31
ago

O espanhol Federico Garcia Lorca e o albanês Ismail Kadaré são os autores escolhidos para a edição de setembro do projeto XX Narrativas do Século XX, que acontece todo mês no Teatro da Caixa de Curitiba. Durante o evento, marcado para esta quarta-feira às 20h, serão lidos extratos do Romanceiro Gitano, do Lorca, e trechos de Dossiê H e Três cantos fúnebres para o Kosovo, ambos do Kadaré. A entrada custa 1 livro não-didático. Mais informações aqui embaixo:

31
ago

Nesta terça-feira a Kafka Edições convida para o lançamento de Hábitos do Musgo, volume que reúne poemas da irlandesa Eiléan Ní Chuilleanáin. É às 19h no Anfiteatro da Reitoria da UFPR. Fica o convite:

22
ago

Domingo é o dia perfeito para atualizar as leituras. Hoje, lendo a edição de agosto do jornal Rascunho, me deparei com um texto interessante do José Castello publicado anteriormente em seu blog, A Literatura na Poltrona, sobre o medo como matéria-prima e força motriz da literatura. O escritor e jornalista evoca, então, duas figuras que muito tinham a dizer sobre o tema: Clarice Lispector e Julio Cortázar. A primeira, certa vez, depois de ler os originais de um conto do jovem Castello, tachou-o de medroso (”com medo ninguém escreve”, teria dito). Cortázar, por outro lado, encontrava justamente no sobrenatural, naquilo que mais o atormentava, a inspiração e o impulso para sua obra. (Diz-se, inclusive, que ele chegou a exorcizar alguns demônios interiores depois de escrever o conto “Carta a uma senhorita em Paris”, no qual o protagonista metaforicamente vomitava coelhinhos brancos.) Em minha leitura do artigo de Castello, sublinhei os seguintes trechos:

A literatura não é só filha do talento, da disciplina e da inspiração. Nasce, também, de sentimentos detestáveis que, de outra forma, talvez nos atormentassem até o fim dos nossos dias. Nasce do que temos de melhor, mas também do que temos de pior, e é preciso dizer isso com todas as letras“.

“A leitura de ficções muitas vezes gera medos que só se solucionam qando escrevemos novas ficções”.

O vórtice do pavor sempre foi a manifestação do sobrenatural, daquilo que não se pode tocar nem ouvir nem ver com os sentidos habituais” (citando Cortázar). “Em outras palavras: a literatura precisa do medo porque atua como um substituto do tato, da audição e da visão. O que não se pode nem tocar, nem ouvir, nem ver, ainda assim, se pode ler (e aqui a literatura se afirma como uma máquina de imaginar): só com esse substituto é possível inventar, sonhar, imaginar“.

Tanto na obra da brasileira quanto na do argentino o medo está lá, na forma de enfrentamento, transcendência, memória da infância, companheiro inseparável. Como disse o Castello, “não importa se você encara um abismo, ou se lhe dá as costas: o risco de cair é o mesmo. Nem olhar, nem fechar os olhos destroem o abismo.”

18
ago

Há dois meses o escritor e gonzojornalista Cardoso (a.k.a André Czarnobai) e Julio Daio Borges, editor do Digestivo Cultural, participaram de um giro paranaense a convite do Autores & Ideias, evento do Sesc-PR que este ano já trouxe Daniel Galera, Fabrício Carpinejar, Daniel Pellizzari e Marcelino Freire para discutir os caminhos e atalhos da literatura brasileira na internet. Todo mês são cinco cidades percorridas: Curitiba, Londrina, Maringá, Pato Branco e Cascavel. As impressões sobre essa experiência foram narradas pelo Julio aqui mesmo, no Digestivo. (Mas essa é só a primeira parte da aventura.) Em setembro, logo depois da Semana Literária do Sesc, o Autores & Ideias convida Cristovão Tezza e Daniel Piza para conversar sobre tecnologia e leitura no cotidiano. Não dá pra perder.

09
ago

O projeto XX Narrativas do Século XX realiza mais uma edição esta semana no teatro da Caixa de Curitiba. Dessa vez, os autores a serem lidos são o argentino Jorge Luis Borges e o sul-africano J. M. Coetzee, definitivamente dois nomes fortíssimos da literatura universal no século passado - o segundo, também no atual. As obras escolhidas foram O Livro da Areia, Funes, o memorioso e Os dois reis e os dois labirintos, de Borges, além de extratos do livro Diário de um ano ruim, de Coetzee.

A leitura, que tem direção de Flávio Stein, propõe a valorização do texto literário - e não a sua dramatização. O ingresso custa um livro não-didático, e a sessão acontece nesta quarta-feira (11) às 20h no teatro da Caixa (Conselheiro Laurindo, 280). Mais informações pelo fone (41) 2118-5111.

08
ago

A edição deste mês do Autores e Ideias, ciclo literário promovido pelo Sesc-PR, traz como convidados os escritores Fabrício Carpinejar e Marcelino Freire, que irão conversar sobre as narrativas breves na era do Twitter.

Carpinejar é gaúcho e já publicou mais de uma dúzia de livros, sendo Mulher Perdigueira o seu mais recente. Marcelino Freire nasceu no sertão pernambucano mas vive há 20 anos em São Paulo. É autor de Angu de Sangue, BaléRalé, Contos Negreiros, entre outros, além de organizador da antologia Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século, que reúne microcontos de até 50 letras de 100 autores brasileiros. Os dois convidados já venceram o Prêmio Jabuti, agitam a blogosfera brasileira há anos e andam despejando sua prosa curta no Twitter (como este “conto nanico” do Marcelino: “Na mesma cela, dois homens se beijam. Livres.“, ou este tweet do Carpinejar: “Pijama é fronha do corpo.”)

A terceira edição do Autores e Ideias acontece em Curitiba no Paço da Liberdade nesta terça-feira (10) às 19h30, e segue para outras quatro cidades paranaenses nos dias seguintes. Este ano, o tema do evento é a relação entre a literatura e o ciberespaço. Além das mesas-redondas estão previstos workshops, oficinas e outras atividades, todas realizadas nas unidades do Sesc-PR com entrada gratuita.

08
ago

Quase Memória, o “quase-romance” que marcou a volta de Carlos Heitor Cony à ficção, é uma homenagem verdadeira, poética e irreverente ao pai-herói da infância do autor, e também um pequeno tesouro da literatura brasileira. Ouça o podcast:

 
icon for podpress  Quase Memória [2:02m]: Play Now | Play in Popup | Download
04
ago

Começou nessa quarta-feira a Festa Literária Internacional de Paraty 2010 e, assim como no ano passado, estarei a pelo menos 700 km de distância do evento literário mais badalado do calendário brasileiro. Se você está na mesma situação que eu, não se desespere: tal como em 2009 haverá transmissão ao vivo das mesas pela internet, é só acessar aqui. Amanhã às 15h, por exemplo, você poderá conferir um bate-papo interessante sobre Fábulas Conteporâneas entre Reinaldo Moraes, Ronaldo Correia de Brito e Beatriz Bracher. Na sequência, Humberto Werneck conversa com aquela que é, talvez, a grande estrela da Flip 2010, a romancista chilena Isabel Allende. À noitinha, a discussão gira em torno do futuro do livro com dois especialistas em história da leitura e da mídia, Robert Darnton e Peter Burke. E ainda tem Robert Crumb, Wendy Guerra, Salman Rushdie, Ferreira Gullar, Benjamin Moser, Colum McCann (autor do elogiadíssimo Deixe o Grande Mun­­do Girar) e outros autores que você confere aqui na programação. Outra boa pedida para quem está longe é acompanhar a cobertura do Sérgio Rodrigues no Todoprosa. Ele escreveu um post essencial para os “flipeiros de primeira viagem“, onde relembra momentos antológicos da sua passagem pela festa em anos anteriores, como a cena do crítico de música clássica da New Yorker rebolando ao som de um ensandecido Sidney Magal. É por essas e outras que ir à Flip ainda vale a pena.

01
ago

Das estantes presenteadas pelos sogros à poltrona herdada do pai, as leituras de Flávio Stein têm história.

Refúgios de leitura

Ler e estudar são atividades recorrentes na sua casa? Então reserve alguns metros quadrados e crie um cantinho especial para curtir ainda mais a companhia dos livros

Mariana Sanchez, especial para a Gazeta do Povo

Todo leitor há de concordar que livros são bem melhor aproveitados quando lidos – ainda que muita gente insista em usá-los apenas para compor a decoração da sala. Se a leitura está entre os seus hábitos cotidianos, uma forma de valorizar este momento é planejar, dentro de casa, um lugar especial para ela.

Foi o que fez o músico e diretor teatral Flávio Stein, 48 anos, que também é mestrando em Estudos Literários na Univer­­­sidade Federal do Paraná (UFPR). Até pouco tempo atrás, ele e a esposa mantinham em casa um quarto multiuso que abrigava desde objetos de arte e documentos até uma infinidade de livros. Com o anúncio da gravidez da esposa – e um inesperado ataque de cupins no principal armário de madeira –, Flávio decidiu que era hora de organizar melhor o espaço, transformando-o em escritório, biblioteca e canto de leitura. “É um ambiente em processo, ainda faltam alguns detalhes finais, mas já tenho o silêncio e o conforto de que preciso para ler e me concentrar”, conta. A inspiração veio da casa de seu pai, Milton de Lima Sousa, que tinha um acervo com mais de 10 mil obras e, além de poeta, editava uma revista literária nos anos 1960. Flávio não tira da cabeça a ideia de reproduzir o cantinho de leitura onde seu pai passava o tempo, com estantes margeando as paredes, mesa para apoiar a máquina de escrever – hoje substituída pelo computador – e uma larga poltrona próxima da janela. Essa, por sinal, ele recuperou da casa paterna, trocou o forro, tecido e até a angulação do encosto: “além de confortável, ela tem muita história”, garante. (Leia matéria completa.)

(Foto: Daniel Castellano)

01
ago

Não fosse o fato de eu admirar o catálogo da Não editora - e de acompanhar sempre com curiosidade a nova geração de autores gaúchos -, provavelmente nada me atrairia no livro Areia nos Dentes. O western nunca foi meu gênero preferido na literatura nem no cinema, muito menos um western com zumbis! Mas o romance de estreia de Antônio Xerxenesky foi uma das felizes surpresas na minha pilha de cabeceira no ano passado. Aliás, o livro participou da Copa de Literatura Brasileira de 2009 e, se não me engano, chegou às quartas de final. Quer saber mais? Ouça o podcast a seguir:

 
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