08
fev

Há não muito tempo atrás – oito anos, na verdade -, o lugar abrigava o maior presídio da América Latina. Agora, ao invés de oito mil presos, ele guarda 30 mil livros. A antiga Casa de Detenção do Carandiru é hoje a Biblioteca de São Paulo, novo centro cultural da zona norte paulista, inaugurado nesta segunda-feira. A Princesa Amnésia, que mora na capital, já havia me contado a novidade semanas atrás. Mas não vejo a hora de conhecê-la de pertinho.

Além do admirável acervo de livros físicos, revistas e jornais, a biblioteca tem computadores, audiobooks e, é claro, Kindles. São sete aparelhos, mas as obras contidas ali são quase infinitas. Leia mais na matéria do Estadão de hoje. A foto eu encontrei aqui.

06
fev

Olá, depois da exibição de reprises durante o mês de janeiro, o Orelha do Livro está de volta com programas inéditos, trazendo novidades para quem é fã do mundo literário. Se você também dá ouvidos à boa literatura, sintonize diariamente a rádio Lumen 99.5 FM, de Curitiba. O programa vai ao ar em duas edições, às 14h e 20h30. Aproveite e siga o Orelha do Livro no Twitter. Eu espero você!

24
jan

Graças à saborosa coluna do jornalista José Carlos Fernandes, ficamos conhecendo mais uma “bibliolouca”, nascida da criatividade e da paixão pelos livros de pessoas como o Alberto Melo Viana - quem, aliás, eu já conhecia pelo semanal Fotomail. Leia o texto, inspire-se e, por que não, invente você também uma biblioteca original.

Conceição e a chave do banheiro

Alberto Melo Viana – um dos decanos do fotojornalismo paranaense – montou uma biblioteca minúscula numa câmara de lixo desativada de seu prédio

Publicado em 08/01/2010 | jcfernandes@gazetadopovo.com.br

Sei não, mas acho que um dia alguém ainda vai escrever a História das Bibliotecas Improváveis. Os índices culturais no Brasil, sabe-se, não são de empinar o topete. Os espaços públicos destinados a livros, contudo, não param de se multiplicar, comprovando que podemos não figurar entre os melhores fregueses da Feira de Frankfurt, mas somos intrépidos criadores de endereços para leitura.

Coleciono tudo o que sai na imprensa a respeito e posso assegurar que daria até para bolar um city tour pelas bibliotecas nascidas da imaginação tupi, a exemplo do que realiza o canadense Jeremy Mercer, maluco beleza que não só visita, como pernoita em livrarias do mundo inteiro. Toda gente quer conhecer os buracos em que ele estende seu colchonete – pudera. (Continue lendo.)

20
jan

Não deverá ser este ano – mas possivelmente será nesta década – que eu me renderei ao livro digital. Pode chamar de apego ao papel, romantismo ou pão-durice, o fato é que levei anos construindo uma biblioteca bacana de livros físicos, repletos de grifos e rasuras nas mais variadas grafias, e não imagino estabelecer uma relação emocional tão próxima com este estranho objeto chamado Kindle.
Assim como a fotografia digital transformou a maneira como nos relacionamos com a imagem – antes impressa, no porta-retrato; hoje vagando em bits, perdida em pastas e CDs de dados jamais revisitados –, o livro digital também vai bagunçar um pouco nossos laços afetivos com os livros. Pode soar paradoxo, mas vejo os e-readers como estantes totalmente zoadas onde nunca achamos aquilo que mais queremos ler. Óbvio que não pela falta de organização, mas pela quantidade de itens que botamos ali e mal temos tempo de depurar. Banalização, em outras palavras – o que, aliás, deve ter acontecido com seus discos em formato MP3 :D
Mas estou sendo nostálgica, eu sei. Quem já usa o Kindle ou similar está convidado a postar aqui suas impressões. Por enquanto, compartilho com vocês uma notícia animadora para o mercado livreiro: A Amazon, que comercializa o famigerado aparelhinho, lançou hoje um programa em que autores e editoras receberão 70% dos ganhos obtidos na venda de suas obras para o Kindle. É legal, porque o valor repassado aos escritores não costuma ser maior do que 15%, mas vale lembrar que o plano é restrito a publicações que custam entre US$ 3 e US$ 10. A partir de junho deste ano saberemos se a novidade vai ou não prestar.
Por enquanto, sigo lendo livros de papel, que não precisam ser carregados na tomada. No máximo, esse tipo de “tecnologia” ainda será bem-vinda.

P.S.: O escritor Alex Castro acaba de se render ao Kindle e contou em detalhes a experiência, com direito a um longo FAQ, em seu blog Liberal, Libertário, Libertino. Vale a pena a leitura (agora que sei da possibilidade de sublinhar trechos e escrever anotações pelo Kindle, já passei a gostar mais do brinquedinho).

10
jan

Na semana passada o caderno Viver Bem, do jornal Gazeta do Povo, publicou uma reportagem minha sobre escritores independentes. Leia a seguir:

Foto: Priscila Forone/Gazeta do Povo

Edição do autor

Sem editora e nenhuma pretensão de se tornar best sellers, escritores publicam seus livros com total independência

Publicado em 02/01/2010 | Mariana Sanchez, especial para Gazeta do Povo.
marianab@gazetadopovo.com.br

Era preciso atravessar uma fila comprida para conseguir um autógrafo de Car­­los Boaretto na noite de lançamento do seu livro, Brasília Egípcia. Quem esteve lá, mal po­­dia imaginar que este engenheiro civil de 34 anos nem sonhava em ser escritor. Tudo mudou quando ele fazia mestrado na Europa e, percebendo que pouca gente sabia qual era a capital do Brasil, decidiu escrever um ro­­­mance sobre a cidade inaugurada em 1960 por Juscelino Kubits­­­chek. “Do início das pesquisas até a impressão do volume foram quatro anos de trabalho, porque eu só tinha tempo de escrever nas horas vagas do emprego e mestrado”, conta Carlos.
Ao publicar, portanto, entrou o fator pressa. Isso porque ele queria ver Brasília Egípcia nas li­­­vrarias antes de 2010, ano do cinquentenário da capital e dos cem anos do nascimento de Tan­­­credo Neves, personagem central do livro. “Quando entrei em contato com algumas editoras, descobri que o tempo de análise de um original até sua publicação seria de um ano, ou mais. Se eu fosse por este caminho, acabaria lançando bem depois do pretendido”, diz. A saída foi imprimir Brasília Egípcia de forma independente e garantir o lançamento dentro do prazo.
Esta é uma opção cada vez mais comum entre os escritores iniciantes, que encontram dificuldade em entrar no catálogo de uma grande editora. (Continue lendo.)

Foto: Priscila Forone/Gazeta do Povo

09
jan

“…E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.”

(de Morte e Vida Severina)

Neste sábado, 09 de janeiro, o poeta recifense João Cabral de Melo Neto completaria 90 anos. Leia a entrevista do professor e crítico literário, Antonio Carlos Secchin, especialista na obra do poeta, à Livraria da Folha. Em maio do ano passado ele também foi homenageado no Orelha do Livro, nos 10 anos de sua morte. Ouça o podcast:

 
icon for podpress  João Cabral de Melo Neto [1:43m]: Play Now | Play in Popup | Download

31
dez

O Todoprosa Sergio Rodrigues (que este ano publicou o excelente Elza, a garota) escreveu algo sobre a nossa necessidade de criar listas. Mas eu, que me amarro no Nick Hornby e preciso periodicamente organizar o caos, não consegui terminar o ano sem listar minhas 10 leituras mais prazerosas de 2009. Aproveite para comentar seus melhores momentos literários do ano que está terminando. Que 2010 nos reserve grandes livros e autores capazes de mexer com a nossa bússola interior.

1. Só para fumantes, de Julio Ramón Ribeyro
2. Jornal da guerra contra os Taedos, de Manoel Carlos Karam
3. Jó - romance de um homem simples, de Joseph Roth
4. Coração tão branco, de Javier Marias
5. Zazie no metrô, de Raymond Queneau
6. Órfãos do Eldorado, de Milton Hatoum
7. O jardim de cimento, de Ian McEwan
8. Leite derramado, de Chico Buarque
9. Histórias reais, de Sophie Calle
10. O seminarista, de Rubem Fonseca

2009 ainda foi marcado pelo lançamento tardio do clássico infantil Onde vivem os monstros, de Maurice Sendak, e pela publicação polêmica de O original de Laura, do Nabokov (que ainda não li, mas já está na estante). Outro destaque foi a estreia literária do curitibano Luís Henrique Pellanda, com o seu O macaco ornamental - leitura divertida, pertubadora e sensível, como seus leitores também podem conferir às quintas-feiras no site Vida Breve. O endereço de crônicas diárias, por sinal, foi outra feliz surpresa de 2009.

30
dez

Em 2009, o polêmico Henry Louis Mencken (ou simplesmente H. L. Mencken) marcou presença no Orelha do Livro. A obra acima, que havia sido publicada no Brasil nos anos 1980, ganhou reedição este ano pela Cia das Letras. Em seu capítulo sobre os tipos de homens, ele escreveu, a respeito do dono da verdade:

“O homem que se gaba de só dizer a verdade é simplesmente um homem sem nenhum respeito por ela. A verdade não é uma coisa que rola por aí, como dinheiro trocado; é algo para ser acalentada, acumulada e desembolsada apenas quando absolutamente necessário. O menor átomo da verdade representa a amarga labuta e agonia de algum homem; para cada pilha dela, há o túmulo de um bravo dono da verdade sobre algumas cinzas solitárias e uma alma fritando no Inferno.”

Ouça o podcast:

 
icon for podpress  O Livro dos Insultos [H.L. Mencken] [1:54m]: Play Now | Play in Popup | Download

20
dez

Ouça a seguir o programa veiculado em agosto sobre o crime cometido contra uma das obras mais conhecidas de Ernest Hemingway:

 
icon for podpress  Paris é uma Festa [Ernest Hemingway] [1:53m]: Play Now | Play in Popup | Download

13
dez

Na semana passada o escritor pernambucano Raimundo Carrero venceu pela segunda vez o Prêmio Machado de Assis, da Biblioteca Nacional, pela publicação do romance A minha alma é irmã de Deus - em 1995, o motivo da premiação foi o livro Somos pedras que se consomem. Há poucos meses ele esteve na Bienal do Livro de Curitiba para ministrar uma oficina sobre romance, e eu aproveitei pra dar uma palavrinha com o mestre. Ouça aqui o programa, veiculado na Lumen FM em setembro.

 
icon for podpress  Raimundo Carrero Entrevista [1:55m]: Play Now | Play in Popup | Download