu pai.

*Texto publicado originalmente na edição 43 da revista ler&Cia.

02
abr

Em homenagem ao Dia Internacional do Livro Infantil, comemorado na data de nascimento de um de seus expoentes, Hans Christian Andersen (2 de abril de 1805), apresento em primeira-mão a obra ilustrada de Fabio Dudas, meu amigo e um grande artista visual. Sem usar nenhuma palavra, apenas desenhos, o livro-imagem mostra que um dia de chuva pode ser divertidíssimo, desde que você tenha um guarda-chuva, claro. Clique aqui e veja a obra na íntegra.

02
abr

Dois eventos literários importantes no Paraná começam suas edições de 2012 neste mês de abril. O ciclo Autores & Ideias, do SESC-PR, tem como tema “A Língua Portuguesa no Mundo Literário”, com a presença da chilena radicada no Brasil, Carola Saavedra, e do angolano José Eduardo Agualusa. Além do bate-papo com os autores, haverá ainda a palestra “Identidades da Literatura de Língua Portuguesa no Mundo: Passado e Presente”, ministrada pelo jornalista, professor e tradutor Christian Schwartz. Este ano, a curadoria do ciclo leva a assinatura do escritor Luís Henrique Pellanda. Clique aqui para ver a programação completa.

Outro evento que pretende aproximar escritores e leitores é o Paiol Literário, realizado desde 2006 pelo jornal Rascunho em parceria com o Sesi Paraná, Fiep e a Fundação Cultural de Curitiba. O encontro, que inicia sempre com a mesma pergunta (”Afinal, para que serve a literatura?”), traz o romancista minei­­ro Ivan Angelo para a edição de abril. Ambos os eventos têm entrada franca. Confira o calendário:

Paiol Literário

18 de abril – Ivan Angelo
9 de maio – Jaime Prado Gouvêa
20 de junho – Paulo Lins
3 de julho – Daniel Galera
15 de agosto – Marcia Tiburi
19 de setembro – Rodrigo Lacerda
3 de outubro – Francisco Alvim
21 de novembro – Altair Martins

Autores & Ideias

Palestra: Identidades da Literatura de Língua Portuguesa no Mundo: Passado e Presente
Guarapuava 10/4 – às 19h30
Ponta Grossa 11/4 – às 20h
Paço da Liberdade (Curitiba) 12/4 – às 19h

Ciclo de autores: A Língua Portuguesa no Mundo Literário
Ponta Grossa 17/4 – às 20h
Guarapuava 18/4 – às 19h30
Paço da Liberdade (Curitiba) 19/4 – 19h

Informações nas unidades do Sesc:
Sesc Guarapuava – Rua Comendador Norberto, 121. Tel. (42) 3623-4263
Sesc Ponta Grossa – Rua Theodoro Rosas, 1247. Tel. (42) 3222-5432
Sesc Paço da Liberdade (Curitiba) - Praça Generoso Marques, 189. Tel. (41) 3234-4200

02
abr

A revisa Imprensa perguntou a 40 jornalistas brasileiros quais foram os 10 livros indispensáveis para sua formação, aqueles que mais contribuíram para suas carreiras. Das 400 respostas, foram selecionadas as obras mais votadas: liderando o ranking está Sangue Frio, de Truman Capote, um clássico do jornalismo literário. Depois, vem Chatô, o Rei do Brasil, de Fernando Morais, e Fama e Anonimato, de Gay Talese. Confira aqui os outros títulos. A revista também prometeu publicar as listas dos jornalistas, de dez em dez. Veja quais foram os preferidos de Heródoto Barbeiro, Cadão Volpado, Sergio Vilas-Boas e outros convidados.