
“Alguma coisa repentina e simples ia acontecer, e eu poderia me salvar escrevendo“.
O lendário escritor uruguaio Juan Carlos Onetti, autor de “A Vida Breve”, “Junta cadáveres” e tantos outros livros, estaria completando hoje cem anos de vida. A edição dessa quarta-feira do jornal espanhol El País trouxe reportagens, galerias fotográficas e arquivos de áudio do autor lendo seus textos. Reproduzo aqui, em tradução minha, o início do texto do jornalista Juan Cruz:
“Por que amamos tanto Onetti, o escritor que hoje completa 100 anos? Em primeiro lugar, porque era todo literatura. Essa era sua paixão; quer dizer, era um leitor, e depois era um escritor. Por necessidade interior, pela paixão de o ser. Seu papo não era literário; era o de uma pessoa normal que vive para ler, mas não vivia para contar nem suas leituras, nem suas obsessões literárias. Lia, escrevia, aí estava; ele não tinha um baú de inéditos para te ler ao entardecer. Era um escritor de destaque, mas nem se achava assim, nem o dizia.” Continuar lendo.